#478 Muito mais barulho por nada
February 10, 2017Amado Dr. Craig,
Os ateístas argumentam que você comete uma Falácia da Ambiguidade quando você fala sobre Alguma Coisa ou Nada.
Quando você diz “se o universo pode vir a existir do nada, então por que somente universos podem surgir do nada? Por que não bicicletas e Beethoven e cerveja? O que faz do nada tão discriminatório? Se universos podem vir a existir do nada, então qualquer coisa e tudo deveriam vir a existir do nada. Já que isso não acontece, isso sugere que as coisas que passam a existir, tem causas”.
Aqui, quando você fala sobre as origens do universo, você se refere a absolutamente nada (sem espaço, sem tempo, sem vácuo, sem vazio). No entanto, quando você pergunta “Por que não bicicletas e não Beethoven e não cerveja”, você se refere ao espaço-tempo em que vivemos. Isso é uma falácia da ambiguidade!
Agora se você está falando sobre absolutamente nada nesse caso, então eles podem facilmente evitar essa objeção dizendo “Nós não vivemos no nada, vivemos em uma rede do espaço-tempo do universo. Portanto, não podemos provar se as bicicletas, o Beethoven e a cerveja [root beer] passam a existir do nada ou não”.
Mais uma pergunta.
Há algum modo de provar que algo não pode surgir do nada usando a Metafísica e a Lógica? Eu pergunto porque eles argumentam que não é logicamente impossível para alguma coisa vir a existir do nada.
Mohd
Dr. craig’s response
A [
Essa é a objeção 5 na minha palestra “Objections So Bad I Couldn’t Have Made Them Up” [Objeções Tão Ruins Que Eu Não Poderia Tê-las Inventado]. Você pode querer ouvir essa palestra, assim como ler também a pergunta 382, para mais informações sobre essa objeção.
Eu nunca ouvi um filósofo profissional forçar essa objeção, Mohd. Por que não? Porque eles entendem, eu acho, que a palavra “nada” não é um termo que se refere a algo, mas uma palavra de negação universal. Significa “não é algo”.
Então, por exemplo, se eu disser “Eu comi nada no almoço hoje”, eu não quero dizer “Eu comi algo no almoço hoje, e foi nada”. Em vez disso eu quero dizer “Eu não tinha nada para comer no almoço hoje”. Há uma série de palavras parecidas na negação universal. “Ninguém” que significa que não é alguém. “Nenhum” que significa nem um. “Sem lugar” que significa não ter lugar.
Agora, por a palavra “nada” ser gramaticalmente um pronome, nós podemos usá-la como o sujeito ou objeto direto de uma oração. Ao usar essas palavras de maneira errada, e não como dispositivos da negação universal, mas como palavras que se referem a algo, você pode gerar todos os tipos de situações engraçadas. Se você disser “Eu vi ninguém no corredor”, um esperto pode dizer “É, tem passado muito tempo lá”! Se você disser “Eu comi nada no almoço hoje”, ele diz “Sério? Qual era o gosto”?
Portanto, não é certo dizer “quando você fala sobre as origens do universo, você se refere a absolutamente nada (sem espaço, sem tempo, sem vácuo, sem vazio). No entanto, quando você pergunta ‘Por que não bicicletas e não Beethoven e não cerveja’, você se refere ao espaço-tempo em que vivemos”. Não, eu não estou me referindo a isso. Quando eu digo “O que faz o nada tão discriminatório”?, isso é para ser engraçado, fazer rir.
Como mostra a minha declaração de conclusão, eu procuro provar que “coisas que passam a existir, tem causas”. Então podemos reformular o meu argumento (que é, na verdade, o argumento do grande filósofo de Oxford, A. N. Prior) da seguinte forma: “Se o universo pode vir a existir sem nenhuma causa, então por que somente universos podem surgir sem uma causa? Por que não bicicletas, Beethoven e cerveja? Se os universos podem surgir sem uma causa, então nada e tudo deveria vir a existir sem uma causa. Já que isso não acontece, isso sugere que as coisas que passam a existir têm causas”.
É claro que essa reformulação não envolve equívoco. Não só isso, mas podemos ver quão fraca é a resposta do objetor “Nós não vivemos em nada, vivemos em uma rede do espaço-tempo do universo. Portanto, não podemos provar se as bicicletas, o Beethoven e a cerveja existem do nada ou não”. Ele está claramente usando “nada” como um termo de referência, não como uma palavra de negação universal. Ele pensa no nada como um tipo de caixa vazia ou vácuo dos quais coisas como bicicletas, Beethoven e cerveja deveria surgir. Isso é claramente incompreendido. Longe de ser improvável, nós temos provas esmagadoras que bicicletas, Beethoven e cerveja tem causas. E mais, a questão é que se alguma coisa pode vir a existir sem uma causa, então nada e tudo devem fazê-lo porque não há restrições causais sobre as coisas passarem a existir do nada.
Então a resposta para a sua pergunta “Há algum modo de provar que algo não pode surgir do nada usando a Metafísica e a Lógica”?, é sim! O argumento de Prior é um argumento poderoso de que coisas não podem vir a existir do nada, ou seja, sem uma causa, pois se não há restrições causais sobre vir a existir, então é inexplicável o porquê de tudo e nada não surgir do nada sem causa. Então, embora eu ache que o princípio “Alguma coisa não pode vir a existir do nada” seja um primeiro princípio da metafísica, claramente verdadeiro e não necessita de argumento, o argumento de Prior é um bom reductio ad absurdum da visão de que as coisas podem vir a existir do nada.
- William Lane Craig