O meu Argumento para a Ressurreição de Cristo Comete uma Petição de Principio?

#416

O meu Argumento para a Ressurreição de Cristo Comete uma Petição de Principio?

Dr. Craig,

Primeiramente, obrigado por tudo que você faz pelo Reino. Seu trabalho tem me incentivado muito desde que eu me entreguei a Cristo há alguns anos atrás.

Recentemente, na edição de março da popular revista de filosofia ‘Think’, Raphael Lataster ataca seu argumento da Ressurreição de Cristo como circular. O título do artigo é "A PHILOSOPHICAL AND HISTORICAL ANALYSIS OF WILLIAM LANE CRAIG'S RESURRECTION OF JESUS ARGUMENT" [Uma análise histórica e filosófico do argumento de William Lane Craig da Ressurreição de Jesus”]. Eu sei que este argumento aparece em muitos fóruns online e é comum. Ele apresenta seu argumento da seguinte maneira:

1. Há três fatos estabelecidos sobre Jesus: A descoberta da sua tumba vazia, depois da morte, as aparições de Jesus após sua morte e a origem da crença de seus discípulos em sua ressurreição.

2. A hipótese ‘Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos’ é a melhor explicação para estes fatos.

3. A hipótese ‘Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos’’ implica que Deus existe.

4. Portanto, Deus existe.

Ele, entre outras coisas, argumenta que o argumento é circular e comete uma petição de principio já que você pressupõe a existência de Deus na premissa (2), a qual é a conclusão da (4). A premissa (2) apóia a (4), mas você apenas aceita a plausibilidade da hipótese da ressurreição devido a (4). Se Deus não existisse, então alguém não consideraria a hipótese da ressurreição como a melhor explicação. Ele argumenta que se você se refere apenas ao conceito genérico de Deus na premissa (2) e do Deus Cristão na (4), então você será culpado de cometer a falácia da ambiguidade. De qualquer forma, ele convida você a admitir uma das duas falácias.

Ele apresenta alguns outros argumentos fracos – citando os mais céticos eruditos (Carrier, Price e Avalos, por exemplo) – e defendendo (com Hume) que milagres são, por definição, implausíveis. Mas a ideia central é que o argumento da ressurreição é falacioso.

Você poderia esclarecer o que você quer dizer por ‘Deus’ em cada uma das premissas? e responder à acusação de circularidade? Lataster diz que ele está desenvolvendo uma crítica mais acadêmica para seu próximo trabalho, então seria fantástico saber sua resposta!

Bênçãos em Cristo,

Matt
Reino Unido

United Kingdom

Sem ter lido o artigo em questão, Matt, deixe-me responder a esta objeção como você afirma, já que é uma que às vezes se repete.

Eu acho que eu sou particularmente responsável por dar a aparência de apresentar um argumento que comete uma petição de principio porque eu emprego a evidência a favor da ressurreição de Jesus como um argumento para o teísmo (um argumento, em efeito, de milagres) em debates públicos sobre a existência de Deus. Este é o argumento referenciado por Lataster. Enquanto a evidência para a ressurreição de Jesus pode ser apresentada dessa maneira, tradicionalmente não é parte da teologia natural mas de evidências Cristãs. Ou seja, esse argumento não é empregado como um argumento teísta, mas como um argumento para uma versão Cristã do teísmo. Tendo provado a existência de Deus pelos argumentos da teologia natural, tais como os argumentos ontológicos, cosmológicos e teológicos, alguém recorre a uma evidência específica, como a ressurreição de Cristo, pois Deus decisivamente se revelou em Jesus. Esta é a abordagem que eu utilizo meu trabalho mais estimado, como o Reasonable Faith, capítulo 8. Mas em debates públicos eu frequentemente incluo a evidência para a ressurreição de Jesus como parte de um caso cumulativo a favor do teísmo para fins evangelísticos: Eu quero defender, não simplesmente o teísmo, mas o teísmo Cristão. Então, eu incluirei a ressurreição como parte do meu caso para teísmo, embora, em minha opinião, bem incluído lá.

Na minha apresentação preferida, não pode haver perguntas que eu cometo uma petição de principio já que não se está tentando provar o teísmo, mas o pressupor, havendo já provado a existência de Deus pelos argumentos da teologia natural. Esse procedimento de dois passos tornará muito mais fácil confiar na Hipótese da Ressurreição (HP) “Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos” como a melhor explicação, para aquelas [pessoas] que já sabem que Deus existe. Por favor, veja o desenvolvimento dessa abordagem no Reasonable Faith.

Em apresentações de debates, ainda não há falácia da petição de principio, embora será mais difícil confiar no HR como a melhor explicação, já que alguém terá que argumentar a favor da superioridade de uma explicação sobrenatural sem o benefício, a priori, do teísmo – não é impossível, mas mais difícil. (Eu tenho certeza que você pode pensar em diferentes casos onde uma explicação sobrenatural seria a única explicação razoável para um corpo de evidência.)

É absurdo alegar que “você pressupõe a existência de Deus na premissa (2), a qual é a conclusão da (4)”. O único sentido em que a existência de Deus é pressuposta na premissa (2) é que ela apresenta a explicação proposta, da mesma forma, como por exemplo, o bóson de Higgs é mencionado como sendo a melhor explicação das relevantes evidências de partículas físicas, ou como um buraco negro é mencionado como sendo a melhor explicação de uma evidência astrofísica. Alguém pode requerer uma nova entidade como parte da melhor explicação dos dados a serem explicados. Este é um procedimento comum.

Agora, ao avaliar a HR e seus concorrentes naturalistas, eu considero como critério padrão: o poder explicativo, o escopo explicativo (âmbito explicativo), a plausibilidade, de acordo com crenças aceitas, ad hoc, e ultrapassar as hipóteses dos rivais ao cumprir os critérios. Isto pode ser avaliado independentemente de o teísmo ser verdade. Você relata que eu “mas você apenas aceita a plausibilidade da hipótese da ressurreição devido a (4)”. Isto é obviamente falso, como uma leitura do meu trabalho revelará. Eu defendo a plausibilidade da HR baseada no contexto histórico religioso na qual acontece. O único critério onde teísmo se torna relevante é o ad hoc. Isso tem a ver com o número de hipóteses independentes requisitadas pela justificativa a ser avaliada. Se alguém ainda não tiver estabelecido o teísmo, então HR se torna mais ad hoc, já que se requer a hipótese que Deus existe. Mas este grau de ad-hoc não é incomum ou inaceitável e pode em qualquer caso ser compensado pela eficácia de explicações mais importantes de maior alcance e poder explicativo.

Em resumo, não há circularidade em argumentar que uma explicação miraculosa de certos dados é a melhor – embora, sua tarefa será muito mais fácil se você primeiro estabelecer o teísmo e então invocar o milagre apenas para mostrar a intervenção de Deus na história em algum ponto em atestação de uma afirmação religiosa particular.

William Lane Craig