O Argumento da “Sintonia Fina” incorre em uma petição de princípio?

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O Argumento da “Sintonia Fina” incorre em uma petição de princípio?

Caro William Lane Craig,

Eu sou um filosoficamente antipático fã de você. Eu admiro muito seu aprendizado filosófico, sua habilidade retórica e sua ingenuidade em defesa de sua fé. Ao mesmo tempo, eu rejeito ambos sua fé e o projeto apologético centro de seu trabalho em filosofia. Eu tenho certeza que esta é uma combinação que você já está familiarizado.

O que me interessa no momento está relacionado com seu recente podcast sobre Tim Maudlin e o argumento da sintonia fina, e eu espero que você não se importe em considerar esses pequenos comentários.

Você afirma em seu podcast que “a sintonia fina das condições iniciais do requisito do universo para vida humana” não é, em primeira instância, um fato sobre as intenções de Deus, é simplesmente um relatório neutro de probabilidades. Você insiste que o argumento da sintonia fina tem duas fases: uma determinação sobre fatos e probabilidades (sintonia fina propriamente falando), seguido por uma inferência para a melhor explicação (Deus). Mas eu acho isso muito incrível. Tanto conotativamente como denotativamente falando, o próprio conceito de sintonia fina é inerentemente sobre fins ou intenções. Começando com o conotativo, “sintonia fina” é claramente uma metáfora dos campos da atividade humano como música ou engenharia. (Um dicionário etimológico online especificamente fala sobre rádios feito nos anos 1920.) Qualquer que seja a trajetória etimológica, cordas de violino, motor de carro ou máquinas de fábricas não “sintonizam finamente” elas mesmas, elas são “sintonizadas” por humanos com propósitos particulares em mente. O termo aqui fortemente conota a ação de uma mão guia em um contexto de (humano) de determinação.

Além do mais, o conceito de sintonia fina no sentido no qual cristãos apologistas usam tem a noção de uma “causa final” Aristotélica construída desde de seu início. Não é simplesmente verificar dados de valores neutro ou probabilidades. Isto é fácil de ver se você considerar que tudo que ocorre no mundo natural é, em algum cálculo, impossivelmente improvável. Todo evento é produto de um trem probabilisticamente fantástico de eventos anteriores – uma ideia que informa, digamos, o “efeito borboleta” na estória de Ray Bradbury. Sair de “dada a faixa de probabilidades, um universo como o nosso é muito improvável” para “nosso universo tem uma sintonia fina para ser como é”, envolve julgamento de valor explícito ou oculto sobre por que o nosso universo é algo que alguém (ou coisa) desejaria ou deveria desejar, em primeiro lugar. “Sintonia fina” é sobre probabilidades referente a *específicos desejos*, estejam estes explícitos ou não. Um rádio é apenas sintonizado a estação que eu gosto de escutar se é, de fato, aquela que eu gosto de escutar. Caso contrário, o rádio simplesmente aterrissou em qualquer estação, ponto final. Não é diferente, claro, para as condições iniciais do universo e a hospitalidade deles para “seres inteligentes incorporados”. Em ambos os casos, a sintonia fina é apenas sintonia fina se é “para” alguma coisa; ou seja, teológico.

Para ser franco, isso me frustra ao você argumentar dessa forma.

Claro, eu entendo por que você argumenta contra isso: porque as implicações neo-aristotélicas da sintonia fina são o que entrega o jogo. Elas são o que nos fala que o “argumento da sintonia fina” – em meu ponto de vista, como muitos outros argumentos teístas – é simplesmente uma questão de apelar para a escala cósmica.

Se você tiver tempo e inclinação, eu amaria receber uma resposta. Eu estou aberto a ver o porquê o que eu escrevi aqui está incorreto.

Respeitosamente,

Matt

Germany

Eu realmente acho que eu tenho muitos “antipáticos fãs”, como você coloca, Matt, e eu devo dizer que estou genuinamente emocionado por esse fato! E vejo que você é da Alemanha. Eu espero que você seja capaz de participar do meu debate “Gibt es Gott?” com o Prof. Dr. Ansgar Beckermann em Munique, dia 29 de Outubro. Nós estaremos discutindo, entre outras coisas, o argumento da sintonia fina para um Designer cósmico.

Corretamente entendido, o termo “sintonia fina” é um termo neutro e é portanto comumente usado em discussões cosmológicas, até mesmo por aquele que não acham que o universo seja produto de design. Caso contrário, aqueles, como Beckermann, que atribuem a sintonia fina do universo ao puro acaso, seriam culpados de incoerência. Similarmente, aqueles que atribuem a sintonia fina a necessidade física seriam auto referenciados incoerentes. No entanto, aquelas são opções vivas para explicar a sintonia fina observada, como é design.

A “Sintonia Fina” com respeito as constantes e quantidades fundamentais da natureza significa que pequenos desvios dos valores reais das constantes e quantidades em questão produziriam um universo que proibiria a vida, ou alternativamente, que os valores da faixa que permitisse vida são perfeitamente estreitos em comparação com a faixa de valores assumíveis.

Agora eu concordo com você que a “sintonia fina” tem conotações de design. Mas você precisa reconhecer que cientistas frequentemente usam termos que têm conotação que são contrárias ao significado técnico de tais expressões e são, portanto, grosseiramente desentendidas pelo leigo. Um exemplo notório é o “Bing Bang”, o qual carrega conotações de uma explosão, da mesma forma termos como “buraco negro”, “cores” e “sabores” de quarks, mutações “aleatórias” na teoria da evolução, e assim por diante. Alguns desses termos são publicamente metafóricos. Tomar tais termos literalmente é um erro.

Usado denotativamente, a “sintonia fina” refere-se a propriedade na qual as constantes e quantidades fundamentais da natureza estarem na faixa que permite a vida. O argumento não se refere a elas sendo projetadas. Para inferir o design como a melhor explicação da sintonia fina, alguém tem que argumentar contra as explicações do acaso e necessidade física. Para inferir que o universo foi projetado para o homem exigiria ainda mais argumentos e não é parte do argumento da sintonia fina, já que não fazemos ideia de quais outras formas de interação incorporaram vida no universo que o Designer pode ter tido em mente ao projetar os cosmos.

Portanto, a sintonia fina não inclui a noção aristotélica de causalidade final. Aqueles que atribuem a sintonia final ao acaso negam que as constantes e quantidades fundamentais da natureza caem em uma incompreensivelmente estreita faixa de valores que permite a vida – essa seria a afirmação daqueles poucos cientistas que pensam que o universo não é finamente sintonizado – mas pelo contrário, eles negam uma causa final da sintonia fina. Este, de fato, parece ser sua própria sugestão. Você tiraria a sintonia fina dizendo que qualquer que sejam os valores das constantes e quantidades, elas são todas igualmente improváveis. Isso apenas explica a sintonia fina pela hipótese do acaso. O proponente da hipótese do design terá de combater explicando, por exemplo, que não é apenas a alta improbabilidade que nos jogam para o design, mas a alta improbabilidade mais a conformidade com um determinado padrão independentemente.

Agora, há uma meia verdade, Matt, no que você diz:

Sair de “dada a faixa de probabilidades, um universo como o nosso é muito improvável” para “nosso universo tem uma sintonia fina para ser como é”, envolve julgamento de valor explícito ou oculto sobre por que o nosso universo é algo que alguém (ou coisa) desejaria ou deveria desejar, em primeiro lugar. “Sintonia fina” é sobre probabilidades referente a *específicos desejos*, estejam estes explícitos ou não.

O proponente do design não “sai” de uma declaração para a outra; pelo contrário, o significado da segunda declaração é dado pela primeira. Dizer que o universo é finamente sintonizado para ser da forma como é apenas diz que dada a faixa de valores assumíveis, um universo que permita vida é bastante improvável. Alguém poderia com igual justiça dizer que o universo é finamente sintonizado para a existência de zebras ou vermes. Alguém poderia verdadeiramente dizer que o universo é finamente sintonizado para a existência de planetas. Para que tais coisas existam, as constantes e quantidades fundamentais da natureza devem cair numa faixa de valores extremamente estreita.

A verdade no você diz é que nós provavelmente não nos importaríamos que o universo é finamente sintonizado para a existência de planetas ou vermes. Mas quando nós aprendemos que é finamente sintonizado para a nossa existência, é algo que nos interessa. Porque nossas vidas são algo que nós valorizamos e desejamos, o fato de que o universo é finamente sintonizado para a nossa existência evoca um interesse que a sintonia fina do universo para ver não. Então nós imaginamos por que é tão finamente sintonizado.

Esta verdade não faz uso ilícito de teleologia para o significado da sintonia fina. Não confunda ser relativo a algo com ser para algo, Matt. Claro que a sintonia fina é relativa a algo: vida incorporada consciente, vermes, planetas, etc. Há algumas características do universo relativas ao que seja finamente sintonizado; mas isso não implica que foi para o propósito dessas características. O universo é finamente sintonizado para vermes, mas isso não implica que ele foi criado para o propósito dos vermes.

Você está completamente equivocado ao tentar adivinhar meus motivos para dizer o que eu digo. O meu é o uso padrão na literatura. Depois de tudo, se o termo “sintonia fina” realmente fosse uma petição de princípio, como você acha, então alguém poderia apenas desistir desse termo e adotar outro termo como “improvável permissão vida”. Então, alguém poderia prosseguir para inquerir como a melhor explicação para esse fato.

William Lane Craig