O Argumento Evolucionista contra o Naturalismo de Plantinga

#415

O Argumento Evolucionista contra o Naturalismo de Plantinga

Dr. Craig,

Eu tenho uma pergunta sobre o Argumento Evolutivo contra o Naturalismo de Alvin Platinga. Ele argumenta, penso eu, que a probabilidade de que minhas faculdades cognitivas sejam confiáveis ​​(R) dado que o naturalismo e a evolução (N&E) são verdadeiros, é baixa ou inescrutável. E que, além disso, se eu aceitar que P(R/N&E) é baixa ou inescrutável, então eu tenho um derrotador (defeater) para qualquer crença produzida por minhas faculdades, incluindo N&E.

Eu tenho achado este argumento persuasivo por muitos anos (quase sete). Mas recentemente me ocorreu que a inferência de "a P(R/N&E) é baixa ou inescrutável" para "portanto, eu tenho um derrotador (defeater) para N&E" pode ser análoga a inferir de "a probabilidade de que minhas crenças sejam seguramente verdadeiras (75 % mais ou menos) dado que os demônios de Descartes existem, é baixa ou inescrutável" para "portanto, eu tenho um derrotador (defeater) para a crença de que o demônio de Descartes existe".

Se o demônio de Descartes existisse, então eu teria uma razão para duvidar de qualquer crença que eu tenha (exceto, de acordo com Descartes, que eu existo) já que ele pode estar me enganando, certo? Mas e a crença de que o demônio de Descartes existe? Tal demônio poderia me enganar para falsamente acreditar que ele não existe, mas ele não conseguiria enganar-me em falsamente acreditar que ele *existe*. Portanto, parece que quando eu considero se o demônio de Descartes existe, pode me levar a duvidar da veracidade de todas as minhas outras crenças, mas como poderia me levar a duvidar da existência do próprio demônio, pois não se houvesse demônio, então (obviamente) não haveria demônio para me enganar.

Da mesma forma talvez, se N&E são verdadeiros, então me levaria a duvidar de todas as minhas outras crenças, mas não N&E em si.

Como deveríamos entender isso? Você acha que esses casos são análogos? Eu estou familiarizado com uma boa dose de trabalho publicado de Plantinga e eu o vi apresentar este argumento pelo menos uma dúzia de vezes no youtube (e uma vez em pessoa), e eu não me lembro de alguma vez ter ouvido esta objeção. Eu estaria muito interessado em ouvir o que você tem a dizer, pois eu não tenho certeza como responder a isso.

Joe

Estados Unidos

United States

O argumento de Plantinga é destinado a mostrar que o naturalismo evolucionista não pode ser racionalmente afirmado. Pode ser verdadeiro, mas não pode ser racional afirmá-lo como tal. Aqui está como ele formula o argumento em seu recente livro Where the Conflict Really Lies [Onde Realmente Reside o Conflito] (Oxford University Press, 2011, pp 344-5.):

1. P(R|N&E) é baixa.

(A probabilidade de que nossas faculdades cognitivas sejam confiáveis, dado o naturalismo evolucionista, é baixa).

2. Alguém que aceita (acredita) N&E e vê que P (R | N & E) é baixa tem um invalidador (defeater) para R.

(Alguém que acredita no naturalismo evolucionista e vê que (1) é verdadeira tem um invalidador (defeater) para crer que nossas faculdades cognitivas são confiáveis).

3. Alguém que tem um obstáculo para R tem um invalidador (defeater) para qualquer outra crença que ela acha que tem, incluindo a própria N&E.

(Alguém que tem um invalidador (defeater) para a crença de que suas faculdades cognitivas são confiáveis tem um invalidador (defeater) para qualquer outra crença que ela tem).

4. Se alguém que aceita N & E, assim, adquire um invalidador para N&E, N&E é autodestrutivo e não pode ser racionalmente aceito.

(Se alguém que acredita no Alguém que acredita no naturalismo evolucionista, assim adquire um obstáculo para o naturalismo evolucionista, então o naturalismo evolucionista é autodestrutivo e não pode ser racionalmente crido).

Conclusão: N&E não pode racionalmente aceito.

(Naturalismo evolucionista não pode ser racionalmente crido.)

A maior parte da discussão do argumento de Plantinga gira em torno da (1). Sua objeção, Joe, é incomum, desafiando em vez disso a (3). Você diz que assim como alguém não pode ser enganado em pensar que está sendo enganado por um demônio, assim não pode ser enganado em pensar que o naturalismo evolucionista é verdadeiro.

Aqui está a minha opinião sobre a sua objeção: a premissa (3) não estipula porque as faculdades cognitivas de alguém não são confiáveis. Ela apenas afirma que, se alguém pensa, por qualquer razão, que suas faculdades cognitivas não são confiáveis, então não se pode ter confiança em qualquer coisa que ela acredita. O invalidador (defeater) poderia ser qualquer coisa: a crença de que alguém é um cérebro em uma cuba ou que se está sonhando, ou que suas crenças são selecionadas para a sobrevivência, ou o que quer que seja, o ponto é que se você realmente acha que suas faculdades não são confiáveis, então você não pode contar com elas para qualquer coisa em que você acredita.

A sua objeção parece dizer, Joe, que a crença "Um demônio maligno existe" é altamente provável em relação ao fato de que minhas crenças são formadas por um demônio maligno. Mas isso é trivialmente verdadeiro. Da mesma forma, para a minha crença de que a evolução naturalista é verdadeira — isto é altamente provável se a evolução naturalista formou minhas crenças — e igualmente trivial. O ponto permanece que eu nunca poderia ter uma boa razão para pensar que estou enganado por um demônio maligno.

What you may have overlooked is that a defeater needn’t show the targeted statement to be false. There are rebutting defeaters and there are undercutting defeaters. A rebutting defeater shows the targeted statement to be false. An undercutting defeater merely removes any warrant for thinking the targeted statement to be true. In Plantinga’s argument it’s all about undercutting defeaters. You don’t show the Cartesian demon hypothesis or evolutionary naturalism to be false; you merely show that we can have no warrant for believing in a Cartesian demon or in evolutionary naturalism.



O que você pode não ter percebido é que um invalidador (defeater) não precisa mostrar que a declaração alvo é falsa. Existem invalidadores ofensivos (rebutting defeaters) e existem invalidadores defensivos (undercutting defeaters). Um invalidador ofensivo mostra que a declaração alvo é falsa. Um invalidador defensivo simplesmente remove qualquer garantia para pensar que a declaração alvo é verdadeira. No argumento de Plantinga é tudo sobre invalidadores defensivos. Você não mostra que a hipótese do demônio Cartesiano ou naturalismo evolucionista são falsos; você simplesmente mostra que não podemos ter a garantia de acreditar em um demônio Cartesiano ou no naturalismo evolutivo.1



Notas:

1 Enquanto na Inglaterra, recebi as seguintes observações de Lydia McGrew, que vieram tarde demais para eu incorporar em minha resposta:

"Plantinga poderia responder que há uma diferença entre o argumento do cético cartesiano e seu argumento neste ponto: O cético cartesiano não precisa afirmar que um enganador *existe* ou que somos *justificados* em acreditar que um enganador existe. O cético cartesiano está reivindicando que o problema é a mera possibilidade que o enganador exista. Em teoria, o cético cartesiano poderia ser um solipsista que se vê simplesmente fazendo argumentos filosóficos em sua cabeça para seu próprio entretenimento. Ele não tem de afirmar, como uma premissa de seu argumento, nada sobre o mundo fora de sua própria cabeça.

"Esta deveria realmente ser a resposta do cético cartesiano para um argumento autoderrotado, não o que você [Joe] sugere para ele: 'Assim, parece que quando eu considero se o demônio de Descartes existe, pode me levar a duvidar da verdade de todas as minhas outras crenças, mas como poderia me levar a duvidar da existência do próprio demônio, pois se não houvesse nenhum demônio, então (obviamente) não haveria demônio para me enganar."Em vez disso, o cético cartesiano deveria dizer, 'Sim, é claro que eu duvido da existência do enganador. Eu duvido da existência de qualquer coisa fora da minha própria cabeça. A possibilidade de um enganador também significa que eu não poderia ser justificado em acreditar no próprio enganador, mas e daí? Eu não estou realmente argumentando que o enganador existe, sabia. Eu só estou argumentando que não estou justificado em acreditar no mundo externo '.

"Em contraste, o naturalista tem de afirmar premissas definidas e positivas, como a ciência funciona com êxito sem invocar qualquer coisa sobrenatural, que o progresso científico tem ocorrido, e similares. Estes são geralmente os tipos de premissas que o naturalista usará para argumentar empiricamente que o naturalismo é verdadeiro. No mínimo, o naturalista tem que acreditar em premissas como os que o mundo externo existe, que instrumentos científicos são reais, que os artigos científicos que ele lê realmente existem e descrevem experimentos reais, e assim por diante. Assim, no geral, o naturalista tem que estar comprometido com premissas muito mais definitivas e positivas do que o cético cartesiano." (Comunicação pessoal, 13 de março, 2015)

William Lane Craig