Nominalismo e Lei Natural

#437

Nominalismo e Lei Natural

Oi Dr Craig.

Eu tenho escutado você dizer, sobre o tema do casamento, que você é um “essencialista” sobre a natureza do casamento – que o casamento tem uma certa natureza intrínseca que não é meramente uma construção social. Como um teórico da lei natural que pensa que a lei moral é fundamentada no que é ser humano, isto me satisfaz imensamente. Por outro lado, você também é bem conhecido pelo seu nominalismo no tópico de objetos abstratos, que eu considero ser a negação que existam universais reais em qualquer sentido (Aristotélico ou Platônico). Minha pergunta é como essas posições podem ser feitas consistentes.

Até onde sei, uma essência é um universal, de modo que afirmar que o casamento tem uma essência parece uma contradição direta com a ideia de que não existam tais coisas como universais. Já que eu acho que você não permitiria uma contradição tão óbvia, ou o meu entendimento de essência ou meu entendimento do seu nominalismo deve estar errado. Eu ficaria muito grato se você pudesse elaborar mais, pois eu acho que isso me ajudaria a entender melhor sua posição sobre objetos abstratos.

Matthew,

Austrália

Rwanda

Matthew, sua pergunta ilustra exatamente a razão pela qual eu tenho evitado o termo “nominalismo” como um rótulo para minhas opiniões sobre a realidade dos objetos abstratos e em vez disso [tenho] escolhido o termo “antirrealismo”.

Na história da teologia, “nominalismo” tornou-se algo como um palavrão por causa das suas associações com o convencionalismo e relativismo, como você sugere. No entanto, isso não faz parte do anti-platonismo contemporâneo. Assim como dizer, “Marte tem duas luas” não te leva a existência de algum objeto abstrato estranho que nós chamamos de 2, também dizer, “Casamento é essencialmente (ou pela definição) uma união entre um homem e uma mulher” não te leva a algum objeto abstrato que nós chamamos de essência do casamento. “A essência do casamento” não pretende ser um termo metafísico, mas uma forma rápida e conveniente de se falar sobre a forma como o casamento é necessariamente.

Presumidamente, como um teísta, você não acha que a lei natural é um objeto abstrato fora do espaço-tempo, imaterial, causalmente decadente com o qual Deus se vê confrontado. Não é melhor dizer que a lei natural encontra sua origem em Deus e em Sua vontade ou mandamentos? Por exemplo, pode-se afirmar que Deus necessariamente decretou que os seres humanos devem ser tratados como fins em si mesmos, em vez de meramente como meios para fins. “Lei Natural” não deveria, ou não deveria ou precisaria, ser considerada um termo metafisicamente pesado, mas apenas uma forma conveniente de falar, por exemplo, sobre o valor intrínseco das pessoas humanas e quais obrigações/proibições morais nós temos que cumprir.

A lição geral aqui é: não leia ontologia dessa linguagem.

William Lane Craig