Compreendendo adequadamente as crenças propriamente básicas

#467

Compreendendo adequadamente as crenças propriamente básicas

Outro exemplo seria a garantia para a verdade do Cristianismo que vem do testemunho interior do Espírito Santo. Supor que a experiência da testemunha do Espírito Santo com a verdade do Cristianismo é mera emoção é uma petição de principio. Se Deus existe, Ele é certamente capaz de comunicar Sua verdade a você de uma maneira interna assim como através de evidências externas. Novamente, estou convencido de que certas crenças Cristãs são conhecidas por ser verdadeiras de uma maneira propriamente básica, fundadas na testemunha interior trazida até nós pelo próprio Deus. Interessante é que crenças baseadas no testemunho – como a minha crença de que o seu nome é Grant, é uma crença propriamente básica em que eu sou racional para afirmar a não ser ou até que um defeater (derrotador) para essa crença apareça. De maneira semelhante, muitas crenças cristãs são crenças que nos é garantida pelo testemunho, o testemunho de Deus. Não seja rápido em dispensá-la, com medo de falhar em ouvir a voz de Deus falando para você”

Certo, então, nós temos duas crenças propriamente básicas:

(1) O testemunho de outros

(2) A testemunha interior

Sabemos que pelo menos uma dessas deve ser falsa, porque o testemunho de outros apresenta a testemunha interior que, se aceita prima facie [de cara], implicaria a contradição lógica, o exemplo sendo o “ardor no peito” dos mórmons de que Joseph Smith era um profeta, em contraste com a maioria das testemunhas internas das pessoas de que o Mormonismo é um monte de nada.

A sua maneira de resolver a contradição é negando (1). Você pensa que os Mórmons estão se enganando e que você realmente tem a testemunha interior verdadeira. Mas isso significa que alguma crença propriamente básica é realmente mais propriamente básica que outras.

Então isso levanta a seguinte questão: a hierarquia das crenças propriamente básicas é uma crença propriamente básica?

Tomislav

Estados Unidos

United States

Eu acho que você não entendeu de forma adequada a noção de crenças propriamente básicas, Tomislav. Você não deve igualar ser propriamente básica com ser imprescritível. Crenças de memórias (ex. “Eu deixei as chaves do carro na cômoda”) e crenças de percepções (ex. “Eu vejo um gato no quintal”) são, assim como crenças fundadas no testemunho, propriamente básicas, mas são anuláveis, ou seja, elas podem estar erradas. O fato das minhas crenças propriamente básicas poderem, às vezes, ser falsas, não faz nada para tirar a sua “basicalidade” própria (isto é, eu sou racional e não mostro um defeito cognitivo em ter tais crenças fundadas experimentalmente de modo não-inferencial). Se eu me tornar ciente de algum defeater (derrotador) de uma das minhas crenças propriamente básicas, então eu devo desistir dela (ou encontrar um defeater do defeater).

Então, o fato de que algum testemunho é falso, não sugere que as crenças testemunhais não sejam crenças propriamente básicas. Isso só implica que tais crenças são anuláveis e são, algumas vezes, derrotadas. Eu acho que o “ardor no peito” dos mórmons é um exemplo de uma falsa crença que muitos mórmons têm de se modo básico.

Em contraste, acredito que a testemunha do Espírito Santo é verídica. Isso sugere que “alguma crença propriamente básica é realmente mais propriamente básica que outras”? Não, embora os seguidores da chamada de epistemologia Reformada afirmariam que crenças propriamente básicas diferem em seu grau (a tenacidade com a qual elas são tidas) e em sua profundidade de ingressão (centralidade para um sistema de crenças de alguém). Por exemplo, a minha crença de que “Eu tenho uma cabeça” tem um grau maior de crença do que “Eu deixei a chave do carro na cômoda”, embora as duas sejam propriamente básicas para mim. O que eu acredito que você poderia dizer é que algumas crenças propriamente básicas tem uma garantia maior que outras. E isso não é uma crença própria básica, mas é só uma questão do que nós descobrimos a partir da experiência.

A diferença entre a minha crença e a crença mórmon talvez esteja no fato de que, seja qual for a razão, a crença mórmon enfrenta deafeaters que a minha crença não enfrenta (ex. Provas de DNA que os nativos americanos não são semitas). Pode ser que, enquanto eu tenho defeaters para deafeaters potenciais trazidos contra a minha crença, o mórmon não tem um deafeater para os outros defeaters.

Eu suspeito que o que te incomoda, Tosmilav, é a minha afirmação de que a testemunha do Espírito Santo talvez seja um deafeater intrínseco de outros deafeaters, ou seja, uma crença que tem uma garantia tão poderosa que supera os potenciais deafeaters trazido contra ela. Enquanto que essa crença não é essencial para a epistemologia Reformada, me parece ser completamente plausível. Por que um Deus onipotente não poderia garantir poderosamente uma crença em Si mesmo que o que crê, independente da sua situação, permanece garantido em se apegar a sua crença propriamente básica em Deus? O que deveria ser o problema?

William Lane Craig