A Vida de Deus é um Absurdo?

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A Vida de Deus é um Absurdo?

Caro Doutor Craig,

Eu recentemente me encontrei em um dilema teológico, o qual, para ser perfeitamente honesto, acho meio que assustador. Estou ansioso para sua análise:

Eu não quero dizer ou mesmo pensar que a existência de Deus possa ser sem propósito, mas eu estou tendo dificuldade em não chegar a essa conclusão. Considere: propósitos não existem neles mesmos. Propósitos dependem de um fator externo, ou julgamento. O propósito de uma árvore existe na mera existência dessa árvore? Não. O propósito de uma árvore apenas se torna conhecido depois de se observar a árvore com várias outras coisas, por exemplo, um ninho de passarinho nos seus ramos, a sombra que ela fornece num dia quente de verão.

Portanto, segue-se que para alguém afirmar um /propósito/ para Deus implica que exista algo fora de Deus, fazendo assim Deus de Deus.

Porque nós sabemos que propósitos devem ser externo aos objetos de seus objetos, é impossível para nós dizermos então que há um propósito ou razão para a existência de Deus? Nós temos nos perguntado ‘Por que tudo existe de alguma forma’, mas, por que Deus existe de alguma forma?

Eu posso encontrar uma razão para a nossa existência, (em Deus), mas qual é a razão para a existência Dele? Nós? A dependência de Deus sobre nós não nos tornaria o ser superior/necessário? Parece errado dizer que o ser de Deus é sem propósito, mas eu não consigo evitar esta conclusão.

Qualquer conhecimento que você possa compartilhar seria muito apreciado.

Obrigado,

JCD

Estados Unidos

United States

É um prazer receber sua pergunta, JCD, porque eu acredito que a resposta a ela ajudará a magnificar seu conceito de Deus.

Eu tenho argumentado que sem Deus a vida humana é absurda, isto é, ultimamente sem significado, sem valor e sem propósito. Por outro lado, se Deus existe, então Ele é a base pela afirmação de significado objetivo, valor e propósito para a existência humana. Nosso fim é encontrado em ter conhecimento de Deus, o que é um bem incomensurável.

Agora isso levanta a questão óbvia: e o Próprio Deus? Para que fim Ele existe? Como você certamente disse, nada externo a Deus jamais poderia fornecer uma base para o significado, valor e propósito de Sua vida.

A resposta é obviamente não é a conclusão absurda que a vida de Deus é portanto sem significado, sem valor e sem propósito. Ao invés disso, a resposta deve ser que o fim de Deus é Ele Próprio. Como Tómas de Aquino certamente viu, Deus é o summum bonum, o Bem maior, a Bondade em si. Da mesma forma como nossas vontades são corretamente dirigidas ao Bem Maior, assim também Deus deseja Ele Próprio como o Bem Maior. Não poderia ser de outra forma, nada menos seria idolatria.

Assim, quando alguém chega ao Bem Maior, seu princípio de que “propósitos não existem neles mesmos” falha. Enquanto é verdadeiro que para bens finitos “Propósitos dependem de um fator externo”, este não é o caso para um Bem infinito. O fim de Deus é o mesmo que o nosso: Deus Próprio, o paradigma da bondade.

A maravilha é que um ser tão autossuficiente condescende para criar pessoas finitas como nós que são convidadas a participar nesta bondade divina como filhos de Deus. É a maravilhosa graça de Deus manifestada em nossa direção.

Incrível, não é?

William Lane Craig