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#74 CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear) comprova o Big Bang

February 10, 2017
Q

Olá,

Neste momento estão veiculando muitas notícias sobre a CERN e como ela irá lançar luz sobre a origem do universo. Ouvi que vários ateus estão ficando animados em como ela irá fazer tudo, desde provar a teoria do universo paralelo até mostrar como o universo surgiu do nada. Eu pergunto: qual o impacto a CERN terá sobre o teísmo?

Grato,

Graeme

  • United Kingdom

Dr. Craig

Dr. craig’s response


A [

O fato dos ateus ficarem animados sobre as implicações teológicas dos experimentos que serão realizados no novo Grande Colisor de Hádrons (LHC) da CERN, o qual foi ativado com sucesso quarta-feira passada, revela, penso eu, o quão desesperado eles estão para desfazer a evidência da cosmologia atual sobre o início e boa afinação do universo. Pois, embora estas experiências, as quais o colisor viabilizará, possam expandir os horizontes da física, uma vez que nunca fomos capazes de recriar essas condições de alta energia anteriorme, é muito difícil ver como qualquer coisa de significado teológico poderia ocorrer, exceto para confirmar as provas que já temos para o início e boa afinação do universo.

O novo LHC permitirá aos investigadores recriar as condições existentes menos de um milionésimo de segundo após o Big Bang com energias exponencialmente 4 vezes maior do que a que era possível anteriormente, um grande avanço, mas nada comparado com as energias antes do tempo de Planck, 10-43 segundos após o Big bang, onde a Relatividade Geral é rompida. Nós provavelmente nunca seremos capazes de recriar os níveis de energia altos o suficiente para comprovar aquele tempo.

O LHC permitirá com que os físicos testem a existência de certos parceiros de partículas sub-atômicas, como o fotino para o fóton ou o gravitino para o gráviton, que são previstos pelas teorias supersimétricas da física de partículas. Os cientistas esperam ser capazes de descobrir o bóson de Higgs, uma partícula que acreditam ser responsável pelo campo que dá massa a várias partículas sub-atômicas. O bóson de Higgs é freqüentemente chamado de "partícula de Deus", não porque não tem qualquer significado teológico, mas porque, como Deus, ele está em toda parte, mas que está misteriosamente escondido. O LHC poderia fornecer evidência experimental para a teoria das cordas e, portanto, dimensões espaciais adicionais, e ajudar a descobrir a natureza da energia escura que permeia o universo. É claro que poderia refutar estas teorias se as previsões falharem.

Mas seja qual for o resultado, eu não vejo nada aqui que deve fazer com que os ateus aumentem suas esperanças. Pois a evidência para o início e boa afinação do universo já são fundamentadas na possibilidade de que essas descobertas um dia possam ser feitas. Em 2003 Arvind Borde, Alexander Vilenkin, e Alan Guth foram capazes de demonstrar um teorema que provou que qualquer universo que, em média, foram expandindo globalmente a uma taxa positiva, tem uma fronteira passada e, portanto, não podem ser infinitos no passado. Este teorema se aplica igualmente a teorias inflacionárias do multiverso e a cosmologias dimensionais superiores com base na teoria das cordas. Buscas anteriores por parte de teóricos em evitar o início absoluto do universo sempre puderam encontrar refúgio no período anterior ao tempo de Planck, uma era tão mal entendida que foi comparada às regiões nos mapas de cartógrafos antigos marcadas com "Aqui há dragões! " – a qual pode ser preenchida com todos os tipos de fantasias. Mas o teorema de Borde-Guth-Vilenkin não depende de qualquer descrição física particular do universo antes do tempo de Planck, mas é baseado em um simples raciocínio físico enganoso, anterior ao tempo de Planck, o qual permanecerá assim, independentemente da nossa incerteza quanto àquela era – sem falar de uma era muito posterior comprovada pelo novo LHC.

Em relação ao universo bem afinado, a discussão por algum tempo tem considerado a hipótese de que o nosso universo é apenas uma parte relativamente pequena de um multiverso de universos. Eu não consigo imaginar nenhum tipo de evidência surgindo do LHC que mostre que somos membros aleatórios de um Conjunto de Mundo de um número infinito de universos ordenados aleatoriamente. Além disso, o fato de estas teorias de multiverso terem todas um início no passado finito implica que o mecanismo que gera novos universos tem funcionado por apenas uma quantidade finita de tempo, o que pode muito bem ser insuficiente para garantir que o simples acaso tenha formado um universo bem afinado como a nosso. Na verdade, como eu explico em Apologética Contemporânea, se o nosso universo fosse um membro aleatório de um tal conjunto de mundo, é fantasticamente mais provável que estaríamos observando um universo muito diferente. Isso sugere que o ajuste fino não pode ser explicado por fáceis apelos a mundos paralelos.

A verdadeira vergonha sobre o LHC é que décadas atrás os EUA tiveram a chance de construir o nosso próprio super colisor no Texas, mas um Congresso míope cortou o financiamento federal e assim afundou o projeto. O outro escândalo é as reações histéricas em alguns setores por pessoas que abrigam medos infundados de que o LHC vai acabar criando um buraco negro que vai nos aniquilar. Ambos espetáculos dizem algo sobre o estado fraco da educação e valorização científica e nos EUA.

- William Lane Craig