Os Cristãos Devem Aceitar o Design Inteligente?

#420

Os Cristãos Devem Aceitar o Design Inteligente?

Dr. Craig,

Em primeiro lugar, eu aprecio tudo que você tem feito pelo Reino de Deus. Eu oro para que você continue o bom trabalho. Você é alguém que eu admiro.

Eu estou fazendo um curso de filosofia da religião e é muito fascinante para mim. Eu estou fazendo o curso porque eu estou interessado em Apologética Cristã. Um aspecto da Apologética Cristã é defender o design inteligente. Para minha surpresa, meu professor, que é um Cristão, não acredita em design inteligente (DI). Eu também queria explicar o fato de que em uma classe de astronomia que minha namora está fazendo, o professor ministrou uma aula sobre como a maioria dos Cristãos não acreditam no DI.

Como eu estou refletindo sobre por que meus professores cristãos não acreditam no DI e como um professor de astronomia ensina como a maioria dos cristãos não acreditam no DI, eu começo a questionar se eu mesmo sei o que o DI realmente é.

Eu pensei que Deus era o designer inteligente que nós estamos discutindo na Apologética cristã.

Então, minhas perguntas para você são:

1) Qual a sua definição de design inteligente?

2) O design inteligente é algo que os cristãos deveriam acreditar?

3) Se os cristãos devem acreditar no design inteligente, então por que muitas pessoas não acreditam? Elas estão apenas confusas sobre o significado de design inteligente?

Eu agradeço pelo seu tempo.

Drew
Estados Unidos

United States

Eu compreendo sua perplexidade, Drew. Em certo sentido, todos os cristãos acreditam no design inteligente, já que o Deus da Bíblia é um Criador inteligente do mundo que tinha certos fins em mente que ele pretendia realizar. Então é claro que o mundo é produto do design inteligente!

Então, se quisermos entender as declarações dos professores, nós devemos ser cuidadosos ao definir nossos termos. Sempre que alguém envolva você no tópico do design inteligente, imediatamente peça para ele definir seus termos, ou você pode ficar perdido na ambiguidade ou confusão.

Eu acho que é aconselhável colocar em letra maiúscula “Design Inteligente” (ID) com o objetivo de sinalizar que nós estamos usando as palavras em um sentido técnico, ao invés do sentido aceito por todos os cristãos. Em termos gerais, nós podemos dizer que o DI é uma teoria de inferências de design justificáveis. Ou seja, é uma teoria que procura responder a pergunta: o que nos justificar inferir que o design é a melhor explicação de algum fenômeno. É óbvio que fazemos tais inferências de design o tempo todo. Um professor que descobre que a monografia do aluno reproduz seções do Wikipédia percebe que isso não é resultado do acaso, mas de plágio deliberado. Arqueólogos ao escavar um local facilmente discernem a diferença entre os produtos de sedimentação e metamorfose e artefatos humanos. Um praieiro que se apossa de um castelo de areia reconhece que isso não é resultado da ação de ondas ou do vento mas de um design inteligente.

Algumas dessas inferências são tão óbvias que nem sequer nos ocorre de perguntar por que nós estamos justificados em fazer tais inferência para o design. Mas filosoficamente, não é trivial fornecer uma teoria do que faz uma inferência de design justificada. A teoria do Design Inteligente procura fornecer apenas tal explicação. Como uma explicação de inferências de design justificada, a teoria do Design Inteligente é de interesse para uma grande variedade de campos: por exemplo, para criptógrafos que estão tentando discernir se uma sequência de letras é apenas uma linguagem inarticulada insignificante ou uma mensagem codificada; para investigadores de cenas de crime que querem determinar se o fogo foi resultado de causas naturais ou criminal; para pesquisadores de inteligência extraterreste que estão tentando descobrir se o sinal que eles estão recebendo é apenas um ruído aleatório ou uma mensagem de uma inteligência extraterrestes, e assim por diante.

Teóricos do DI têm oferecido várias explicações do que justifica a inferência do design. Sem dúvida uma das mais sofisticadas que tem sido oferecida vem do matemático William Dembski no seu livro The Design Inference [A Inferência do Design], que apareceu numa série de monografias da editora da Universidade de Cambridge sobre Probabilidade, Indução e Teoria da Decisão. Dembski defende que uma inferência de design é justificada quando duas condições são conhecidas: primeiro, o evento a ser explicado é extraordinariamente improvável e, segundo, o evento corresponde a um dado padrão independente.

No sentido mais fundamental, então, o Design Inteligente é uma teoria de inferência de design que é aplicável a um número diverso de campos. Enquanto discordâncias possam existir ao longo de qual teoria de inferência de design é correta, essa é dificilmente o ponto no qual o Design Inteligente encontra oposição. Pelo contrário, controvérsias surgem quando a teoria do Design Inteligente é aplicada ao campo de biologia. Pois Dembski e outros teóricos do DI têm feito afirmações controversas que organismos biológicos apresentam essa combinação de alta improbabilidade e conformidade para um dado padrão independente que justifica a inferência do design inteligente. Nesse sentido, eles sustentam que nós somos cientificamente justificados em inferir que a complexidade biológica é melhor explicada pelo Design Inteligente.

Essa afirmação tem atraído a ira do estabelecimento científico sobre os teóricos do DI. Alguns, como Richard Dawkins, rejeitam o Design Inteligente por motivos anti-metafísico ou anti-reliogoso. Eles acreditam que o DI é somente religião mascarada como ciência. Mas teóricos do DI têm insistido repetidamente que a inferência do design não é uma inferência ao teísmo, mas meramente alguma espécie agência inteligente. Esta negação não é, eu acho, falsa desde que eles não afirmam serem capazes de inferir tais qualidades como a bondade ou eternidade do designer, o que deixa a porta aberta para outros agentes inteligentes como responsáveis pelo design biológico. Ironicamente, Dawkins, na verdade, concorda com o princípio mais fundamental da teoria do Design Inteligente: (i) que o Design Inteligente é uma hipótese científica que deve ser avaliada como tal, (ii) que é ilegítimo excluir a priori da fila de hipóteses de opções explicativas que apelam para causas final ou mesmo seres supernaturais, e (iii) que a inferência do design não deve ser equiparada a uma inferência do teísmo. É notável que alguém que é tão dogmaticamente dedicado ao Darwinismo e tão derrisório com respeito a crença religiosa deva apesar de tudo encontrar ele mesmo dando tanto suporte a algum dos princípios centrais do DI. Se você assistiu ao filme “Expelled”, você talvez lembre da entrevista na qual Dawkins mostra-se disposto, se necessário, a apoiar uma inferência ao Design Inteligente, contanto que os designers sejam criaturas extraterrestres que sejam eles mesmos produtos de um processo evolucionário sem design. O que ele não apoiará, por motivos filosóficos, é qualquer tipo de inteligência supernatural. Isto permanece uma inferência ao Design Inteligente. O que se segue é que o DI não é criacionismo religioso mascarado como ciência.

Obviamente, teístas, que acreditam em um designer inteligente do universo, talvez não estejam a par de todos os princípios do DI. Minha reserva maior, por exemplo, é a alegação de que a inferência a um designer é admitida a constituir uma teoria científica. Como um filósofo, tendo a pensar que tal inferência é filosófica ou metafísica ao invés de parte de uma nova teoria científica, rival. Eu concordo com o filósofo Brad Monton, quando ele escreve,

Uma das principais linhas de ataque contra o design inteligente é argumentar que o design inteligente não é ciência. Mesmo eu sendo um ateu, eu gostaria de defender o design inteligente tomando a parte nessa questão dessa linha de ataque. Ultimamente, o que nós realmente queremos saber não é se o design inteligente é ciência – o que nós realmente queremos saber é se o design inteligente é verdade. Nó poderíamos, se quiséssemos, concordar com [...] Jones julga que o design inteligente não é ciência. Mas se acontecer que o design inteligente é verdade, o fato de que não é ciência realmente importaria [...]? (Brad Monton, Seeking God in Science [Procurando Deus na Ciência], pg 53-4).

Da minha parte, é uma questão relativa se você classifica uma inferência do design em biologia como ciência ou filosofia. A questão importante é se tal inferência é justificada. Isso não pode ser decido por meros rótulos.

Então em resposta a suas perguntas:

1) Qual a sua definição de design inteligente? Esta não é a pergunta correta. Nós precisamos deixar os teóricos do DI responderem por eles mesmos e não impor nossos significados nas declarações deles. Isso não é parte do nosso problema! Eu tentei explicar acima o que eles querem dizer por Design Inteligente.

2) O design inteligente é algo que os cristãos deveriam acreditar? Certamente, os cristãos devem acreditar no design inteligente (letra minúscula), já que nós acreditamos em um Deus providente que tem planos para este mundo que Ele criou. Mas a crença no DI como teoria não é obrigatória. Deve-se avaliar o caso que os teóricos do DI fazer e então decidir se adotar tudo, alguns, ou nada dos princípios do DI, especialmente em aplicação a biologia.

3) Se os cristãos devem acreditar no design inteligente, então por que muitas pessoas não acreditam? Elas estão apenas confusas sobre o significado de design inteligente? Claro, há uma grande confusão sobre o DI. Algumas pessoas erradamente a consideram ser uma religião ou alguma forma de criacionismo. Por outro lado, como explicado acima, alguém pode ser um defensor entusiasta dos argumentos do design da natureza sem abraçar todos os princípios do DI. Então, você precisa perguntar as pessoas que condenam o DI, “exatamente quais princípios do DI você rejeita?” Isso irá logo te mostrar se eles sabem do que estão falando!

William Lane Craig