Subordinação de Deus o Filho ao Pai

#426

Subordinação de Deus o Filho ao Pai

Eu passei os últimos 8 anos frequentando uma igreja do unitarismo. No entanto, depois de escutar suas aulas da série Defenders [Defensores], como também aos ensinamentos da trindade do Dr. David Pawson, estou convencido que a teologia do unitarismo é uma heresia. A maioria das minhas perguntas relacionadas aos Trinitarianos tem sido respondida e a teologia está começando a fazer muito sentido quando eu escuto os seus ensinamentos e de Pawson. Uma questão que está sendo difícil entender é o Pai, o Filho e o Espírito Santo sendo co-iguais como você ensina nas suas aulas do Defenders.

Se este é o caso, o que os Trinitarianos fazem com 1 Coríntios 15:20-28? Jesus está subordinado ao Pai ou co-igual? Este verso parece inferir que Jesus será subordinado ao Pai no final. Dr. David Pawson parece ensinar que Jesus foi eternamente o filho e será subordinado ao Pai. Pawson ensina que Jesus sempre foi o filho e que Deus amou tanto seu filho que Ele criou a raça humana para que Ele tivesse mais [filhos], isto não é verdadeiro no seu ponto de vista/visão? Você parece dizer, embora, que você acredita que o Pai, o Filho, e o Espírito Santo são todos co-iguais, não apenas igualmente Deus, mas iguais em posição. Meu antigo pastor, que era um teólogo do unitarismo ensina que isto significa que Jesus foi um da mesma forma ou igual com Deus o Pai e apenas uma maneira a parte que Deus tem e é usado por um tempo. Eu acho que a terceira opção é heresia, mas eu estou curioso para saber o que você pensa sobre as opções listadas e quais alternativas você pode oferecer.

Philip
Estados Unidos

Rwanda

Eu estou muito feliz que você conseguiu livrar-se dessa heresia do unitarismo, Philip! O modalismo do seu ex-pastor não pode fazer sentido hajam as interações terrestres de Jesus com o Pai Celestial, visto que ele certamente não estava falando com ele mesmo!

Então, como Trinitarianos devem entender 1 Coríntios 15:20-28?

Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda. Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

O verso 28 claramente declara que o Filho será sujeito a Deus o Pai. Embora eu não conheça Dr. Pawson, pelo que você disse, parece que ele segue o ponto de vista dado por status do credo no Concílio de Niceia (325), em que o Filho é eternamente gerado do Pai e então procede do Pai, como um raio de sol procede do sol. Nesse sentido, o Filho é sempre subordinado ao Pai, e então a renúncia do seu Reino para o Pai não representa nada novo. (Deixe de lado o curioso ponto de vista de que “Deus amou tanto ter um filho que Ele criou a raça humano para que Ele tivesse mais filhos.”). Neste entendimento tradicional, Deus o Pai é a fonte Deus o Filho e Deus o Espírito Santo.

Suponha que nós não adotamos a doutrina tradicional da procissão do Pai com respeito a sua natureza divina, mas trate as pessoas divinas como três membros não derivados da Trindade. Até mesmo nesse ponto de vista, nós devemos querer distinguir entre o que é chamado a Trindade ontológica e a Trindade econômica. A Trindade ontológica diz respeito a Deus como Ele está nele mesmo, não relacionado com o mundo, enquanto a Trindade econômica diz respeito a Deus como Ele encontra-se em relação as criaturas. Ontologicamente, as três pessoas, sendo não derivadas e perfeitamente iguais, não estão em qualquer relação de subordinação. Mas em relação a criaturas, pelo bem da nossa salvação, a segunda pessoa da Trindade se submete a primeira, tomando uma natureza humana, e a terceira age no lugar da segunda, continuando o mistério do Filho entre a ascensão e o retorno. Então, na Trindade econômica há relações de subordinação entre as pessoas da Trindade.

O que é importante entender é que a subordinação não implica inferioridade. O Filho e o Pai são, cada aspecto, co-iguais, mas fora do amor por nós e pelo bem de nossa salvação, o Filho se submete ao Pai. A Trindade assim fornece um lindo modelo de família, no qual a esposa, embora co-igual a seu marido, de boa vontade submete-se a ele. Feministas que negam tal submissão, em razão da desigualdade, têm falhado ao entender que submissão funcional não precisa surgir de inferioridade, mas pode ser a escolha entre iguais por causa de algum objetivo primordial.

Em 1 Coríntios 15:20-28, é importante ressaltar também que é o Filho encarnado que está em discussão. Como o Filho do Homem, Jesus recebe toda a autoridade e poder sobre o mundo (Daniel 7.14). Mas na consumação dos séculos, o próprio filho renuncia o Reino e se sujeita ao Pai. Como homem, Cristo deve ser subordinado a Deus, desde que sua natureza humana não é divina mas parte da criação.

William Lane Craig