Os pais devem deixar seus filhos acreditarem em Papai Noel?

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Os pais devem deixar seus filhos acreditarem em Papai Noel?

Caro, Dr. Craig,

Com a chegada do Natal eu estou interessado em ouvir a sua sabedoria em relação as famílias cristãs que celebram a tradição do Papai Noel. Para ser mais preciso, você acha que é consistente com os valores cristãos fingir que o Papai Noel é real?

Como um pai de duas crianças pequenas, isso é relevante para mim no momento. Por um lado, nós reconhecemos que como uma família cristã, nós sempre queremos que Jesus seja o centro da celebração do Natal.

Nós também valorizamos dizer a verdade para os nossos filhos em todas as coisas. Mas também podemos ver um espaço para a fantasia, para o faz-de-conta, e para a diversão que isso pode trazer para a família.

Embora pareça uma questão trivial, viver em uma cultura pós-cristã e altamente secularizada, em que o Papai Noel é quase visto como uma sagrada tradição infantil, abandonar essa tradição poderia causar um atrito com a nossa família não-cristã. Mas como disse, pode ter o potencial de ser uma testemunha forte para a importância de Jesus nas nossas vidas.

Obrigado pelo seu trabalho em servir a Deus através do trabalho acadêmico. Eu espero que você tenha tempo para responder essa pergunta não tão apologética e relevante.

Feliz Natal para você e para o time do Reasonable Faith!

Saudações,

Dan

Austrália

Australia

Fico feliz em saber que você está pensando seriamente sobre esse assunto, Dan. Essa decisão sobre a parte de pais cristãos saberem o que dizer aos seus filhos sobre Papai Noel é, eu acho, muito consequencial e importante. Seja qual for a sua decisão, ela precisa ser pensada, e não tomada ser ter sido pensada.

Por um lado, a substituição de Jesus Cristo pelo Papai Noel no Natal é um sacrilégio. O Papai Noel é obviamente um tipo de substituto de Deus: uma pessoa que tudo vê, dotado de poderes milagrosos, que está fazendo uma lista e checando duas vezes para saber quem foi desobediente e quem foi bom. “Ele sabe quando você está dormindo; ele sabe quando você está acordado. Ele sabe se você foi bom ou mau, então seja bom, pelo amor de Deus!” Mas nunca tema: o Papai Noel é um velhinho gentil com uma longa barba branca que nunca julga alguém que fez o mal. Não importa o que você fez, ele pensa que você é bom e entrega os presentes. Tal caricatura de Deus é tão perversa que alguém se pergunta como pais cristãos poderiam permitir que os seus filhos acreditem em tal ser. O Natal, como a palavra sugere, deve ser sobre Cristo, e não sobre esse impostor.

Por outro lado, quem quer ser o pão-duro, que estraga a diversão das festividades do Natal? Poemas como “A noite antes do Natal” são tão divertidos de ler para as suas crianças. Não há uma forma de chegar em um ponto cômodo?

Eu acho que sim. São Nicolas foi uma figura histórica, um bispo antigo da igreja. Nós podemos ensinar as nossas crianças sobre quem ele era e explicar como as pessoas gostam de imaginar que ele vem e traz presentes para as crianças no dia de Natal. As crianças amam imaginar, então você pode convida-las para esse jogo de imaginação com você. Quando você vir o Papai Noel no shopping, diga “Olhem, ali está o homem vestido como São Nicolas! As pessoas fingem que ele é São Nicolas. Você gostaria de dizer para ele o que você quer ganhar no Natal?” Jan e eu acreditamos que essa estratégia funcionou com os nossos filhos.

Além disso, na Bélgica, onde eles foram criados, o dia de São Nicolas é um dia diferente do Natal, o que ajuda a preservar a integridade e significado do Natal. São Nicolas (ou Père Noël) traz os presentes para as crianças no dia 5 de dezembro, se eu não me engano, e não na manhã de Natal. Essa separação de dias funcionou muito bem para a nossa família. A tradição de abrir os presentes no dia de Natal era uma tradição muito forte para deixar de lado, mas o que nós fazíamos no dia de São Nicolas era colocar chocolates para as crianças e fazíamos elas imaginarem que eles foram entregues por São Nicolas. Então o Natal era o dia que comemorávamos o nascimento de Jesus. Eu te sugiro fazer o mesmo.

Eu acredito plenamente que pais cristãos não deveriam mentir para os seus filhos sobre a existência de um ser onisciente e sobrenatural que está observando-os e fazendo-os responsáveis morais. Uma vez que eles descobrem que você mentiu para eles sobre a existência do Papai Noel, como não podem surgir as dúvidas de que você também mentiu sobre a existência de Deus? Talvez a história do Natal é um mito que os adultos deveriam deixar para lá. Na verdade, eu ouvi ateístas ignorantes comparar Deus ao Papai Noel e dizer que há tantas evidências de que Deus existe quanto há evidências de que o Papai Noel existe. Ao mentir para os seus filhos sobre Papai Noel, você está preparando-os para a queda.

Portanto, nós precisamos ensinar as nossas crianças sobre a credibilidade histórica dos Evangelhos e ajuda-los a ver as diferenças entre as histórias de Papai Noel e as biografias de Jesus de Nazaré. Assim como os familiarizamos com o São Nicolas histórico, também precisamos familiariza-los com o Jesus histórico. De fato, assim como compartilhamos com ele como os mitos foram criados em volta do São Nicolas histórico, podemos compartilhar com eles como os mitos do Natal, como os três reis magos ou como o menino Jesus ter nascido em 25 de dezembro “em pleno inverno” foram criados em volta de Jesus. Nossas crianças terão, como resultado, uma fé mais duradoura e forte.

No entanto, há um cuidado. Você deve deixar os seus filhos saberem que muitas outras crianças acreditam em Papai Noel de verdade, e que não cabe a eles informa-las o contrário. Isso é entre elas e os seus pais. A minha filha disse que a nossa política de dizer às crianças que Papai Noel não é de verdade levou para “algumas conversas interessantes” na escola com crianças que disseram que Père Noël existe. “Não, ele não existe!” Opa! Eu acho irônico que as nossas crianças eram as mentes abertas e céticas quando se tratava do Papai Noel. É melhor dizer aos seus filhos que embora saibamos que o Papai Noel é uma figura divertida de faz-de-conta, eles não devem aborrecer os outros pais que não foram honestos com os seus filhos como nós fomos.

William Lane Craig