Perguntas sobre Tempo e a Origem do Universo

#428

Perguntas sobre Tempo e a Origem do Universo

Dr. Craig,

Meu nome é Tejas e tenho 13 anos de idade. Eu admiro você e tenho assistido muitos dos seus debates. Eu sinceramente peço que você responda esta pergunta, e agradeço pelo seu tempo para ler isto.

Minha pergunta está relacionada ao Argumento Cosmológico Kalam, que eu tenho visto você apresentar em alguns debates. A primeira parte é: é a premissa inicial sobre a causalidade que refuta sobre se a hipótese da energia zero do universo é verdadeira, e qual seriam as falhas se o universo fosse uma flutuação no vácuo? E com relação à segunda premissa, você poderia, por favor, me dizer por que você acha que o presentismo ontológico do tempo é verdadeiro?

Eu lhe agradeço muito e peço desculpa se há algum aparente desrespeito na pergunta. Por favor, responda esta pergunta.

Muito obrigado,

Saudações,

Tejas
Índia

India

Preciso eu dizer o quão impressionado estou, Tejas, de que alguém tão jovem esteja interagindo com questões tão difíceis?

Sua primeira pergunta diz respeito a possibilidade de que a energia positiva associada com a matéria pode ser exatamente contra-balanceada com a energia negativa associada com a gravidade, de modo que na balança a energia líquida do universo é zero. Na Pergunta # 389, eu lido com esta hipótese à medida que isto implica a finitude do passado.

Sua pergunta é de como tal hipótese afeta a premissa causal do argumento cosmológico kalam. Eu tenho escutado cientistas dizerem que se a energia líquida do universo é zero, então o universo não precisa ter uma causa para começar a existir porque o nada realmente existe, de modo que nós não temos o absurdo de alguma coisa vindo do nada.

Esta tentativa de extrair implicações metafísicas da hipótese da energia líquida zero é uma piada de mau gosto. É como dizer que se suas dívidas e seus bens anularem-se uns aos outros de modo que o valor líquido é zero, então não há uma causa para a sua atual situação financeira. A sugestão de que o nada existe é um absurdo. Não apenas eu inegavelmente existo, mas de acordo com essa hipótese as energias positivas e negativas existem. Como Christopher Isham, cosmólogo quântico premier da Grã-Bretanha, explica, ainda é necessário que haja uma “semeadura ôntica” [ontic seeding] para criar a energia positivo e negativo em primeiro lugar.[1]

Quanto aos modelos de flutuação do vácuo do universo, você encontrará isto discutido no Reasonable Faith, 3rd ed. (Crossway, 2008), pg. 131-132. A falha fundamental desses modelos foi que o vácuo quântico, caso fora eterno no passado, seria eventualmente preenchido com universos formados da flutuação, os quais colidiriam e se fundiriam de modo que nós deveríamos estar observando um universo infinitamente velho, não um relativamente novo.

Quanto ao presentismo, eu me prendo a ele porque eu acho que é a mais coerente teoria flexiva do tempo que existe. O presentismo mantém que as únicas entidades temporais que existem são as presentes. Presentismo é uma versão de uma teoria flexiva do tempo. Eu endosso uma teoria flexiva do tempo. Ou seja, baseado no indispensável do tempo flexivo que vem do pensamento e do discurso humano, e nossa experiência do presente, sem mencionar os graves problemas das visões aflexivas, eu acho que existe uma diferença objetiva entre passado, presente e futuro e que o tornar-se temporal [temporal becomig] é um recurso real e objetivo da realidade. Dada uma visão flexiva do tempo, a pergunta então se torna: quais dais teorias flexivas do tempo faz mais sentido? Eu argumento em Time and Eternity [Tempo e eternidade] (Crossway, 2001) que apenas o presentismo evita a incoerência conhecida como Parodoxo de McTaggart e é, portanto, uma visão superior.

Notas



[1] Christopher Isham, “Quantum Cosmology and the Origin of the Universe,” palestra apresentada na conferência “Cosmos and Creation,” Cambridge University, 14 de Julho de 1994.

William Lane Craig