#309 Conhecimento Local da Tumba Vazia de Jesus
May 16, 2015Saudações Dr. Craig!
Eu li alguns dos seus artigos que abordam a ressurreição de Jesus e queria agradecer-lhe, em primeiro lugar, pelo seu grande trabalho e esforço.
No entanto, notei que - pelo menos nas obras que li - um argumento específico que parece não ter sido abordado, que meu professor de Novo Testamento que não acredita no túmulo vazio, uma vez utilizou contra uma ressurreição corporal de Jesus. O argumento era: Se o local da tumba de Jesus era conhecido pelos discípulos, teria sido lembrado e provavelmente teria se tornado uma espécie de destino de peregrinação antigo. No entanto, não há nenhuma evidência de qualquer coisa semelhante, assim, é improvável que os discípulos conheciam o túmulo, portanto, não poderiam saber se o túmulo estava vazio ou não.
Então, qual é sua opinião sobre isso?
Muito obrigado!
Simon
Alemanha
<ul><li>Germany</li></ul>
Dr. craig’s response
A [
Eu acho que nós podemos concordar que, se o local de enterro de Jesus fosse conhecido em Jerusalém e os seus ossos continuassem lá, então o túmulo provavelmente teria se tornado uma espécie de destino de peregrinação cedo para qualquer tipo de movimento de Jesus que continuasse a persistir. É claro que tal movimento teria que ter sido muito diferente do movimento de Jesus que existiu depois de sua morte, já que foi fundada na crença da sua ressurreição. Talvez Jesus tivesse sido lembrado por seus admiradores como um mártir judeu cujo túmulo agora era reverenciado.
O fato de que isso não aconteceu, não deve levar-nos a duvidar de que o local do sepultamento de Jesus era conhecido, dada a evidência muito forte para a historicidade de enterro de Jesus em uma tumba por José de Arimatéia, provas que eu já coloquei em meu trabalho publicado e que tem convencido a grande maioria dos estudiosos da historicidade do sepultamento de Jesus. Em vez disso, deveria levar-nos a duvidar de que seus ossos continuam lá. Se o túmulo estava vazio, o túmulo não teria tido o tipo de significado religioso que os túmulos dos reis e dos mártires judeus tinham.
Mas, certamente, você poderia dizer, que o túmulo vazio de Jesus teria tido importância como o lugar onde a sua ressurreição ocorreu. Verdade; mas não há nenhuma razão para pensar que o local não tenha sido valorizado como tal na memória da igreja em Jerusalém. Pelo contrário, temos boas razões para pensar que a tumba que se encontra no interior da Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém hoje, é, na verdade, o túmulo real em que José enterrou Jesus de Nazaré.
A história de como esta tumba foi descoberta é fascinante. Chegando ao poder em 324 o primeiro imperador cristão, Constantino, era zeloso em promover o cristianismo. Ele foi responsável, por exemplo, pela convocação do Concílio de Nicéia, em 325, onde o Credo de Nicéia foi promulgado. Ele deu à sua mãe Helena acesso ilimitado ao tesouro imperial a fim de localizar relíquias da tradição judaico-cristã. Em 326-28 Helena, então na casa dos 70 anos, empreendeu uma viagem à Palestina. Chegando em Jerusalém, ela perguntou onde o túmulo de Jesus estava localizado. Os moradores apontaram para um local onde um templo de Afrodite tinha ficado por mais de um século. Eusébio relata que Constantino, ao saber disso, ordenou que o templo fosse arrasado.
O zelo do imperador não parou aqui; mas ele deu novas ordens para que os materiais do que foi destruído, tanto pedra quanto madeira, deveriam ser removidos e jogados tão longe do local quanto possível; e este comando também foi rapidamente executado. O imperador, no entanto, não estava satisfeito com o procedimento até então: mais uma vez, movido por santo ardor, determinou que o próprio solo fosse escavado até uma profundidade considerável, e a terra que havia sido poluída pelas impurezas de adoração ao demônio transportada para um lugar muito distante. Isso também foi realizado sem demora. Mas assim que a superfície original da terra, debaixo da cobertura de terra, apareceu, de imediato, e contrário a todas as expectativas, o monumento venerável e sagrado da ressurreição de nosso Salvador foi descoberto. Então é que esta santíssima caverna apresentou uma similitude fiel de seu retorno à vida, em que, depois de ficar enterrada na escuridão, mais uma vez surgiu à luz, e proporcionou a todos os que vieram para testemunhar a vista, uma prova clara e visível das maravilhas de que aquele lugar tinha sido uma vez um testemunho da ressurreição do Salvador mais claro do que qualquer voz poderia dar.
Temos aqui uma tradição muito antiga quanto à localização do túmulo de Jesus. Não havia memória da tumba de Jesus no sítio antes da construção do templo pagão lá. A precisão daquela memória se torna provável, em primeiro lugar, pelo fato de que o local foi identificado no interior das muralhas existentes de Jerusalém, embora o Novo Testamento diz que o sítio estava fora dos muros. As pessoas não sabiam a localização das muralhas da cidade antes de 70, quando Jerusalém foi destruída, e assim não percebem que o local identificado foi, de fato, fora dos muros existentes no momento da morte de Jesus. Em segundo lugar, a memória foi justificada pelo fato de que, após a escavação do local, vejam só, eles conseguiram encontrar um túmulo!
Portanto, não é de todo improvável que a igreja primitiva em Jerusalém tenha lembrado o local do sepultamento de Jesus e que esse local seja conhecido hoje. Em contraste, acreditar que a igreja primitiva em Jerusalém não soubesse a localização do enterro de Jesus nos obrigaria a dizer que a história do enterro de Jesus e o túmulo vazio são lendas de desenvolvimento tardio, o que contradiz as múltiplas linhas de evidência para a precocidade dessas duas tradições.
- William Lane Craig