A Chave para um Debate Bem-Sucedido

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A Chave para um Debate Bem-Sucedido

Caro Dr. Craig,

Você foi o primeiro apologista cristão com quem me deparei quando eu estava pesquisando uma resposta crível do cristianismo para o Ateísmo e Islamismo em 2002. Desde então eu tenho seguido você através de diferentes meios na internet. Que Deus o abençoe por trazer a verdade cristã com precisão e clareza e com tantos nuances necessários.

Eu estava reassistindo ao seu debate com Dr. Richard Carrier sobre a Ressureição de Jesus. Eu realmente não lembro de ninguém desmontando o caso dele como você fez. Então eu me perguntei como você se prepara para um debate? A maioria dos palestrantes são bons nos seus discursos de abertura, mas são ruins durante as refutações, falha que você parece ser imune. Você também prepara as refutações antes de seus debates? Se sim, como você faz isso desde que você possivelmente não pode saber o que oponente diria?

Eu realmente apreciaria se você pudesse compartilhar comigo um pouco de sua sabedoria sobre como se preparar e fazer um bom debate pelo amor ao Reino.

Obrigado pelo seu ministério para o corpo de Cristo. Que Deus te abençoe ricamente até o Seu advento abençoado.

Ao serviço do mestre,

E. G.

Rwanda

Rwanda

Quão encorajador receber uma carta de Rwanda, E. G.! Obrigado por compartilhar conosco e por suas gentis palavras!

Eu acredito que a preparação é a chave para um debate bem-sucedido. Meu objetivo é estar tão bem preparado que eu não tenha que pensar tudo na hora. Isto é alcançado pensando-se antecipadamente todas as objeções que o oponente pode levantar em relação a algum argumento e então preparando-se respostas a essas objeções. Qualquer objeção que ele trouxer, você está, portanto, preparado.

No caso de Richard Carrier, eu tive a vantagem de que ele tinha uma infinidade de publicações detalhando suas objeções a historicidade da ressurreição de Jesus, de forma que eu não precisei meramente conjecturar suas objeções, mas sabia quais elas eram a partir da leitura de seus trabalhos. O desafio que eu encarei neste debate foi que eu tinha muito mais material em resposta do que o tempo me permitia compartilhar. Então, foi uma questão de selecionar minhas respostas para atingir o máximo de pontos possível nos curtos discursos de refutação.

Uma coisa que ficou clara para mim durante minha preparação é que enquanto Richard é um ótimo bibliográfico, ele é um caso perdido como um exegeta. Eu amo a caracterização de Michael Licona da exegese de Carrier: “É uma câmara de tortura na qual textos são esticados até que eles são feitos para dizer o que Richard quer que eles digam”. Assim como a infeliz vítima de uma cremalheira de tortura medieval é esticada até que ela diga o que seus inquisidores querem que ela diga, assim os textos bíblicos são esticados até que eles gritem a visão de Carrier. Suas esticadas interpretações dos textos Paulinos são tão ultrajantes que eles merecem minha denominação “exegese de manivela”. Eu queria que nosso público visse claramente este ponto e, portanto, eu preparei minhas refutações com isto em mente.

Algumas vezes alguém tem uma ótima ideia do que o oponente provavelmente dirá e assim pode preparar slides de powerpoint para acompanhar, não só o discurso de abertura, mas também os discursos de refutação, assim como eu fiz para os debates com Bart Ehrman e Alex Rosenberg. O debate mais difícil para se preparar, pelo contrário, é aquele com um oponente que não publicou muito sobre o tema, de modo que resta conjecturar e se preparar para tudo.

Na minha experiência, meus oponentes muitas vezes não se preparam para nossos debates. Antes de um debate, em um esforço para ter uma conversa com meu oponente, eu mencionei a ele que gostei de ler o seu livro em preparação para o nosso debate. Ele olhou para mim e riu, “Você se preparou para isso? ” Rapidamente ficou evidente que ele não tinha.

Meus oponentes frequentemente parecem pensar que os argumentos banais da Filosofia 101 (básica) bastam para despachar argumentos teístas. Eles parecem ter pouco conhecimento da revolução que ocorreu na filosofia cristã ao longo da metade do século passado e assim falham para apreciar quão sofisticados os argumentos dos filósofos cristãos se tornaram. Como resultado, eles estão frequentemente mal preparados para se envolver em uma discussão de tais assuntos.

Obviamente, há muitos outros fatores que são cruciais para um debate bem-sucedido. Mas uma preparação minuciosa é o mais importante. Qualquer um que aspira a debater como um ministério cristão deve estar disposto a dedicar longas horas e trabalho duro de preparação.

William Lane Craig