Jesus e o Deus do Antigo Testamento

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Jesus e o Deus do Antigo Testamento

Olá, Dr. Craig.

Primeiramente, gostaria de dizer muito obrigado por ajudar tanto com respostas e perspectivas sobre questões difíceis. Já o ouço faz anos e aprendi tanto com seu trabalho.

Gostaria de explicar que sou cristão. Creio em Jesus, que ele morreu por meus pecados na cruz, mas confesso que não mergulhei a fundo na Bíblia.

Fiquei tão impactado com os evangelhos que eles me cativaram. Creio em Jesus porque posso me identificar completamente com a mensagem. Ela me faz todo sentido. O homem é depravado, precisamos de um salvador, esse salvador é Deus, Deus veio viver como um de nós para nos mostrar o único caminho para a vida e, consequentemente, morreu, tudo para que abandonemos nossa autojustiça e o sigamos.

Jesus impôs o padrão que nunca foi superado nem jamais o será por homens ou deuses.

Meu problema está um pouco mais atrás na cronologia.

Recentemente decidi ler a Bíblia seguindo um plano anual num aplicativo. Cheguei aos livros de Moisés e Josué.

Depressa percebi que esse Deus não é o mesmo que Jesus. Estou realmente tendo dificuldades com esse Deus.

Existem diversas passagens que não parecem fazer sentido, não importando como argumentemos que Deus tem razões moralmente suficientes para não permitir que certas coisas sejam feitas, quando, na realidade, as exige. Algumas passagens se destacam:

Estando os israelitas no deserto, acharam um homem apanhando lenha no dia de sábado. E os que o acharam apanhando lenha levaram-no a Moisés e a Arão, e a toda a comunidade. E o mantiveram preso, pois ainda não se havia declarado o que se devia fazer com ele. Então o SENHOR disse a Moisés: Certamente o homem deve ser morto; toda a comunidade o apedrejará fora do acampamento. (Números 15.32-36)

O motivo por que ela se destaca é que Jesus no Novo Testamento nos ensina algo completamente oposto ao que, segundo lemos, ele exigiu no Antigo:

E aconteceu que Jesus passava pelos campos de cereais em dia de sábado e, enquanto caminhavam, seus discípulos começaram a colher espigas. E os fariseus lhe perguntaram: “Por que eles estão fazendo o que não é permitido no sábado?” Ele lhes respondeu: “Acaso nunca lestes o que Davi fez quando ele e seus companheiros estavam em necessidade e com fome? Como ele entrou na casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu dos pães consagrados, dos quais apenas os sacerdotes tinham permissão para comer, e deu também aos companheiros?” E prosseguiu: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado”. (Marcos 2.23-27)

Por que uma diferença tão grande entre os discípulos e aquele homem? Só posso ter pena daquele homem por apanhar lenha na floresta. Onde estava a misericórdia de Deus, onde Deus mostrou seu perdão, bondade e amor enquanto ser moral eternamente superior? Ele parece se passar por qualquer um dos diversos deuses na antiguidade que agiam do mesmo modo que os humanos. É o mesmo deus que vejo no Alcorão. Eu acreditava de coração que Jesus estava acima de todos os outros deuses, que ele era superior a Alá. E é por isso que eu o amo. Porém, ao ler isso, não consigo conciliá-los. Sou levado a crer que não são o mesmo.

Se Jesus, de fato, é o mesmo Deus, só consigo pensar que ele está criando uma regra muito severa em dado momento para um grupo de pessoas e, então, não apenas desconsiderando sua própria regra no futuro, mas, na prática, utilizando-a para ir contra as mesmas pessoas que a estão seguindo. Isso não me faz nenhum sentido. Acho muito difícil me identificar com esse Deus e, se Jesus está dentro desse plano, tudo mostra que ele é calculista e enganador. Ele força os judeus de tal modo que exige morte, caso não façam sua vontade e, então, vira a mesa contra eles posteriormente e os faz parecer tolos por seguir as mesmas regras que ele antes tinha fixado com mão de ferro.

Realmente me sinto dividido. Não acho que posso entender Jesus, se ele, de fato, é o mesmo Deus do Antigo Testamento.

Por favor, leve em consideração que, dados os indícios dos evangelhos, estou convencido sem sombra de dúvida que Jesus é Deus. Meu problema está no fato de que, se ele é também o Deus do Antigo Testamento, não o amo tanto assim. Espero que me entenda. Estou sinceramente em busca de respostas. Não sou ateu e, por isso, o argumento moral não aplica no meu caso. Só estou dizendo que creio em Deus independentemente de tudo, mas não estou convencido de que o Antigo Testamento é a palavra de Deus.

O segundo exemplo é Josué e Acã.

Acã admitiu roubar, e ele e toda sua família, gado e posses foram destruídos e queimados.

Nessa passagem, Deus parece cobiçar o ouro e as riquezas, dizendo que deseja que essas coisas lhe sejam dedicadas, o que me parece muito humano, embora as coisas dos homens sejam deploráveis diante dele. E por que ele gostaria de ver todos mortos e queimados? Até o gado e os parentes de Acã? Não parece um Deus amoroso. Não parece o Jesus que dá a outra face. Fico consternado com a natureza e a ira mesquinhas que esse Deus parece ter. Ele parece irritado. Por que ele não mostra misericórdia e libera a todos? É estranho. Não consigo conciliar os dois.

Se Deus quisesse salvar tantas almas quanto possível, por que ele queria levar os despojos, ficando no mesmo nível de Alá ou qualquer outro humano irritado, irado, implacável e odioso?

Estou realmente num conflito, Dr. Craig. Espero que esta pergunta não seja muito comprida, mas o argumento moral não me satisfaz. Como já sou crente em Deus, acredito na moralidade última, etc. Só tenho dificuldade de ver como o Deus do Antigo Testamento poderia ser o mesmo Deus que Jesus, e isso está, na realidade, me afastando de Jesus. Estou começando a ficar ressentido com o caráter desse Deus. Se somos salvos ao crer em Jesus e por sua graça, será que ainda somos salvos se sentimos tanto ressentimento da sua descrição mais antiga?

Estou realmente perdido nesta questão!

Deus abençoe. E desde já agradeço.

Sam

Reino Unido

United Kingdom

Sam, eu tinha escrito uma resposta a sua carta abordando as dificuldades filosóficas que elas apresentam; porém, quando cheguei ao fim, pensei: bem, isso não toca no verdadeiro problema. Minhas respostas não foram tão a fundo e provavelmente o deixariam na mão. Por ora, deixo minha primeira resposta de lado e começo do zero. Veja bem, não acho que seu problema seja realmente intelectual; creio que é emocional.

Antes de explicar o porquê, é preciso colocar por terra uma questão. Não há nenhuma oposição entre Jesus e o Deus do Antigo Testamento. Jesus conhecia essas passagem que você citou. O Deus que ele chamava de Pai celestial, cujo reino ele proclamava, era precisamente esse mesmo Deus do Antigo Testamento. Jesus não via nenhum conflito entre o Deus do Antigo Testamento e o Deus que ele amava e servia.

Eis a frase na sua carta que realmente me preocupa: “Estou começando a ficar ressentido com o caráter desse Deus. Se somos salvos ao crer em Jesus e por sua graça, será que ainda somos salvos se sentimos tanto ressentimento da sua descrição mais antiga?” Obviamente, você ainda está salvo, Sam, apesar do ressentimento que sente. Tal ressentimento o destruirá espiritualmente se não for refreado e continuar a crescer.

Você parece ter um coração sensível, Sam, mas fico me perguntando se você não tem um conceito empobrecido de Deus. Você valoriza a bondade e amor de Deus, mas não vejo que você dê algum valor à assombrosa santidade divina. Você consegue entender a pureza moral incontaminada e o ódio ao pecado por parte de Deus? A pureza moral de Deus é como uma luz tão intensa que não pode ser encarada. Quando Moisés pediu uma visão de Deus, este lhe respondeu: “homem nenhum poderá ver a minha face e viver” (Êxodo 33.20). Deus, então, concedeu a Moisés uma visão reduzida de Sua glória que Moisés pudesse suportar.

Quando Isaías teve uma visão do Senhor no templo, com os anjos cantando: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda terra está cheia da sua glória”, qual foi sua reação? “Ai de mim! Estou perdido; porque sou homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de lábios impuros; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos!” (Isaías 6.5). A santidade de Deus serviu para expor e contrastar com a impureza e pecaminosidade de Isaías. O mesmo se dá com todas as pessoas, independentemente de sua bondade pelos padrões humanos. Mesmo Jó, um homem justo, disse ao Senhor: “Com os ouvidos eu tinha ouvido falar a teu respeito, mas agora os meus olhos te veem. Por isso me desprezo e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.5-6). Em comparação com a perfeita justiça divina, Isaías diz: “Todos nós somos como o impuro, e todas as nossas justiças, como trapo de imundícia” (Isaías 64.6).

Isso implica que nada merecemos de Deus, senão sua justa condenação. Leia os capítulos iniciais da carta de Paulo aos Romanos. No capítulo 3.9-12, ele escreve: “Tanto judeus como gregos estão todos debaixo do pecado, como está escrito:

Não há um justo, nem um sequer;

não há quem entenda; não há quem busque a Deus.

Todos se desviaram; juntos se tornaram inúteis.

Não há quem faça o bem, nem um sequer [Eclesiastes 7.20; Salmo 14.2-3]”.

Todos, pois, nos encontramos sob a condenação e ira de Deus.

As passagens no Antigo Testamento que você acha tão preocupantes precisam ser lidas dessa perspectiva. A questão é a seguinte: como é possível que um Deus de pureza moral absoluta viva no meio de um povo impuro e pecador? Como as trevas são dissipadas pela luz, assim também o mal é dissipado da presença de Deus. Como é que Deus poderia escolher o povo de Deus e habitar em seu meio e guiá-lo? Em meu estudo da doutrina da expiação, notei que a solução temporária ao problema foi o sistema de sacrifícios animais instituído por Deus. O devoto se identificava com o sacrifício que trazia, e a morte do animal simbolizava, portanto, sua própria morte. O sangue simbolicamente limpava o devoto da impureza e culpa, de modo que Deus pudesse habitar com o povo, e não o destruísse.

Você pergunta: “Onde estava a misericórdia de Deus, onde Deus mostrou seu perdão, bondade e amor enquanto ser moral eternamente superior?” A resposta é que, até mesmo ao permitir que o povo sequer exista, incluindo o homem apanhando lenha no sábado e Acã e sua família, Deus estava mostrando seu perdão, bondade e amor. Aquelas pessoas não podiam exigir um fôlego de vida a mais na presença de Deus, assim como nós. Nada mereciam além de sua ira, mas ele graciosamente os chamou para ser Seu povo.

Essas passagens que você citou são dos primeiros dias da edificação da nação, logo que Deus chamou Israel do Egito para levá-lo à terra que lhes prometera. O sistema sacrificial sequer fora estabelecido. Era um estado teocrático com Deus como o único governante. A fim de estabelecer Israel como Seu povo, em preparação, segundo cremos, para a eventual vinda de Cristo e a salvação do mundo, Deus estabeleceu alguns limites, para que o povo não se assimilasse com os povos pagãos que o circundavam. Alcançar isso exigia medidas drásticas. É o que você vê nas passagens que citou.

Pois bem, agora chegamos a um pouco de filosofia! Qual é supostamente o problema trazido por essas passagens? Na medida em que estamos discutindo um problema intelectual, em vez de um problema puramente emocional da nossa parte, parece-me que a objeção deva ser que Deus é retratado como se estivesse fazendo coisas que julgamos imorais. Uma vez que Deus é moralmente perfeito, temos, pois, uma contradição aparente.

A esta altura, Sam, gostaria que você lesse minha resposta à pergunta 16, onde proponho uma teoria ética da ordem divina que, segundo creio, resolve a contradição aparente. Em resumo, a teoria sustenta que valores morais são fundamentados no próprio Deus como ser perfeitamente virtuoso e que Seus mandamentos feitos a nós constituem nossos deveres morais. Não consigo pensar em nenhuma outra teoria de valores morais objetivos que seja tão plausível quanto esta.

Esta teoria, contudo, tem consequências muito complicadas. Uma vez que Deus não ordena mandamentos a Si mesmo, Ele não tem nenhum dever moral a cumprir, ou seja, nenhuma obrigação ou proibição. Ele pode fazer tudo que quiser, desde que seja compatível com sua própria natureza perfeitamente boa. Deus pode nos mandar fazer coisas que, na ausência de uma ordem divina, teriam sido pecado. No caso do massacre cananeu — ou melhor, expulsão cananeia (ver a pergunta 225) —, sugeri o que julgo ser motivos plausíveis para que Deus desse Suas ordens.

Suspeito que os casos do homem violando o sábado e o de Acã são bem parecidos. Naqueles primeiros anos, era absolutamente crucial incutir em Israel a importância de se manter distintos da religião pagã e, por isso, vemos todas essas leis sobre puro e impuro, regulamentos sobre o sábado, objetos sagrados, coisas consagradas ao Senhor, e assim por diante. O cumprimento rígido dessas regras tinha a finalidade de preservar Israel e a religião verdadeira num oceano de paganismo.

Como você observa corretamente, essas regras foram restritas a um tempo e lugar específicos. Conforme enfatiza Paul Copan em seu livro Is God a Moral Monster? [Será que Deus é um monstro moral?], essas leis foram temporárias e provisórias. Não eram verdades éticas atemporais. Jesus desfez algumas delas. Os cristãos não são obrigados a cumpri-las. Foram singulares a Israel naquele tempo determinado na história.

Não entendo por que você acha que a temporalidade e provisoriedade das leis do Antigo Testamento tornam Deus “calculista e enganador”. Você diz: “Ele força os judeus de tal modo que exige morte, caso não façam sua vontade e, então, vira a mesa contra eles posteriormente e os faz parecer tolos por seguir as mesmas regras que ele antes tinha fixado com mão de ferro”. De forma alguma, Sam! Paulo diz que a lei do Antigo Testamento era nosso tutor para ajudar a nos levar a Cristo. O povo do Antigo Testamento era obrigado a obedecer aos mandamentos dados a eles, assim como somos obrigados a obedecer aos mandamentos dados a nós. Os judeus fiéis não parecem tolos por obedecer fielmente aos mandamentos de Deus, pois se tratava de seu dever moral. Agora que o Messias já veio, não temos aqueles mesmos deveres (graças a Deus!).

Você pergunta sobre o homem que violou o sábado: “Por que uma diferença tão grande entre os discípulos [de Jesus] e aquele homem?” Porque Cristo veio nos libertar da maldição da lei, levando sobre si a maldição. “Só posso ter pena daquele homem por apanhar lenha na floresta”. Até aí tudo bem, mas perceba que ele talvez estivesse deliberadamente profanando o sábado ao apanhar egoisticamente combustível no deserto (que é diferente de uma floresta!), quando pensava que ninguém estivesse olhando. O trato severo da parte de Deus com esse homem foi um exemplo concreto para o restante do povo.

Você entendeu erroneamente a situação de Acã. Deus em nada se importa com ouro e as riquezas. Tudo lhe pertence. Antes, a ideia de coisas consagradas para destruição está num mesmo patamar daquilo que disse sobre separar Israel das nações. Como ofertas queimadas deveriam ser totalmente consumidas e, portanto, consagradas ao Senhor, assim também eram esses itens conquistados. Acã foi culpado de um crime capital, roubar de Deus. “Não parece um Deus amoroso. Não parece o Jesus que dá a outra face”. Trata-se do Deus que virou sua face repetidas vezes ao permitir que Israel até mesmo existisse e ao habitar no meio deles. No caso, medidas drásticas eram necessárias. “Fico consternado com a natureza e a ira mesquinhas que esse Deus parece ter. Ele parece nervoso. Por que ele não mostra misericórdia e libera a todos?” Não há nenhum fundamento para chamar sua ira de mesquinha. O pecado de Acã era sério, e simplesmente mostrar misericórdia e perdoar poderia ter comprometido fatalmente o que Deus estava fazendo na edificação da nação de Israel. Deus tem o direito de dar e tirar a vida como bem entender, e o juízo severo que recaiu sobre Acã e sua família foi um exemplo concreto para que Israel não brincasse com Deus. Ajudou a colocar e manter Israel no caminho reto e estreito.

Eu sei, Sam, que talvez você ache tudo isso emocionalmente repugnante. Talvez você prefira o Papai Noel ao Máximo Ser Concebível, que é absoluto em sua pureza e justiça morais. Mas pense por um momento: é somente com esse plano de fundo da ira de Deus que vamos além do sentimentalismo para um profundo apreço do amor de Deus. Paulo diz que nós, cristãos, “éramos por natureza filhos da ira, assim como os demais. Mas Deus, que é rico em misericórdia, pelo imenso amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos pecados, deu-nos vida juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” (Efésios 2.3-5). Somente quando percebemos o quão sujos e imundos nós somos em comparação com Deus é que começamos a ter alguma compreensão de sua aceitação amorosa que ele nos estende; somente quando passamos a confessar que nada merecemos dele, senão a ira e a condenação é que começamos a compreender verdadeiramente a grandeza de sua graça e bondade. Ironicamente, então, seu conceito de Deus pode até ser enriquecido na compreensão que você tem do amor dele, ao primeiramente entender a santidade dele.

Quero encerrar compartilhando uma passagem marcante com que deparei no meu estudo sobre expiação. Está no Compêndio de teologia apologética, de François Turretini (16.2). Aqui, este teólogo normalmente árido, frio e intelectual escreve do coração a respeito da justiça de Cristo a nós imputada:

Isso se mostra mais claramente quando tocamos na coisa em si e a controvérsia não é desenvolvida de forma fria e insensível, numa nuvem e poeira escolástica (como se à distância), mas na luta e agonia — quando a consciência se coloca diante de Deus e se atemoriza com um senso do pecado e da justiça divina, ela busca um modo de passar pelo juízo e fugir da ira vindoura. É demasiado fácil nas sombras das escolas tagarelar um bocado sobre o valor da justiça inerente e das obras para a justificação dos homens; porém, quando chegamos à presença de Deus, é necessário deixar esses joguetes, pois ali o assunto é conduzido com seriedade e não se deixa levar por nenhuma disputa risível sobre palavras... De fato, quando se mantém a comparação entre os homens, cada um supõe ter o que é de algum valor e dignidade. No entanto, quando nos elevamos ao tribunal celestial e colocamos diante de nossos olhos aquele supremo juiz (não conforme nossos intelectos de própria vontade imaginam, mas conforme ele nos é descrito nas Escrituras [a saber, aquele com cujo esplendor as estrelas escurecem; diante de cuja força as montanhas derretem; por cuja ira a terra se abala; cuja justiça nem mesmo os anjos ousam igualar; que não inocenta o culpado; cuja vingança, quando despertada, penetra até às profundezas do inferno]), então, num instante, a vã confiança do homem perece e desmorona, e a consciência é forçada (não importando com quanto orgulho ela tenha se vangloriado diante dos homens quanto a sua própria justiça) a deplorar o juízo e confessar que nada tem de que possa depender diante de Deus.

William Lane Craig