#83 Doutorado Duplo
August 3, 2014Querido Dr. Craig,
Estou curioso de como você obteve seus dois PhDs. Como você atendeu o segundo? Estou curioso porque tal conquista está além dos meus próprios objetivos. Obrigado, Deus abençoe.
Respeitosamente,
Christopher
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Dr. craig’s response
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Então você é certamente mais ambicioso do que eu era, Christopher! Nós nunca planejamos fazer isso; nós simplesmente fomos levados para isso. Jan e eu temos visto que o Senhor nunca brilha Sua luz para muito dentro do nosso caminho mas nos dá luz o suficiente para dar o próximo passo.
Ocasionalmente eu gosto de pegar uma Pergunta da Semana mais pessoal como a sua, então deixe-me compartilhar um pouco da história de como Deus nos guiou.
No meu último ano no Wheaton College fui apresentado ao assunto da Apologética ao ler An Introduction to Christian Apologetics [Uma Introdução à Apologética Cristã] de E. J. Carnell. O livro de Carnell me eletrificou. Ele estava abordando todas as perguntas interessantes que eu havia pensado a respeito e para as quais queria respostas. Eu admirava Carnell grandemente porque ele havia feito doutorados em filosofia e teologia da Boston University e da Harvard University respectivamente. Eu pensei de quão maravilhoso seria de ter especialidades como aquelas nas duas áreas, mas nunca imaginei que isso seria algo que eu aspiraria em fazer.
Porém, eu aspirava uma educação de seminário seguido da minha formatura na faculdade, então em 1973 me mudei com a minha jovem esposa para Deefield, Illinois, para começar os estudos em Filosofia da Religião com Norman Geisler na Trinity Evangelical Divinity School. Nós passamos dois ótimos ano na Trinity, estudando sob homens como Paul Feinberg, David Wolfe, John Warwick Montgomery, David Wells, John Woodbridge, J. I. Packer, Clark Pinnock, and Murray Harris. Recebi dois mestrados, um em Filosofia da Religião e um em História do Pensamento Cristão. Provou ser uma pedra fundamental no caminho que Deus havia traçado para nós.
Ao chegar perto da formatura da Trinity, Jan e eu estávamos sentados em um final de tarde na mesa de jantar em nosso pequeno apartamento do campus, falando sobre o que fazer depois da formatura. Nenhum de nós tinha uma direção ou inclinação do que fazer depois.
Então Jan disse pra mim, “Bom, se dinheiro não fosse problema, o que você realmente gostaria de fazer?”
Eu respondi, “Se dinheiro não fosse problema, o que eu realmente gostaria de fazer seria ir para Inglaterra e fazer um doutorado sob John Hick.”
“Quem é ele?” ela perguntou.
“Ah, ele é um filósofo britânico que tem escrito extensivamente sobre argumentos para a existência de Deus,” eu expliquei. “Se eu pudesse estudar com ele, eu poderia desenvolver um argumento cosmológico para a existência de Deus.”
Mas dificilmente parecia uma ideia realista.
Na noite seguinte no jantar Jan me alcançou um papel com o endereço de John Hick. “Fui à biblioteca hoje e descobri que ele está na Universidade de Birmingham na Inglaterra,” ela disse. “Por que você não escreve uma carta a ele perguntando se você poderia fazer uma tese doutoral sob a tutela dele sobre o argumento cosmológico?”
Que mulher! Então foi isso que eu fiz, e para nossa surpresa e alegria Professor Hick respondeu de volta dizendo que ele ficaria feliz em supervisionar meu trabalho doutoral naquele assunto. Então era uma porta aberta!
O único problema era que a Universidade de Birmingham exigia um extrato bancário oficial certificando que nós tínhamos todo o dinheiro para todos os anos que levaria para eu completar o doutorado. (Eles não queriam estudantes estrangeiros largando fora na metade dos seus programas doutorais porque haviam ficado sem dinheiro.)
Bem, nós não tínhamos esse dinheiro! Na verdade, nós éramos tão pobres quanto ratos de igreja. Nosso apartamento era tão pequeno que deitando no nosso colchão no chão eu conseguia estender a mão e encostar na geladeira. Nós costumávamos cortar pratos descartáveis na metade para diminuir nossos gastos! (Isso levou para um momento constrangedor um vez quando tive o Dr. Woodbridge em casa para sobremesa, e Jan, nem mesmo pensando a respeito, serviu um pedaço de torta num prato cortado pela metade! Muito gracioso, ele nunca disse nada.)
Mas nós realmente sentíamos que Deus estava nos chamando para a Inglaterra para fazer esse programa. Não havia bolsas de estudo para alunos estrangeiros nas universidades financeiramente amarradas britânicas. Nós teríamos que arranjar o dinheiro nós mesmos. E então a cada manhã e noite começamos a orar para de alguma forma o Senhor suprir esse dinheiro.
Para fazer uma história longa curta, agendamos um horário com um empresário não-Cristão cuja família Jan conhecia, e nós colocamos diante dele o que acreditávamos Deus estava nos chamando para fazer. E esse empresário não-Cristão nos deu - não nos emprestou - todo o dinheiro que precisávamos para fazer o doutorado sob John Hick na Universidade de Birmingham! Foi uma das provisões mais impressionantes do Senhor que eu já vi. Então Jan e eu sentimos que Deus havia miraculosamente nos arrancado e transportado para a Inglaterra para fazer esse programa.
Eu escrevi sobre o argumento cosmológico sob a direção do Professor Hick e fui premiado com um Ph.D. em filosofia da Universidade de Birmingham. Três livros vieram da minha dissertação de doutorado, incluindo The Kalam Cosmological Argument [O Argumento Cosmológico Kalam](1979). Hoje o argumento kalam tem se tornado um do argumentos mais discutidos da teologia natural.
Ao Jan e eu nos aproximarmos do encerramento dos meus estudos doutorais em Birmingham, nosso caminho futuro estava mais uma vez obscuro para nós. Eu havia mandado algumas aplicações para posições de ensino em filosofia em universidades Americanas mas não havia recebido resposta de nenhuma. Nós não sabíamos o que fazer.
Lembro-me como se fosse ontem. Estávamos sentados na mesa de jantar em nossa pequena casa fora de Birmingham, e de repente Jan me disse, “Bem, se dinheiro não fosse um problema, o que você realmente gostaria de fazer?”
Eu ri porque lembrei de como o Senhor havia usado sua pergunta para guiar-nos no passado. Não tive problema em responder sua pergunta. “Se dinheiro não fosse um problema, o que eu realmente gostaria de fazer é ir para a Alemanha e estudar sob Wolfhart Pannenberg.”
“Quem é ele?”
“Ah, ele é um teólogo Alemão famoso que tem defendido a ressurreição de Cristo historicamente,” eu expliquei. “Se eu pudesse estudar com ele, eu poderia desenvolver uma apologética histórica para a ressurreição de Jesus.”
Nossa conversa devaneou para outros assuntos, mas Jan depois me falou que minha colocação havia acendido um fogo sobre ela. No dia seguinte enquanto eu estava na universidade, ela foi para a biblioteca e começou a pesquisar bolsas de estudos para estudar em universidades alemãs. A maioria provou ser beco sem saída ou inaplicáveis em nossa situação. Mas haviam duas bolsas que ela encontrou que eram possibilidades. Você pode imaginar quão surpreso eu fiquei quando ela mostrou pra mim!
Um era de uma agência do governo chamada Deutsche Akademische Austauschdienst (DAAD), que oferecia bolsas de estudos para estudar em universidades alemãs. Infelizmente, os valores das bolsas eram pequenos e não pretendiam cobrir todos os gastos. O outro era de uma fundação chamada Alexander von Humboldt Stiftung. Esta fundação era evidentemente um esforço para Kulturpolitik (política cultural), com o objetivo de refazer a imagem da Alemanha na era pós-guerra. Provia bolsas muito generosas para trazer cientistas estrangeiros e outros acadêmicos para fazer pesquisas por um ano ou dois em laboratórios e universidades alemãs.
Lendo a literatura do Humboldt Stiftung simplesmente fez minha boca salivar. Eles pagariam por quatro meses de um curso de recapitulação de alemão no Instituto Goethe para o acadêmico e cônjuge antes de começar a pesquisa, eles ajudariam em procurar moradia, eles pagariam por visitas a outras universidades se fosse necessário para a pesquisa, eles pagariam por conferências, eles mandariam uma mesada de vez em quando - era inacreditável! Ele até mesmo permitiriam os recipientes a submeterem os resultados de suas pesquisas como uma dissertação doutoral para adquirir um diploma da universidade em que eles estivessem trabalhando.
A literatura enviada pelo Humboldt Stiftung fez evidente que a maioria de seus colegas eram cientistas naturais - físicos, químicos, biólogos, e assim por diante. Mas dizia que os aplicantes de qualquer área eram bem-vindos. Então nós decidimos aplicar para a área de teologia e propor que meu tópico de pesquisa fosse um exame das evidências históricas para a ressurreição de Jesus! E nós decidimos ir para o programa doutoral em teologia ao mesmo tempo.
Nós então começamos a orar de manhã e à noite que Deus nos desse esta bolsa. Às vezes eu acreditava que Deus nos daria isso; mas então eu pensava na comissão de 80 cientistas alemães em Bonn avaliando as aplicações e chegando nesta proposta sobre a evidência histórica da ressurreição de Jesus, e meu coração simplesmente afundava!
Levaria aproximadamente nove meses para o Humboldt Stiftung avaliar as aplicações, e no meio tempo nosso contrato de aluguel estava expirando, então nós precisávamos nos mudar da nossa casa em Birmingham. Então eu disse a Jan, “Querida, você sacrificou muito por mim durante meus estudos. Vamos fazer algo que você gostaria de fazer. O que você realmente gostaria de fazer?”
Ela disse, “Eu sempre quis aprender francês. Eu tive que largar minha aula de francês na faculdade porque eu fiquei doente, e eu sempre me senti mal que não pude aprender francês.”
“O.K.,” eu disse, “vamos para a França e matricular em uma escola de línguas!”
Então nós começamos a olhar as possibilidades. A óbvia era a Alliance Française, que é a escola de línguas oficial na França. Mas uma opção bem mais interessante era o Centre Missionnaire em Albertville, uma escola de línguas Cristã que fica nos Alpes Franceses para trainar missionários estrangeiros para países de fala francesa. Eles enfatizam aprender a realmente falar Francês com o mínimo de sotaque possível, assim como a ler e escrever, junto com todo o vocabulário bíblico e teológico que somente uma escola Cristã poderia prover.
Então nós escrevemos para o Centre Missionnaire, perguntando se poderíamos estudar á. Para nossa tristeza, eles escreveram de volta informando que os aplicantes tinham que ser missionários oficialmente com uma junta de missões e, além do mais, o curso custaria vários milhares de dólares. Bem, nós não tínhamos esse tipo de dinheiro. Nós havíamos gasto quase todo o dinheiro dado a nós pelo empresário para fazer nossos estudos doutorais em Birmingham.
Então escrevi de volta para o Centre Missionnaire explicando nossa situação financeira. Também expliquei que apesar de não sermos missionários oficiais, nós queríamos servir ao Senhor, e inclui uma carta de recomendação de um dos anciãos da igreja Brethren que nós estávamos participando em Birmingham. Então basicamente esqueci esta história.
O tempo passou, e nenhum dos meus outros esforços para encontrar um emprego materializou-se. Nós havíamos enviado tudo o que tínhamos de volta para a casa dos meus pais em Illinois. Em uma semana nós tínhamos que nos mudar de nossa casa em Birmingham, e não tínhamos para onde ir.
Lembro-me de caminhar para minha caixa de correio aqueles dia para coletar as correspondências. Eu encontrei ali uma carta do Centre Missionnaire. Abri preocupado e comecei a ler. E então - meus olhos de repente cresceram ao ler as palavras: “Não importa para nós se vocês são missionários desde que vocês queiram servir ao Senhor. E quanto ao dinheiro, vocês simplesmente paguem o que puderem, e nós confiaremos em Deus para o resto.” Inacreditável!
Mais uma vez nós sentimos como se Deus miraculosamente nos arrancasse e nos transportasse para outro país para fazer Sua vontade. Depois ficamos sabendo que o Centre havia dispensado pagar missionários para nos aceitar em troca. Fomos para a França com um profundo sentimento de comissão divina e então nos debruçamos no nosso estudo da língua. Foi inacreditavelmente rigoroso, mas ao final de nossos oito meses lá eu estava pregando em francês em nossa pequena igreja, e Jan levou nossos vizinhos franceses para Cristo.
Nosso treinamento da língua francesa iria terminar em Agosto, e em Julho ainda não havíamos escutado nada do Humboldt Stiftung. Então um dia recebemos uma carta do Humboldt Stiftung. O único problema era, a carta estava em Alemão, e com o meu alemão enferrujado de ensino médio eu não estava certo no que dizia!
Então pegamos a carta e corremos para dentro da vila para uma pequena livraria, onde encontramos um dicionário Francês-Alemão. Ali lentamente traduzimos a carta para francês, esperançosos nós mal conseguíamos conter nossa empolgação. “Estamos felizes em informá-lo que você foi concedido uma bolsa de estudos da Fundação Alexander von Humboldt para estudar a historicidade da ressurreição de Jesus sobre a direção do Professor Dr. Wolfhart Pannenberg na Universidade de Munich.”Então para os próximos dois anos o governo alemão me pagou para estudar a evidência histórica para a ressurreição de Jesus! Incrível! Absolutamente incrível!
Jan e eu chegamos na Alemanha num dia frio de Janeiro para começar os quatro meses de estudos de língua no Instituto Goethe em Göttingen, uma pequena universidade perto da fronteira do Leste Alemão. Nós havíamos escolhido Göttingen porque a “alta Alemanha” é falada pelas pessoas comuns daquela região, ao invés do dialeto local. É incrível quanto você consegue aprender em quatro meses quando se está imerso na língua. Nós contratamos um estudante universitário chamado Heidi para nos ajudar com nossa pronúncia. Com meus estudos pós-doutorais em Munich chegando, nós estávamos super motivados para aprender Alemão. Depois de dois meses nós estávamos determinados a conversar somente em Alemão um com o outro até 8 horas da noite, quando voltávamos para o Inglês. (É engraçado, mas mesmo quando você sabe o significado das palavras, “Ich liebe dich” simplesmente não transmite a mesma sensação do que “I love you” para um falante de inglês nativo!)
Quando nossos quatro meses terminaram eu havia terminado a classe avançada com a maior nota de “1,” e Jan, cujo conhecimento de Alemão quando começamos não se estendia além de “eins, zwei, drei,” era capaz de conversar livremente com os mercadores e pessoas de nossa cidade. Uma noite durante o jantar no Instituto Goethe ela me impressionou. Havia um provérbio Alemão, “Ohne Fleiss, kein Preis!” (Sem esforço, não há recompensa!). Então durante a refeição Jan perguntou a um colega Turco ao lado dela (em alemão) para passar a carne. Mas ele mostrou para ela um prato de servir vazio e ofereceu a ela um prato de arroz ao invés disso. Para o qual ela instantaneamente respondeu, “Danke, nein! Ohne Fleisch, kein Reis!” (Não obrigada! Sem carne, não há arroz!) Eu quase engasguei! Ela já estava fazendo graça em Alemão!
Tenho que admitir que pareceu um pouco louco passar nove meses aprendendo francês antes de ir para os estudos pós-doutorais na Alemanha. Mas a providência do Senhor é incrível. O primeiro dia eu apareci no departamento teológico na Universidade de Munich para conversar com o professor Dr. Pannenberg, ele me levou para a biblioteca departamental e tirou três livros da prateleira que eram em francês! Pensei para mim mesmo, “Louvado sejas, Senhor!” Eu nunca poderia ter dito a Pannenberg que eu não lia em francês. Isso teria sido o equivalente a dizer que eu não estava qualificado para fazer a pesquisa! Deus sabia o que Ele estava fazendo.
Fazer meu doutorado em teologia sob Pannenberg foi a coisa mais difícil que eu poderia ter feito na minha vida. Eu tive até que passar um exame qualificador de Latim para conseguir aquela gradação, o que fez com que eu precisasse fazer Latim em Alemão! Ao final do nosso tempo em Munich eu havia aprendido tanto sobre a ressurreição de Jesus que eu estava a mundos de onde eu estava quando havia chegado. Como um Cristão, é claro que eu acreditava na ressurreição de Jesus, e eu estava familiarizado com a apologética popular em favor dela; mas eu fiquei bastante surpreso em descobrir como resultado da minha pesquisa quão sólido é a defesa histórica que pode ser feita para a ressurreição. Novamente, três livros vieram dessa pesquisa, um que serviu como a dissertação para meu segundo doutorado, desta vez em teologia pela Universidade de Munich.
Desde aqueles tempo eu tenho tido a oportunidade de debater com alguns do céticos principais do mundo em Novo Testamento como John Dominic Crossan, Marcus Borg, Gerd Lüdemann, e Bart Ehrman, assim como os best-sellers populares como John Shelby Spong, sobre a historicidade da ressurreição de Jesus. Com toda a objetividade, eu preciso dizer que tenho ficado chocado com quão impotente esses acadêmicos eminentes estão quando o assunto é refutar a evidência para a ressurreição de Jesus.
Frequentemente, e quero dizer, muito frequentemente, são considerações filosóficas, e não consideração históricas, que estão na raiz de seu ceticismo. Mas, é claro, esses homens não são treinados em filosofia e portanto fazem erros amadores, que um filósofo treinado pode facilmente captar. Sou tão grato que o Senhor em Sua providência nos direcionou primeiro a fazer trabalho doutoral em filosofia antes de virar para um estudo sobre a ressurreição de Jesus, pois é realmente a filosofia e não a história que está sob os escárnios do ceticismo de críticos radicais.
Então nós somos muito gratos para a forma como Deus tem maravilhosamente nos direcionado ao darmos um passo de fé e nos equipando além daquilo que poderíamos ter imaginado para fazer Seu trabalho.
- William Lane Craig