Problemas com Paulo

#471

Problemas com Paulo

Eu li a sua resposta para a pessoa que respondeu à Jesus e não gostou de Paulo. Eu me encontro na mesma posição e fiquei surpresa que você acha difícil entender por que alguém rejeitaria Paulo, que foi chamado por Cristo. Jesus é cheio de um incrível amor, poder, misericórdia, graça e humildade. Paulo é cheio de Paulo. Ele diz que não se gaba, mas depois ele se gaba. Eu não consigo imaginar Jesus aprovando as regras dele para ajudar as viúvas (ou que qualquer viúva seria o suficiente e receberia ajuda). Apesar de todos os esforços para defende-lo, ele, obviamente, não é fã das mulheres e se preocupa demais com o que as outras pessoas pensam. Tanto que ele está disposto a agir como um impostor para convertê-las. E quando você vai à igreja e conhece os fariseus dos dias de hoje e pergunta a eles algumas coisas, eles sempre respondem focados em Paulo. Na verdade, a falta de amor como o de Cristo nas igrejas americanas e a vontade de apontar os pecados das outras pessoas parecem vir desse cara, porque definitivamente não está vindo de Cristo. Eu amaria se você terminasse de responder a sua pergunta e falasse sobre os problemas que a maioria das pessoas tem com Paulo que parece que você deve estar ciente. Obrigada!

Amanda

Estados Unidos

United States

Agora espere um pouco, Amanda! Na minha Pergunta # 231, eu abertamente admiti que Paulo poderia ser autoritário algumas vezes e dei alguns exemplos. Mas eu também defendi a coragem incrível dele, que deve ser uma inspiração para todos nós. Claro, Paulo não era Jesus de Nazaré, mas quem é? O Filho de Deus brilha mais que todos.

Você não gosta de Paulo se gabando. Mas, Amanda, Paulo era direcionado a defender as suas qualificações pela a ameaça de pseudoapóstolos itinerantes propagando a eloquência e conhecimento mundano deles e ameaçando destruir a igreja de Corinto. Mostrando suas qualificações como um apóstolo, Paulo diz repetidamente, “Eu falo como um insensato”! (II Coríntios 11:21; 11:16-17; 12:11). Mesmo assim, ele termina se vangloriando, mas não das suas conquistas e sim da sua fraqueza, incluindo a desabilidade física que ele padecia, uma inspiração para qualquer um que suporta tal fraqueza (Coríntios 11:20-12:10). Não é que ele se importa com o que os outros pensam, mas com esses falsos apóstolos que estavam destruindo a igreja de Corintos, que já estava despedaçada com divisões como resultado dessa destruição.

Você não gosta das regras para os cuidados das viúvas nas antigas igrejas mencionadas em I Timóteo 5:3-16. Acorde, Amanda! Dado os recursos limitados que essas pequenas comunidades tinham, deveria haver qualificações para ajudar as viúvas. Então Paulo limita a ajuda a viúvas que não tinham mais nenhuma família para tomar conta delas, o que é perfeitamente sensato. Além disso, viúvas que queriam apoio financeiro da comunidade não deveriam ser desconhecidas, mas mulheres de Deus que tenham sido estabelecidas na comunidade: “Nunca seja inscrita viúva com menos de sessenta anos, e só a que tenha sido mulher de um só marido; Tendo testemunho de boas obras: Se criou os filhos, se exercitou hospitalidade, se lavou os pés aos santos, se socorreu os aflitos, se praticou toda a boa obra” (v. 9-10). Por que Jesus não aprovaria essas regras?

Paulo não permite que viúvas jovens sejam apoiadas pela igreja, mas as encoraja a casar de novo. Enquanto Paulo é bem severo com essas viúvas mais jovens, parece que ele tinha conhecimento pessoal de abusos que já estavam acontecendo (v. 15). Ele estava ciente da situação local, de uma maneira que não estamos, na qual as viúvas mais jovens estavam sugando os fundos que poderiam estar ajudando mulheres mais velhas. Então vamos aliviar um pouco para ele.

Você reclama que Paulo estava disposto a agir como um impostor para converter as pessoas. Amanda, eu acho que você não entende nem o fardo evangelístico de Paulo, nem a estratégia dele. Ele descreve a abordagem dele nessas palavras:

“Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais. E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns”. (I Coríntios 9:19-22).

Ele não é um impostor. Ele está adaptando a sua abordagem para que não sejam criados obstáculos desnecessários para os seus ouvintes. Ele é como Hudson Taylor que adotou as vestimentas e o estilo de cabelo chineses para ganhar o povo chinês. Paulo, como um seguidor de Jesus, estava livre da lei judaica, embora estivesse vivendo um estilo de vida moral; mas quando na companhia de judeus, ele observava os requerimentos da lei para não ofender. Isso é ser sensato, não impostor.

O tom emocional negativo das frases finais da sua pergunta, sugerem que há mais coisas acontecendo abaixo da superfície, Amanda, do que aparenta. As suas reclamações sobre os “fariseus dos dias de hoje”, “a falta de amor como o de Cristo nas igrejas americanas”, e “a vontade de apontar os pecados das outras pessoas” me sugerem que o seu problema não é com o Apóstolo Paulo de forma alguma. Você teve algumas experiências emocionais negativas na igreja que você não nos contou, e você está culpando o apóstolo Paulo por isso.

O próprio Paulo foi um homem de convicção e coragem incríveis que deve inspirar a todos nós. Em uma recente viagem a Singapura e Hong Kong, eu estava me sentindo muito cansando e exausto. Me ocorreu que quando Paulo foi em seus compromissos de falar, ele tinha que se preocupar, não com um hotel confortável, mas com a possibilidade de violência uma vez que ele começasse a falar. Ele não sabia se quando ele viajasse para uma cidade se ele ia apanhar, ser preso ou, talvez, até morto. Você e eu, Amanda, não podemos nem imaginar como é isso. Antes de criticarmos tão rapidamente, vamos tentar ganhar algum apreço da importância do homem que estamos criticando.

William Lane Craig