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#268 Circularidade e Evidência para a Ressurreição de Jesus

May 16, 2015
Q

Olá Dr. Craig,

Eu sou um estudante do segundo ano de graduação na Universidade da Califórnia, e tenho sido um ávido leitor de seu trabalho desde o ensino médio. Eu não posso expressar quão poderoso é o trabalho que você está fazendo para o Reino. O exemplo que você coloca em glorificar o Senhor com a sua mente tem sido uma fonte de grande incentivo para mim.

A falta de rigor intelectual que tem permeado a igreja me entristece profundamente. Muitas vezes eu acho que os cristãos aderem a sua crença puramente através da experiência emocional. Enquanto eles podem ser justificados nessa crença pelo testemunho do Espírito Santo, quando dada a tarefa de explicar a sua crença aos céticos, ou apelar racionalmente aos interessados, eles são incapazes de defender suas crenças com evidências, ou são presos no ciclo de raciocínio circular, usando as escrituras para provar as escrituras.

Eu sou uma parte da equipe de liderança Intervarsity aqui na UCLA e espero poder apresentar e defender seu trabalho apologético através de seminários em um futuro próximo.

Agora para a pergunta:

1. Em sua defesa da pergunta "Deus existe?", um de seus cinco argumentos padrão do ponto de vista teísta é "a ressurreição de Jesus". Nesse argumento, você explica que o Jesus histórico entrou em cena com um sentido sem precedentes de autoridade divina e que Jesus afirmou ser Deus e realizou um ministério de milagres. Você diz que a confirmação suprema da reivindicação de Cristo foi sua ressurreição dentre os mortos. Se Jesus realmente ressuscitou dentre os mortos, então parece que temos um milagre divino em nossas mãos, e, portanto, evidência da existência de Deus. Você expõe três estabelecidos fatos históricos que são melhor explicados pela ressurreição de Jesus e, portanto, fornece provas da existência de Deus. Se esse argumento é sólido, parece que a ressurreição de Jesus é uma prova da existência de Deus.

2. Em alguns de seus trabalhos (e eu acredito que, mais recentemente, em seus Defenders podcasts: Doutrina de Cristo (Parte 24)), você defende a hipótese da ressurreição, ou seja, a hipótese de que Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos. Como parte de seu argumento a favor dessa hipótese, você usa cálculo de probabilidades para mostrar que, enquanto a hipótese da Ressurreição baseada em informação de pano de fundo, por si só, é muito improvável, já que são dadas evidências específicas, a hipótese da ressurreição torna-se muito mais provável. Um aspecto da evidência específica que você dá é a probabilidade da existência de Deus. Embora seja altamente improvável que Jesus tenha ressuscitado dos mortos naturalmente, se Deus existe, então não é de todo improvável que Deus iria levantar Seu filho da morte para cumprir o Seu plano para o universo.

Então, para o primeiro argumento colocado, você afirma que a ressurreição de Jesus serve, por si só, como prova da existência de Deus. Em sua hipótese da Ressurreição, você apela para a prova da existência de Deus como uma parte da prova específica usada para mostrar que a hipótese da Ressurreição é mais provável do que improvável.

Estes argumentos não são, então, raciocínio circular?

Por favor, aponte-me se eu estiver errado em minha conclusão aqui, mas se eu entendo esses dois argumentos corretamente e eles, de fato, usam o raciocínio circular, não seguiria que a hipótese da Ressurreição é inválida, mas apenas mostraria que a ressurreição de Jesus não poderia por si só ser prova da existência de Deus.

Mais uma vez, obrigado por tudo que você está fazendo para o Reino através de seu trabalho e eu quero que você saiba que o impacto do seu trabalho me influenciou significativamente e, eventualmente, eu espero, o campus da UCLA.

Em Cristo,

Jason

Estados Unidos

  • United States

Dr. Craig

Dr. craig’s response


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Eu percebo que eu tenho parte da culpa pela confusão sobre o local da evidência para a ressurreição de Jesus na apologética cristã. No meu trabalho publicado, eu distingo claramente entre Teologia Natural e evidências cristãs. Os argumentos da teologia natural visam demonstrar a existência de Deus genericamente concebida e são propriedade comum de judeus, cristãos, muçulmanos e deístas. As evidências cristãs fornecem fundamentos para acreditar na auto-revelação especial de Deus em Jesus de Nazaré. Aqui vamos além do teísmo genérico para o teísmo cristão. Eu incluo a evidência para a ressurreição de Jesus em evidências cristãs. (Veja Five Views on Apologetics [Cinco Visões sobre Apologética], ed. Steve Cowan).

Minha opinião estudada, então, é que primeiro se estabelece o teísmo com base em argumentos da teologia natural, como o cosmológico, teleológico, axiológico e argumentos ontológicos, de modo que, quando se trata de explicar os fatos pertinentes a Jesus de Nazaré, pode-se incluir como parte de sua informação de fundo a existência do Deus da teologia natural. Você entendeu mal as palestras do Defenders. Lá eu desafio o pressuposto de que a probabilidade da ressurreição em nossa informação de pano de fundo Pr(R|I) é muito baixa precisamente porque podemos incluir a existência de Deus como parte da nossa informação de pano de fundo. Nós já completamos nossa Teologia Natural antes de chegarmos a um exame de evidências cristãs.

Então por que eu frequentemente apresento a ressurreição como parte de um processo cumulativo da existência de Deus em debates? Bem, a razão, francamente, é evangelística. Eu não quero deixar os alunos com apenas um Deus genérico comum a todos os monoteístas, mas com alguma autorização para crer no Deus cristão, o Deus revelado por Jesus de Nazaré.

Agora, se incluímos a própria ressurreição como parte da evidência a favor do teísmo, como costumo fazer nos debates, não se pode incluir a existência de Deus como parte da informação de pano de fundo (embora ainda se possa incluir evidências como o início do universo, o ajuste fino do universo, a realidade dos valores morais objetivos, etc.). O que se vai dizer, neste caso, é simplesmente que nós não temos nenhuma razão para pensar que Pr(R|I) << 0.5.

Então eu espero que você descobra que eu tenho sido consistente em incluir a existência de Deus na informação de base apenas nos casos em que não estou usando a ressurreição como parte de uma defesa para o teísmo. Ao usar a ressurreição como parte de uma defesa teísta, deve-se simplesmente dizer que a ressurreição não foi mostrada como improvável na informação de base porque não ouvimos qualquer bom argumento para o ateísmo.

- William Lane Craig