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#504 Ressuscitando restos mortais

February 10, 2017
Q

Olá, Dr. Craig.

Feliz ação de graças! Minha pergunta está relacionada com a pergunta da última semana. O senhor mencionou que a visão bíblica dos corpos ressurretos é de transformação de nossos corpos atuais, e não de troca de nosso corpo por um novo corpo. Sou da área médica, já dissequei muitos corpos humanos e consideraria doar meu corpo para a ciência médica. O senhor pensa ser errado dissecar ou mesmo cremar nossos corpos após a morte? Intuitivamente, isso não me parece um problema, mas não consigo articular o porquê, especialmente porque superficialmente parece ir de encontro ao ponto de vista de transformação do corpo ressurreto. Obrigado.

Daniel

Estados Unidos

Dr. Craig,

Fiquei impressionado com a pergunta e sua resposta 501 quanto à possibilidade do corpo de Jesus ser encontrado. Como o senhor observou, conforme Paulo em 1 Coríntios 15, uma descoberta dessas mostraria que o cristianismo é falso. No entanto, a probabilidade de saber que algum corpo encontrado em específico seja o de Jesus parece impossível, sem dúvida. Sua explicação, porém, concentrou-se na transformação do corpo. O que me veio à mente e agradeceria se fosse abordado diz respeito àqueles cujos corpos não estão em nenhum lugar. Não falo tanto de cremações, que ao menos preservam as cinzas numa urna, mas daqueles cujos corpos foram completamente eliminados. Isso me veio à mente por causa do evento trágico de um jovem que imprudentemente tentou usar uma das fontes termais em Yellowstone como sauna. Seu corpo foi completamente dissolvido. O mesmo ocorre com aqueles que morreram de outras formas horríveis, como em ataques nucleares, e foram vaporizados. Qual é seu entendimento da ressurreição para quem não tem nenhum corpo disponível, mas foi seguidor de Jesus?

Ed

  • United States

Dr. Craig

Dr. craig’s response


A [

As duas perguntas tratam da relação entre os restos do corpo terreno e o corpo ressurreto. Se a ressurreição envolve a transformação daquele neste, em vez da troca daquele por este (questão # 501), o que acontece no caso de pessoas cujos corpos morais foram danificados ou totalmente destruídos?

Começamos a ter algum entendimento da questão quando refletimos no fato de que, na crença judaica, o objeto principal da ressurreição são os corpos do falecido. Esta típica concepção judaica é retratada dramaticamente na visão de Ezequiel do vale de ossos secos (Ezequiel 37.1-14), que Deus aos poucos reveste com nervos e carne e ressuscita para nova vida. Por esta razão, as práticas funerárias judaicas incluíam enterrar o cadáver do falecido por um ano até que a carne estivesse completamente decomposta e, então, exumar os ossos do falecido e guardá-los cuidadosamente em ossuários, que depois seriam colocados em sepulcros, onde ficariam até o dia da ressurreição.

Doação de órgãos ou mesmo cremação, portanto, não teriam sido problemáticas a judeus, desde que os ossos fossem preservados. Meu entendimento é que, na cremação moderna, a carne é consumida, mas os ossos sobrevivem até ser triturados e pulverizados. Parece-me que alguém que deseja fazer como os judeus na época de Jesus pode simplesmente evitar esse último passo, preservando os ossos intactos após a carne ser incinerada. Os ossos poderiam, então, ser enterrados na esperança e expectativa do retorno de Cristo (1 Tessalonicenses 4.13-18).

No caso dos mártires judeus, os próprios judeus foram confrontados com o problema de pessoas cujos restos, até mesmo os ossos, foram completamente destruídos. Os rabinos debateram como Deus lidaria com o problema. Chegou-se à conclusão de que o problema não era insuperável. Por exemplo, Deus, por ser onipotente, poderia simplesmente recriar ex nihilo os corpos dos mártires. Um caso tão atípico assim seria apenas a exceção que provaria a regra.

A questão para os cristãos atuais é se deveríamos evitar práticas funerárias que não preservam intactos os ossos, uma vez que, em lugar algum, as Escrituras nos ordenam seguir o costume judaico nesse sentido. Penso ser um problema de consciência individual, mas pessoalmente acho a ideia de um ossuário bastante atraente, sendo uma expressão da esperança e expectativa da ressurreição.

- William Lane Craig