Por que Deus deve ser louvado?

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Por que Deus deve ser louvado?

Olá, Dr. Craig,

Eu acabei de assistir a sua revanche com Austin Dacey na Universidade do Estado da Califórnia […] Um argumento dele me pareceu bom e eu me perguntei como você teria respondido se tivesse tido tempo.

O argumento dele foi o seguinte:

1. Se a bondade de Deus é essencialmente determinista, então Ele não é digno de louvor.

2. A bondade de Deus é determinista.

3. Portanto, Deus não é digno de louvor.

A lógica disso é válida e me parece que se nós dizemos que a bondade de Deus flui da Sua natureza essencial, então é difícil negar os elementos deterministas dela. Eu sou cristão há mais de 20 anos e um estudante do seu trabalho há pelo menos 5 anos. É do meu entendimento que a bondade de Deus é a razão primária pela qual Ele é digno de louvor. Então o que estou deixando passar? A primeira premissa é falsa porque a bondade de Deus é demonstrada pelas Suas direções e atos milagrosos na história da humanidade para trazer um plano de redenção para pessoas teimosas como nós, que só podem ser explicadas pelos atos da vontade Dele?

Obrigado pelo trabalho maravilhoso que você faz todos os dias para o reino.

Bençãos,

Jim

Estados Unidos

United States

Eu penso que uma Teoria do Comando Divino de éticas ajuda a fornecer uma resposta satisfatória para essa pergunta, Jim. De acordo com a Teoria do Comando Divino, os nossos deveres morais são constituídos pelos comandos de Deus, que estão enraizados no caráter Dele. Já que Deus, presumidamente, não emite comandos para Ele mesmo, segue que Deus não tem deveres morais para cumprir. Enquanto seres humanos podem ser são louvados por fazer seu dever moral, Deus não pode ser louvado por fazer Seu dever moral.

Então, por que Deus deve ser louvado? Alguém pode dizer que Deus deve ser louvado pela Sua bondade. Mas a bondade de Deus parece estar enraizada em Sua natureza, não na Sua vontade. Nesse sentido, a bondade de Deus pode parecer ser “essencialmente determinista”; não no sentido que é causalmente determinada, mas no sentido de que Deus é essencialmente bom independente da vontade Dele. Então pareceria inapropriado louvar a Deus, no sentido de elogia-lo por ser bom.

No entanto, Deus talvez ainda poderia ser louvado pelos Seus atos de supererrogação. Isso quer dizer que Ele faz coisas que não são determinadas pela Sua natureza, mas são o resultado da escolha livre Dele. O plano da salvação incluindo a criação, encarnação, expiação substitutiva, eleição, chamado e regeneração são atos de Deus que Ele não teve que empreender. É inteiramente consistente com a natureza Dele que Ele não criara nada ou criara um mundo em que eu não fora salvo. Portanto, é apropriado louva-lo e agradece-lo por tais coisas.

No entanto, ainda mais fundamental, Deus deve ser adorado e louvado por Sua bondade essencial. Mesmo que nós não louvemos a Deus por ser bom (como para dizer “Muito bem, Deus!”), ainda assim a adoração de Deus como o summum bonum (o maior bem) e, na verdade, o paradigma da própria bondade é completamente apropiada e obrigatória para as criaturas. Deus por Si só deve ser adorado e louvado por quem Ele é; nenhuma criatura pode receber isso.

Esse entendimento pode acrescentar toda uma nova dimensão para a sua experiência de adoração, Jim. A próxima vez que você estiver na igreja, foque não só em louvar a Deus pelas coisas que Ele já fez, mas adora-lo como o digno supremo. Você perceberá que não só a Sua bondade o faz digno de adoração e louvor, mas também seus atributos superlativos como a existência própria (asseidade), a necessidade, a eternidade, a onipotência, a onisciência e assim por diante.

William Lane Craig