Por que o cristianismo em vez do judaísmo ou o islamismo?

#421

Por que o cristianismo em vez do judaísmo ou o islamismo?

Olá Dr. Craig,

Eu sempre quis saber sobre a sua afirmação de que o cristianismo é a única religião verdadeira (com base na evidência histórica, como você diz). Mas como você pode ter tanta certeza quando os eruditos islâmicos e judeus fazem a mesma reivindicação?

Como um ex-ateu quem agora é um agnóstico, a questão de qual religião [devo] escolher é essencial. Eu estou muito bem familiarizado com a teologia islâmica e é contrária à afirmação que você faz. O islã afirma que os cristãos, judeus e muçulmanos adoram o mesmo Deus ("Alá" não é um deus especial para os muçulmanos, mas é o termo para “deus” em árabe).

Então, qual é a sua posição sobre o islã? (E eu realmente gostaria de saber de quem você obtém sua informação sobre a teologia islâmica).

Também gostaria de investir algum tempo na teologia cristã, você seria tão amável de recomendar alguns livros introdutórios?

Obrigado,

Sultan

Estados Unidos

United States

Sultan: A resposta curta à sua pergunta de por que o cristianismo, em vez, do islamismo ou o judaísmo: é Jesus de Nazaré. Enquanto o judaísmo, cristianismo e islamismo são as três grandes religiões monoteístas do mundo [e estão] geneticamente relacionadas e, por isso, têm muito em comum, mas o que as divide é o relato delas sobre Jesus. Eu acho que nem o judaísmo nem o Islã dá um relato histórico satisfatório sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré.

Meu interesse no pensamento islâmico foi causado por meu estudo da história do chamado “argumento cosmológico kalam”, especialmente o desenvolvimento que fizeram os teólogos muçulmanos medievais como al-Ghazali. De fato, foi devido à contribuição deles para o desenvolvimento do argumento que eu denomino esta versão do argumento “o argumento cosmológico kalam” ("kalam" sendo, como talvez você já sabe, o termo árabe para a doutrina islâmica). A versão deste argumento remonta-se à era cristã pré-islâmica. Você pode ler sobre a contribuição deles para esta e outras formas do argumento cosmológico no meu livro [em inglês] “The Cosmological Argument from Plato to Leibniz” [O argumento cosmológico de Platão a Leibniz] (London: Macmillan, 1980).

Dessa forma, meu interesse pelo islã despertou e eu escolhi o islã como uma das minhas duas áreas de especialização sobre as quais fui testado para o meu doutorado em teologia na Universidade de Munique. Tanto os ensinos do Alcorão como a história dogmática da teologia islâmica tornaram-se temas de fascinação para mim. Eu nunca sonhei naquela época que algum dia eu teria o privilégio de debater apologistas muçulmanos em os Estados Unidos, Canadá e África do Sul e de dar palestras sobre o islã e o cristianismo, não só na América do Norte e Europa, mas mesmo em universidades muçulmanas na Turquia e Tunísia.

Enquanto você está certamente correto que "Alá" é apenas a palavra árabe para Deus (a qual é usada até mesmo no Novo Testamento árabe), não deduz-se, Sultan, a partir do vocabulário ou das palavras que têm em comum, que os muçulmanos e os cristãos têm o mesmo conceito de Deus. Nenhum muçulmano admitiria que Deus é uma Trindade de pessoas, como os cristãos acreditam e, como você deve saber, o Alcorão condena ao inferno aqueles que afirmam que Jesus é o Filho de Deus, como nós os cristãos acreditamos (V.70).[1] Da mesma forma, eu tenho argumentado que o caráter do Deus do Novo Testamento é fundamentalmente diferente do caráter do Deus do Alcorão. O Deus do Novo Testamento ama os incrédulos com um amor que é incondicional e universal (Mateus 5.43-48), enquanto que o Deus do Alcorão não tem amor para os incrédulos, mas ama só aqueles que são fiéis muçulmanos (III.25; XIX .95).

Mas o verdadeiro calcanhar de Aquiles do islã é sua representação do Jesus histórico. É irônico que o Alcorão opta por negar o fato melhor estabelecido sobre Jesus, ou seja, a sua crucificação (IV.157). Não somente não existe nenhuma sombra de evidência a favor dessa hipótese incrível, mas as evidências que comprovam a crucificação de Jesus são, como afirma o erudito do Novo Testamento da Universidade de Emory, L. T. Johnson, "esmagadoras" (The Real Jesus [San Francisco: Harper San Francisco, 1996], p. 125). Paula Frederickson, cujo livro “From Jesus to Christ” [De Jesus a Cristo] serviu de inspiração ao homônimo especial da estação de televisão PBS com o mesmo nome, declara: "A crucificação é o fato particular mais forte que temos sobre Jesus" (encontro anual da Society of Biblical Literature, 22 de novembro, 1999). A crucificação de Jesus é reconhecida até mesmo pelos críticos céticos do Jesus Seminar [Seminário Jesus] como—para citar Robert Funk—"um fato indiscutível" (vídeo do Jesus Seminar).

Quando pensamos que o Alcorão foi escrito por um homem que vivia na Arábia 600 anos depois de Jesus com nenhuma fonte independente de informação sobre ele, realmente não é tão surpreendente ver que sua visão de Jesus fora distorcida. Qualquer outra coisa mais que se pode dizer sobre o islã, sua visão de Jesus é errônea, e portanto, essa religião não pode ser verdadeira. Há materiais bons neste site sobre o islã e o cristianismo; por exemplo, www.reasonablefaith.org/who-is-the-real-jesus-the-jesus-of-the-bible-or-the-jesus-of-the-quran, www.reasonablefaith.org/media/craig-vs-ally-canada, www.reasonablefaith.org/media/craig-vs-badawi-university-of-illinois

Quanto ao judaísmo, mais uma vez, eu deveria dizer que a consideração decisiva é a reivindicações de Jesus de ser o Messias judeu e sua ressurreição subseqüente dentre os mortos. Eruditos judeus estão começando a reconhecer os fatos históricos que apoiam a ressurreição de Jesus e estão pressionados para explicar esses fatos independentemente da ressurreição. Na verdade, um deles, o falecido Pinchas Lapide a quem ouvi dar uma palestra na Universidade de Munique, declarou-se convencido de que o Deus de Israel ressuscitou Jesus de Nazaré dos mortos. Ele também pensava que Jesus acreditava ser o Messias. Como o professor Dr. Wolfhart Pannenberg, meu Doktorvater, pensou na época, Lapide parecia estranhamente incapaz de ligar os pontos. Se você está interessado em ver como um erudito judeu responde à evidência, pode dar uma olhada no meu debate com Peter Zaas, “Who Was Jesus?” [Quem era Jesus?], Ed. Craig Evans e Paul Copan [Louisville, Kent: Westminster-John Knox Press, 2002]).

Você faz a pergunta: "Mas como você pode ter tanta certeza quando os eruditos islâmicos e judeus fazem a mesma reivindicação?” Bem, [posso ter tanta certeza] porque eles não podem explicar as evidências referentes a Jesus e ao cristianismo. Eu convido você só a olhar os recursos que mencionei e a julgar por si mesmo. Para saber mais sobre a teologia cristã, eu recomendo ler “Know the Truth” [Conheça a verdade] 3ª ed. (Downers Grove, Il: Inter-Varsity, 2009) ou as minhas próprias palestras sobre a doutrina cristã em www.reasonablefaith.org/defenders-2-podcast [em inglês].

Notas:



[1] Versículos do Alcorão numerados de acordo com a tradução Arberry.

William Lane Craig