#259 Existe Verdade Objetiva?
January 15, 2015Dr. Craig, a vida tornou-se absurda para mim. Depois de ter várias conversas com várias pessoas em meus anos de escola, me ensinaram que a maioria não acha que não existe tal coisa como verdade, em vez disso a palavra é só uma questão de opinião e, portanto, não tem significado absoluto. No final da minha conversa, tem sido revelado para mim que qualquer coisa que não é um fato científico é falso, e que essa coisa de verdade é apenas um mecanismo de enfrentamento que o ser humano criou para fazer parecer que a vida tem sentido, mas na realidade não tem nenhum. Como você, como Filósofo/ Teólogo, lida com isso? Estou ansioso pela sua resposta!
Steven
Estados Unidos
<ul><li>United States</li></ul>
Dr. craig’s response
A [
Steven, o seu desespero é totalmente desnecessário e até mesmo errado. Os indivíduos que lhe disseram que "Não existe tal coisa como verdade" não são pensadores claros ou guias confiáveis. A posição que eles defendem é auto-referencialmente incoerente, ou seja, é literalmente autorrefutável.
Basta se perguntar: a declaração
1. Não existe tal coisa como verdade
é verdade? Se não, então não precisa se preocupar, certo? Por outro lado, se a declaração (1) é verdadeira, então segue que (1) não é verdadeira, pois não há verdade. Então, se (1) é falsa, é falsa; e se (1) é verdadeira, é falsa. Então, de qualquer maneira (1) é falsa. A posição que seus amigos defenderam é simplesmente incoerente.
Por favor, não descarte essa resposta como uma mera lógica básica. A posição que seus amigos te ensinaram é apenas auto-refutável e boba.
Na verdade, o resto de sua carta revela que você implicitamente rejeita a visão auto-destrutiva deles, pois você continua afirmando um grande número de supostas verdades:
2. A palavra "verdade" é apenas uma questão de opinião e, portanto, não tem nenhum significado absoluto.
3. Qualquer coisa que não é um fato científico é falso.
4. A verdade é apenas um mecanismo de enfrentamento que os seres humanos criaram.
5.A vida realmente não tem sentido.
Se (1) é verdadeira, então (2) - (5) não podem ser verdadeiras. Agora, já que (1) é auto-destrutivo, você vai ter que abandoná-la e apenas afirmar a verdade de (2) - (5).
Mas, então, o problema é que (1) foi dada como justificação para afirmar (2) - (5). Então, se você desistir de (1), o que garante (2) - (5)?
De fato, (2) - (5) tem problemas auto-referenciais próprios. Considere (2). Esta declaração é uma verdadeira bagunça. É evidente que a palavra "verdade" não é uma questão de opinião. A palavra "verdade" é uma palavra em português, com sete letras. Ela não afirma nada e por isso não pode ser uma questão de opinião. Da mesma forma, o que significa dizer que a "verdade" não tem significado absoluto? Claramente, esta palavra tem um significado (procure-a em qualquer dicionário), como é evidente a partir do fato de que estamos discutindo isso. Se ela tem um significado em português (ao contrário de, digamos, "zliibckk"), eu não sei o que significa dizer que o significado não é absoluto. É claro, o significado de "verdade" é relativo ao idioma português. Não tem nenhum significado em alemão, por exemplo (em oposição a "Wahrheit"). Claramente, o que se entende por (2) é algo mais parecido com
2*. O que é verdade é relativo a pessoa e só uma questão de opinião.
"Verdade para você", como eles dizem, "mas não é verdade para mim." Mas, então, os mesmos problemas auto-referenciais surgem novamente. Se (2*) é verdade, então (2*) em si é apenas questão de opinião e é relativo a pessoa. Mas então não é objetivamente verdadeiro que a verdade é só uma questão de opinião. É apenas a sua opinião de que a verdade é uma questão de opinião, então quem se importa? O problema é que os relativistas querem afirmar que (2*) é objetivamente verdadeiro; mas, nesse caso (2*) é falsa. Então, mais uma vez, é auto-destrutivo.
Ou considere (3). (3) não é em si um fato científico. Não existem experiências que você poderia realizar para prová-la, você também não vai achá-la afirmada em qualquer livro de ciências. É uma afirmação filosófica sobre a natureza dos fatos. Mas afirma que tudo o que não é um fato científico é falso. Mas, então, segue que (3) em si é falsa! Acorde, Steven! Como você poderia ter sido cego a essas incoerências?
E sobre (4)? Verdade e falsidade são propriedades de declarações. A declaração S é verdadeira se, e somente se o que S diz é o caso é realmente o caso. Por exemplo, "A neve é branca" é verdade se, e somente se, a neve é branca. Obviamente, a verdade não é um mecanismo de enfrentamento, uma vez que os mecanismos de enfrentamento não são propriedades de declarações. Isto é apenas pensamento confuso. O que se pretende com (4) deve ser algo como
4 *. Pensamos que S só é verdade porque pensar assim nos permite enfrentar a vida.
Agora a primeira vista (4*) parece-me totalmente implausível. Certamente você pode pensar em todos os tipos de declarações que você acha que são verdadeiras bastante independentemente de se pensar assim ajuda a enfrentar a vida. De fato, algumas das coisas que achamos que são verdadeiras são impedimentos positivos para lidarmos bem com a vida! Mas deixe isso passar. A coisa mais importante é que se (4*) é verdadeiro, então a única razão pela qual você acredita (4*) é porque ela ajuda você a lidar com a vida. Nesse caso, podemos sentir pena de você, mas não estaremos preocupados com a objetividade da verdade como resultado.
Quanto a (5), esta é uma afirmação coerente e importante. Concordo com você que, se Deus não existe, então (5) é verdadeira. Mas se Ele existe, então (5) é falsa. Então, que evidência você tem para apoiar a sua opinião? Vai ser muito difícil você dar qualquer evidência para a sua visão se você nega que a verdade é objetiva e pode ser objetivamente conhecida!
No final das contas, Steven, é uma declaração substantiva dizer que a vida é absurda, e esses seus conhecidos que o levaram a abraçar tal crença lhe enganaram através de argumentos imaturos e afirmações auto-refutáveis. Eu lhe exorto a sacudir o torpor causado por esses sofismas e começar a pensar claramente sobre essas questões!
- William Lane Craig