Encarnação e Onisciência

#410

Encarnação e Onisciência

Caro Dr. William Lane Craig,

Eu não posso agradecer o suficiente por todo o trabalho que você faz é incrível. Eu não sei se você se lembra ou não, mas no ano passado você dirigiu, com o Pastor Matt da igreja Solace em Berryhill, Oklahoma, e ele falou sobre mim. Eu sou aquele menino de 15 (então 14) anos de idade, que estava sempre fazendo perguntas. Por causa do seu trabalho, neste último ano letivo tenho sido abençoado com a oportunidade de converter dois dos meus colegas do primeiro ano do ensino médio para o cristianismo (um de eles era agnóstico entre o hinduísmo e cristianismo, uma mistura incomum de pós-moderno, pluralista, e uma versão de mitologia celta influenciada pelo cristianismo), e de converter mais um (agnóstico) ao teísmo, tudo em quantidades limitadas de tempo de conversação com facilidade e consciência tática. Eu também tive a oportunidade de fazer um discurso no meu segundo dia da aula de debate, no qual eu refutava o pós-modernismo que meu treinador de debate ia ensinar no segundo semestre! Você tem feito um impacto tremendo.

Mas estou divagando. A minha pergunta é sobre o modelo da encarnação que você e J. P. Moreland apresentam em Filosofia e Cosmovisão Cristã, o qual afirma que muitos dos atributos divinos de Jesus estavam localizados em seu subconsciente. Estou tendo um problema com isso. A grandeza máxima parece-me sugerir ter acesso a todo e qualquer conhecimento no momento, o que, por sua vez, parece implicar que Deus teria onisciência em Sua consciência, onde pode ser acessado todo o conhecimento diretamente. Você pode por favor esclarecer isso para mim?

Então, minhas perguntas:

1) A grandeza máxima implica onisciência na consciência ao invés do subconsciente?

2) Existem outros modelos coerentes da encarnação que você conhece?

3) Você virá falar ou debater em Oklahoma em breve?

Sua resposta significa muito para mim. Eu acho que a alegada incoerência da encarnação é o argumento mais intelectualmente poderoso contra o cristianismo. Se eu puder responder a isso, todas as outras objeções são fáceis. Muito obrigado pela sua resposta (se você responder a carta).

Continue defendendo,

Dylan

Estados Unidos

United States

Obrigado por suas palavras amáveis, Dylan!

A onisciência pode ser definida da seguinte forma: Uma pessoa S é onisciente, se e somente se, para qualquer proposição p, S sabe que p e não acredita não-p. Como a onisciência é uma propriedade essencial de Deus, Jesus Cristo deve ser onisciente, mesmo durante a sua jornada terrena (seu chamado estado de humilhação). Mas, como você e eu sabemos muito mais do que nós, a qualquer momento, quando somos conscientes, assim também Cristo não precisa ser consciente de tudo o que ele sabe a fim de ser onisciente. Então, no meu modelo que proponho, muito do conhecimento divino de Jesus foi subliminar durante sua vida terrena.

Ainda assim, você pode dizer, você e eu podemos (normalmente!) trazer à consciência o que sabemos, se assim o desejarmos. Se Cristo é maximamente excelente no cognitivo, então ele também deve ter a capacidade de trazer à consciência o que ele sabe, mesmo que durante a sua jornada terrena ele voluntariamente se absteve de acessar o subliminar divino.

Meu modelo deixa essa opção em aberto. Meu modelo é consistente com dizer que Cristo pôde ter retirado de seu conhecimento subliminar, se ele tivesse escolhido fazê-lo, mas ele se absteve de fazê-lo, tendo assim uma consciência humana autêntica.

Assim, em resposta às suas perguntas:

1) A grandeza máxima implica onisciência na consciência ao invés do subconsciente? Não vejo nenhuma razão para pensar que sim. Mesmo se a grandeza máxima implica "ter acesso a todo e qualquer conhecimento no momento", não segue que Cristo precisava estar consciente de tudo o que ele sabia mas, no máximo, que ele poderia acessar qualquer coisa que ele soubesse (recordação total).

2) Existem outros modelos coerentes da encarnação que você conhece? Eu não estou no momento trabalhando nesta área e por isso não estou familiarizado com as discussões atuais. Mas eu gosto muito do que Tom Morris disse em seu excelente livro The Logic of God Incarnate [A Lógica do Deus encarnado] (Cornell University Press, 1986), que permanece leitura indispensável.

3) Você virá falar ou debater em Oklahoma em breve? Não, mas obrigado por perguntar!

William Lane Craig