Escavando o sepulcro de Jesus

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Escavando o sepulcro de Jesus

Olá, Dr. Craig.

Hoje topei com uns artigos online relatando que a pedra onde Jesus foi colocado após seu sepultamento foi encontrada. Ela foi liberada da Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém. A National Geographic relatou que agora é possível descobrir mais informações sobre a morte e sepultamento de Jesus. Depois, vi o link para um artigo dizendo que a Bíblia está “errada” quanto à morte e sepultamento de Jesus. Quão bem estabelecidos são os fatos bíblicos da morte e sepultamento de Jesus?

Joanna

Estados Unidos

United States

Seu resumo está quase certo, Joanna. Para um relato mais preciso da escavação, veja http://news.nationalgeographic.com/2016/10/jesus-christ-tomb-burial-church-holy-sepulchre/ [em inglês]. Não é que a pedra onde Jesus foi colocado foi “descoberta” ou “liberada”. Antes, a cobertura de mármore que protege a laje de calcário onde, segundo se acredita, Jesus foi colocado por José de Arimateia foi temporariamente removida para restauração e limpeza, expondo, assim, a laje de calcário, que não fora vista desde 1555. Isso é muito empolgante para quem pensa que o sepulcro encerrado na Igreja do Santo Sepulcro realmente é o sepulcro onde Cristo foi sepultado após sua crucificação. E pensar que arqueólogos, depois de todos esses séculos, conseguiram olhar e até tocar a própria pedra onde o corpo de Jesus foi colocado!

Você pergunta quão bem estabelecidos são “os fatos bíblicos acerca da morte e sepultamento de Jesus”. Não quero responder a esta pergunta aqui, porque já a discuti bastante nas minhas publicações e debates. Nenhum historiador nega o fato da morte de Jesus por crucificação romana sob Pôncio Pilatos, sobretudo por dois motivos: (1) a crucificação de Jesus é atestada em abundância em múltiplas fontes antigas independentes; e, (2) se Jesus não tivesse sido crucificado, teria sido incrível que o movimento cristão primitivo tivesse inventado uma história sobre o fim dele que fosse tão repugnante aos que eles buscavam alcançar, tanto judeus quanto gentios. Do mesmo modo, apenas uma pequena minoria de estudiosos (principalmente, penso eu, quem vê aonde aponta a historicidade do sepultamento de Jesus!) nega o fato do sepultamento de Jesus num sepulcro por José de Arimateia, membro do Sinédrio, o tribunal superior judaico que condenou Jesus. A historicidade do sepultamento de Jesus num sepulcro é apoiada por diversos indícios: (1) o sepultamento de Jesus é atestado por múltiplas fontes antigas independentes; (2) uma invenção cristã de José de Arimateia como o responsável pelo enterro de Jesus (em vez de seus discípulos ou família) é muitíssimo improvável em vista da hostilidade no movimento cristão primitivo ao Sinédrio, por causa de sua condenação de Jesus; (3) falta ao relato do sepultamento transmitido por Marcos sinais de adornos lendários; (4) não existem histórias rivais de sepultamento.

Pelo contrário, acho que a pergunta mais interessante deveria ser quão fidedigna é a alegação de que a Igreja do Santo Sepulcro contenha o próprio sepulcro onde Jesus foi colocado. O local foi identificado no ano 326, quando a mãe do imperador Constantino, Helena, partiu em peregrinação à Terra Santa em busca de relíquias do tempo de Cristo. Ela perguntou aos residentes de Jerusalém onde era o local do sepulcro de Jesus, e eles a encaminharam a um lugar onde se encontrava um templo pagão. Temos motivos para duvidar de que as pessoas em Jerusalém naquela época soubessem onde tinha sido o sepulcro de Jesus e para suspeitar que, por respeito à mãe do imperador, eles tenham indicado um local. Na realidade, porém, existem muitos bons motivos para pensar que a memória histórica do lugar onde se encontrara o sepulcro de Jesus ainda persistia em Jerusalém.

Em primeiro lugar, o local que identificaram ficava dentro dos muros da cidade de Jerusalém, ao passo que os evangelhos afirmam que Jesus foi crucificado e sepultado fora dos muros da cidade. Posteriormente, descobriu-se que os muros de Jerusalém tinham se expandido alguns séculos antes e, quando os muros originais foram escavados, viu-se que o local identificado ficava, realmente, fora dos muros originais de Jerusalém!

Em segundo lugar, o templo pagão que ficava no local se encontrava ali desde 110, quando foi construído pelo imperador Adriano. Então, a memória de que se tratava do local do sepulcro de Jesus parece remontar ao período de 80 anos depois da crucificação de Jesus no ano 30. Helena ordenou que o templo fosse destruído e o chão, escavado. Ao cavar, eis que descobriram um sepulcro! A memória de que o templo fora construído no local do túmulo de Jesus parecia ser histórica.

Coincidência? Talvez; contudo, um número razoável de estudiosos pensa que o túmulo confinado na Igreja do Santo Sepulcro é, realmente, o sepulcro de Jesus. É apenas outra manifestação do fato de que, quanto se trata da vida de Jesus, não estamos lidando com contos de fada ou lendas, mas com história.

Incentivo todos a fazer uma viagem ao menos uma vez à Terra Santa e, como parte da peregrinação, a visitar a Igreja do Santo Sepulcro.

William Lane Craig