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#252 Apreciação Muçulmana do Argumento Kalam

January 15, 2015
Q

Caro Dr. Craig;

Eu sinceramente espero e oro que esta carta chegue até você. Eu não sou um cristão; Eu sou um muçulmano. Imagine minha surpresa quando eu encontrei um filósofo cristão que respeita e utiliza Imam Al-Ghazzali em sua brilhante discussão e refutação dos proeminentes "novos" ateus! Apesar de eu ter aprendido muito dos argumentos de Imam Ghazzali quando estava crescendo, eu nunca tinha visto eles fundidos com a ciência moderna para criar a tese magistral como eles têm no seu trabalho. Estou muito impressionado e agradeço a Deus que Ele nos trouxe um homem como você para defender o Seu nome em tais tempos difíceis.

A minha pergunta lida com a segunda premissa do argumento cosmológico Kalam: o universo começou a existir. Muitos ateus se apegam a teorias de universos pré-eternos, não importa quão insustentáveis são e uma explicação simples sobre por que elas são insustentáveis é, infelizmente, até então pouco desenvolvido. Mesmo que assim fosse, no entanto, eu acredito que o Dr. Dennett tem um ponto quando diz que, só porque algo é improvável e absurdo não significa que é impossível. Portanto, eu achei o argumento, infelizmente é pouco convincente para muitos ateus.

Tendo assim orado pedindo orientação e contemplado sobre o assunto, eu me perguntei se não poderia afirmar que o próprio conceito de um "agora" supõe um ponto de partida. Tome este argumento, por exemplo:

1. Tudo que tem um "agora" no tempo deve ter um começo.

2. Nosso universo tem um "agora" no tempo

3. Portanto, o nosso universo deve ter um começo.

Comecei a pensar que muito do nosso debate sobre um passado infinito conceitua o passado do nosso ponto de "agora". No entanto, como um passado infinito chegaria a um agora, uma vez que não há fim para os infinitos acontecimentos passados que deve passar. Portanto, está inerentemente assumido em uma ideia de um "agora" que há um começo. Tempo *deve* começar; está inerente ao conceito de tempo.

Desculpe-me se isso não é novidade, mas eu senti que era importante compartilhar. Obrigado mais uma vez pelo seu trabalho. Refiro seu site a muitos jovens muçulmanos; que é, na minha opinião, o recurso mais útil na defesa de Deus. Embora nós divergimos sobre a divindade de nosso mutuamente amado Cristo, espero que os muçulmanos e os cristãos possam compartilhar um vínculo de amor e compreensão como adoradores do mesmo Deus e frutos da mesma árvore sagrada abraâmica. Eu acredito que isso é especialmente importante em nosso tempo que está à beira do niilismo. Esperemos que, quando as previsões de Nietzsche sobre o desespero do niilismo se tornarem realidade, o mundo mais uma vez se voltará para Deus. Até então, porém, nós crentes devemos ficar juntos e consolar uns aos outros. Que Deus guie todos nós e nos inclua em Seu manto de misericórdia infinita.

Sinceramente,

Muhammad

<ul><li>United States</li></ul>

Dr. Craig

Dr. craig’s response


A [

Eu tenho me tornado cada vez mais consciente ao longo dos últimos anos, Muhammad, de quantos muçulmanos estão lendo e apreciando o meu trabalho. Recentemente, recebi uma Pergunta da Semana de um acadêmico no Paquistão, por exemplo, que disse que minha teologia natural tem sido um esteio na resistência ao fluxo do Novo Ateísmo em universidades lá! Devo admitir que tenho sentimentos mistos sobre este desenvolvimento inesperado. Não quero que meu legado seja que ajudei a equipar a próxima geração de apologistas muçulmanos! Eu só posso orar para que os cristãos, também, lucrem com a minha defesa do teísmo e que os muçulmanos também considerem honestamente a força do meu argumento em defesa da morte e ressurreição de Jesus.

Em qualquer caso, nós certamente compartilhamos um herói filosófico em al-Ghazali! Quando estávamos em Jerusalém, em maio passado, fiquei agradavelmente surpreso ao descobrir que na parte de trás do Monte do Templo está uma pequena placa para a rua Ghazali! Eu tinha que ter minha foto tirada sob a placa! Eu acho que o argumento defendido por Ghazali é ainda mais poderoso hoje do que quando ele escreveu. Antes de eu responder ao seu argumento em nome da segunda premissa que o universo começou a existir, deixe-me dizer algumas palavras sobre as suas dúvidas sobre o argumento.

Em primeiro lugar, eu estou um pouco surpreso com seu comentário de que "uma simples explicação de por que [as teorias do universo eterno no passado] são insustentáveis é, infelizmente, até então pouco desenvolvido." Você, evidentemente, não viu o artigo em co-autoria de Jim Sinclair no livro “Blackwell Companion to Natural Theology” [Companheiro Blackwell de Teologia Natural] (Blackwell, 2009). Ele examina uma vasta gama de tais teorias e explica por que cada modelo não pode ser eterno no passado. Você viu que na recente conferência em Cambridge, realizada em honra do 70º aniversário de Stephen Hawking, Alexander Vilenkin apresentou os resultados de um novo estudo fechando a porta em mais dois modelos que alguns esperavam poder evitar o começo absoluto do universo ("Por que os físicos não podem evitar um evento de criação", New Scientist [11 jan 2012])? De acordo com Vilenkin, "Todas as evidências que temos dizem que o universo teve um começo." Reflita sobre essa afirmação um momento. Não é apenas que a prova para o começo do universo supera a evidência de que o universo é eterno; e sim que simplesmente não há nenhuma evidência de que o universo seja eterno. Toda a evidência diz que o universo começou a existir. O autor do artigo do New Scientist diz que papel do Vilenkin foi "o pior presente de aniversário de todos os tempos" para Hawking, que antes da conferência tinha gravado um discurso no qual ele declarou: "Um ponto de criação seria um lugar onde a ciência quebraria. Teria que se apelar para a religião e a mão de Deus”.

Quanto à resposta de Dennett, ninguém pensa que um argumento bem sucedido tem que obrigar assentimento. Se fosse esse o caso, não haveria muitos bons argumentos para qualquer coisa. Quando Dennett e eu dividimos o pódio há alguns anos em Nova Orleans, na conferência Greer-Heard, ele não tinha nada a dizer contra os meus argumentos e evidências em apoio das duas premissas do argumento. Tudo o que ele podia fazer era dizer que se premissas plausíveis implicam logicamente uma conclusão que você tem certeza que é falsa, então você tem que ir para trás e negar uma das premissas, não importa quão plausível seja! Isso comete a falácia da petição de princípio em favor do ateísmo, já que não havia fundamentos para pensar que a conclusão do argumento é falsa.

Quanto ao seu argumento, eu publiquei um artigo há alguns anos atrás, intitulado "Por que é agora?" Ratio 18 (2000): 115-122, em que argumentei a mesma coisa! Se o universo é eterno no passado, então por que, de todos os momentos no tempo, é 2012 agora? Por que não algum momento um pouco mais cedo ou mais tarde? Fiquei intrigado que, em sua resposta à minha recente palestra no Teatro Sheldonian em Oxford, o filósofo Stephen Priest estava lutando para articular essa mesma pergunta, chamando-o de uma das questões filosóficas mais profundas. Ele colocou errado a pergunta, penso eu, perguntando: "Por que agora é agora?" Essa pergunta é trivial, pois quando mais poderia ser agora do que agora? É claro, agora é agora! Mas a questão é, a verdade, "Porque 2012 é agora?" Postular um começo de tempo pelo menos permite-nos responder que agora é 2012 porque esse é o tempo decorrido desde o começo, uma resposta que não está disponível se o universo é eterno no passado.

Note que este argumento é diferente da sua preocupação "Como um passado infinito chegaria a um agora, uma vez que não há fim para os infinitos acontecimentos passados que devem passar". Essa consideração realmente está subentendida no meu segundo argumento filosófico a favor do começo do passado, que foi derivado de Ghazali e imortalizado na Segunda Antinomia de Immanuel Kant em relação ao tempo. É um argumento diferente do que o argumento que você aborda aqui.

A premissa (2) do seu argumento será negada por aqueles que rejeitam a visão temporal de tempo em favor de uma visão atemporal, de acordo com o qual agora não é mais objetivo do que aqui. A distinção entre passado, presente e futuro, dirão alguns, é uma ilusão subjetiva da consciência humana; todos os eventos no tempo são igualmente reais. Por isso, é falso que nosso universo tem um agora no tempo.

Isso não é um déficit em seu argumento, apenas algo que você precisa estar ciente. Eu tenho escrito extensivamente em defesa da teoria temporal de tempo e vou lhe referir para este trabalho (The Tensed Theory of Time: A Critical Examination [A Teoria Flexiva do Tempo: Um Exame Crítico], Synthèse Biblioteca 293 [Dordrecht: Kluwer Academic Publishers, 2000]; The Tenseless Theory of Time: A Critical Examination [A Teoria Aflexiva do Tempo: um Exame Crítico], Synthèse Biblioteca 294 [Dordrecht: Kluwer Academic Publishers, 2000]; para um tratamento de nível popular, ver Time and Eternity: Exploring God’s Relationship to Time [O Tempo e a Eternidade: Explorando o Relacionamento de Deus com o Tempo [Wheaton, Ill.: Crossway, 2001]). Então eu acho que a sua premissa (2) é muito plausivelmente verdadeira.

Obrigado por seus comentários generosos e amáveis desejos!

- William Lane Craig