A importância da devoção pessoal

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A importância da devoção pessoal

Bom dia, Dr. Craig.

Muito obrigado por responder ao meu e-mail em seu podcast Reasonable Faith de 11-08-2015. Ouvi no ônibus a caminho do trabalho. Fiquei muito surpreso e chorei de alegria. Obrigado.

Li com muito interesse a pergunta 52, sobre produtividade pessoal, e ela me trouxe mais perguntas (isso porque comecei a escrever e busco uma forma de adorar a Deus pela escrita): o senhor ora enquanto trabalha, ao estilo de Agostinho? Como o senhor ora por seus escritos em geral?

Como o senhor faz seu momento devocional?

O senhor separa um tempo para orar com sua esposa?

Desculpe pelas questões serem um pouco pessoais, mas tenho a forte convicção de que, para um cristão do tipo intelectual, é mais vital do que qualquer outra coisa orar primeiro, e orar bem. É por isso que gostaria de saber seu exemplo.

Desde já, agradeço.

Em Cristo, o Logos,

Étienne

França

France

Obrigado por sua carta encorajadora, Étienne! Embora eu não considere minha vida devocional um modelo, sua pergunta me dá a oportunidade de enfatizar a importância de manter uma vida devocional. No meu entender, estudos sociológicos, na realidade, mostram que cristãos com uma vida devocional regular de leitura bíblica e oração têm mais chances de perseverar na fé do que cristãos que não o fazem. Temos o exemplo de nosso Senhor sobre a importância de gastar tempo sozinho com Deus desse modo. Se Jesus precisava fazer isso, quanto mais nós!

Em resposta à sua pergunta: “o senhor ora enquanto trabalha, ao estilo de Agostinho?”, lutei bastante com a oração no sentido de que Deus me guiasse à verdade em meus estudos, como Agostinho e Anselmo se inclinavam a fazer. Decidi não seguir esse caminho, em parte pela convicção de que Deus não respondeu a essas orações por parte de homens piedosos, como mostram suas discordâncias, sem contar seus erros. Deus nos permite usar nosso intelecto para tentar descobrir como melhor entender e desenvolver a verdade que Ele nos revelou (bem como a verdade sobre Seu universo). Trata-se de uma jornada em busca da verdade que está repleta de erros. De todo modo, trata-se, creio eu, de parte do projeto humano que Deus nos confiou.

Então, “como o senhor ora por seus escritos em geral?” Certamente oro em relação a meus estudos, por serem parte de meu chamado divino. Assim, oro para que Deus seja glorificado por meio deles. Oro para Ele se agradar em usá-los na extensão de Seu reino. Apesar de todas suas limitações, apesar de todos os erros ocultos neles, peço a Deus que glorifique Seu nome por meio deles e que atraia pessoas para Seu reino e fortaleça os crentes por meio deles. Então, “faço o melhor para Deus”, como diriam, e confio que Ele usará tudo conforme lhe aprouver.


Como o senhor faz seu momento devocional?” Como no caso do exercício físico, a chave para manter a vida devocional é torná-la habitual. Ela não pode ser negligenciada. Precisa tornar-se um hábito, de modo a nem precisar pensar a seu respeito. Acho que separar o mesmo tempo todos os dias ajuda a torná-la habitual. Para mim, é pela manhã, antes dos outros acordarem. Acho que, uma vez que minha mente começa a se envolver com todas as tarefas a cumprir e a pensar no dia, é difícil se concentrar no devocional. Por isso, são a primeira coisa para mim.

Após um período de oração, leio uma breve porção do Novo Testamento em grego e, às vezes, observações sobre a passagem de um comentário de destaque (por exemplo, o comentário ao evangelho de Marcos por William Lane). Em seguida, leio duas páginas dos pais pré-nicenos e nicenos. Você não vai acreditar na quantidade de volumes que li todos esses anos ao adotar essa prática. Isso exemplifica o que Jan e eu chamamos de “método da tartaruga”, segundo a conhecida história da tartaruga e da lebre. A caminhada lenta e constante vence a corrida e, depois de um tempo, ao olhar para trás, você se surpreende com o que realizou! Por último, se me sobra tempo, termino lendo algo no livro Intercessão mundial sobre um país do mundo e o estado do evangelho ali.

O senhor separa um tempo para orar com sua esposa?” Sim. Uma das bênçãos de estar com o ninho vazio e que não temos tanta pressa pela manhã de preparar o café para as crianças e levá-las para a escola. Por isso, separamos um tempo depois do café da manhã par ler um pensamento devocional (realmente recomendo The One Year Christian History, de Michael e Sharon Rusten), e depois oramos juntos. Os dois oramos: às vezes eu conduzo a oração, às vezes Jan.

Quando acabamos, ela já está pronta para fazer suas tarefas e eu, para encarar os livros!

William Lane Craig