#251 Lidando com a Dúvida
January 14, 2015Dr. Craig,
Qual é o seu melhor conselho para superar as dúvidas do tipo "e se [...]"? Vejo isto como a minha maior luta. Acho um argumento convincente, e então eu pergunto: "mas e se [...]" Isso constantemente me leva a começar do zero. Eu sei que isso é parcialmente devido ao meu medo de ceder ao cristianismo e, então, estar errado. Não se trata de orgulho. Eu apenas ficaria devastada. Eu passei por essa experiência antes, quando minha fé foi abalada. Ninguém nunca vai chegar a uma conclusão se continuarem a perguntar "e se[...]". Eu sei disso. Então, como posso superá-la. Parece tão simples para alguns. Basta parar de perguntar "e se [...]". Mas aqueles que experimentaram um medo terrível sabem que é mais difícil do que parece. Portanto, para aqueles de nós que sofrem com o síndrome "e se" - o que fazemos?
Amanda
Dr. craig’s response
A [
Às vezes eu gosto de convidar um acadêmico para responder a uma pergunta sobre a qual ele já trabalhou. Michael Licona recentemente falou com a minha turma Defenders [Defensores] sobre o tema da Dúvida, e por isso, Amanda, perguntei a Mike para resolver a sua questão. Acho que você vai achar que você e ele são muito parecidos! A resposta dele a sua pergunta segue:
Eu certamente posso simpatizar com essa duvida! Uma das minhas idiossincrasias é que eu sou um perpétuo questionador. Parece que eu questiono quase tudo. Eu não quero tomar uma decisão ruim, até mesmo em alguns assuntos muito insignificantes. Assim, simplesmente faz sentido que muitas vezes tenho dúvidas referentes a decisões em questões importantes. Não é um exercício intencional. Na verdade, é absolutamente frustrante para mim. Mas essa é a maneira que eu sou.
Como resultado, eu já duvidei da minha fé cristã muitas vezes; às vezes ao ponto de quase me afastando dela. Eu me perguntava: "Tenho recebido lavagem cerebral? Sou incapaz de pensar objetivamente porque eu fui criado para acreditar? E se eu estiver errado?" Tenho a paz que Paulo descreve como sendo a confirmação interior do Espírito de Deus que eu pertenço a Cristo (Romanos 8:16). Mas os mórmons também afirmam ter uma paz de confirmação de Deus assim como os seguidores de outras religiões. Certamente, não podemos todos estar certo, já que muitas religiões se contradizem. Então, como posso saber se a minha paz é realmente de Deus? Essa é uma pergunta difícil. Para ser honesto, eu ainda não sei a resposta para essa pergunta.
Felizmente, quando eu comecei a ter dúvidas na década de 1980, um professor de filosofia entendeu onde eu estava, porque ele também tinha lutado com dúvidas. Eu não tinha Gary Habermas para uma aula na Liberty University, já que ele ensinava no departamento de filosofia, enquanto o meu trabalho de pós-graduação ali era na área de Estudos do Novo Testamento. Mas Habermas me ajudou tremendamente na compreensão da dúvida e como lidar com ela. No que se segue, eu combino alguns dos pensamentos de Habermas com meus próprios. Eu tenho uma boa notícia para aqueles que lutam com a dúvida: Você pode lidar bem com a dúvida tomando quatro ações-chave.
Ação #1: Reconheça que duvidar é normal. Abraão se encontrou com Deus, que lhe informou que ele teria um filho de quem iria surgir uma poderosa nação. No entanto, quando a vida de Abraão estava em perigo, ele mentiu a fim de salvar a si mesmo embora soubesse que a promessa de Deus de um filho ainda não tinha sido cumprida (Gênesis 12). Alguém poderia pensar que ele teria confiado em Deus para salvá-lo. Em vez disso, ele mentiu e Deus acabou intervindo a fim de restaurar a esposa de Abraão, Sara, para ele, que tinha sido tomada como resultado de sua mentira. Vamos para frente oito capítulos. Abraão se depara com a mesma situação. Mas desta vez ele sabia que podia confiar em Deus para protegê-lo sem a necessidade de tomar o assunto em suas próprias mãos e mentir. Bem, não foi isso que aconteceu. Abraão mais uma vez duvidou da promessa de Deus e repetiu o erro. Ele mentiu para o rei que, como o Faraó anteriormente, levou Sara para seu harém e Deus, mais uma vez, teve de intervir (Gênesis 20). No entanto, Abraão viria a tornar-se um homem de grande fé e está listado na lista dos famosos da fé (Hebreus 11). Na verdade, se há um VIP na lista de famosos, é Abraão.
João Batista era primo de Jesus. Ambos haviam nascido de circunstâncias miraculosas. João viria a batizar Jesus, ver ao Espírito Santo descer sobre Ele e ouvir uma voz celestial que afirmou sua posição. João mais tarde foi preso e, em algum momento durante esse período, ele enviou alguns de seus discípulos para perguntar a Jesus se Ele era realmente o Messias ou se deveriam esperar outro. Nossa! Como João poderia fazer essa pergunta, já que ele tinha ouvido as histórias de ambos os nascimentos miraculosos deles e tinha testemunhado sinais divinos quando batizou Jesus? O senso de abandonado na prisão de João trouxe dúvida emocional. Ele sabia da evidência. Mas a vida não estava saindo como ele esperava. Na verdade, estava bastante desagradável naquele momento. Jesus sabia disso. Ele disse aos discípulos de João para voltar a João e relatar os milagres que tinham visto ele realizar, milagres esperados do Messias (ver os Manuscritos do Mar Morto Scrolls 4Q521; ver também Isaías 61:1-2; Lucas 4:16-21). Depois que os discípulos saíram, Jesus voltou-se para a multidão. Todos os olhos estavam olhando para ele. O que Jesus diria para aqueles que tinham acabado de aprender que seu companheiro de ministério agora estava experimentando dúvidas?
O que você saiu para o deserto para ver? Uma cana agitada pelo vento? O que você foi ver? Um homem vestido com roupas extravagantes? Olha, aqueles que usam roupas extravagantes estão nas casas dos reis! O que você foi ver? Um profeta? Sim, eu vos digo, e muito mais do que um profeta. Este é aquele de quem está escrito: "Olha, eu estou enviando meu mensageiro à tua frente, que preparará o caminho diante de você" Digo-lhes a verdade, entre os nascidos de mulher, ninguém tem surgido maior do que João Batista. (Mateus 11:7-11 NET; cf. Lucas 7:24-28)
Observe que Jesus não repreendeu João por duvidar. Em vez disso, ele forneceu evidências, encorajou-o e elogiou-o, dizendo que não há nenhum maior ao mesmo tempo plenamente consciente de que João estava lutando com a dúvida.
Se Abraão e João Batista podem experimentar dúvida enquanto desfrutam o favor de Deus, então parece que Deus entende a nossa estrutura emocional e é paciente conosco. Muitos cristãos nunca experimentam dúvida. No entanto, para aqueles de nós que experimentamos, é reconfortante saber que estamos em boa companhia com outros como Abraão e João Batista. Céticos não são cidadãos de segunda classe no reino de Deus!
"Cara! Isso pode funcionar para aqueles que ouviram de Deus e viram os milagres de Jesus. Mas isso não me ajuda muito, já que eu não vi os Seus milagres." Entendo. Tudo o que eu disse até agora é a primeira ação para lidar com a dúvida: Reconhecer que duvidar é normal.
Ação # 2: Reconheça que existe boa evidência que apóia a verdade do cristianismo. Embora não possamos entrar em uma máquina do tempo, voltar no tempo, e testemunhar os milagres de Jesus, nós temos evidência história muito forte de que o maior de seus milagres realmente ocorreu: Sua ressurreição. Gary Habermas sabe mais sobre o assunto do que ninguém. Alguém poderia dizer: "Entre os nascidos de mulher, ninguém tem mais conhecimento da evidência a favor da ressurreição de Jesus do que Gary Habermas".
Agora, se Jesus ressuscitou dentre os mortos, o cristianismo é certamente verdadeiro. "Mas", você pode pensar: "Sua ressurreição é relatada na Bíblia. Como posso saber se a Bíblia é verdadeira? Devo apenas aceitá-la puramente pela fé?" Durante essa primeira visita com o Professor Habermas, ele me deu uma breve turnê da evidência histórica para a ressurreição de Jesus. Fui confortado em saber que havia evidência real. Mas, na verdade, o caso não era perfeito. A evidência não me deu 100 por cento de certeza. Isso não intimidou Habermas. A ciência não pode prever este grau de certeza, tampouco. A investigação científica e histórica só pode nos levar tão longe. Temos de olhar para a melhor explicação para os dados disponíveis e se contentar com certeza razoável ou adequada, assim como fazemos com outras decisões importantes da vida. O resto é fé e isso é verdade sobre qualquer cosmovisão, seja cristã, judeu, muçulmana, hindu, budista ou ateu. No entanto, a ressurreição de Jesus é incomparável em termos de fortes evidências para confirmar qualquer outra cosmovisão.
Ação # 3: Reconheça que a certeza absoluta é uma expectativa irrazoável. Alguns vivem com fé sem nunca duvidar. Isso é ótimo. Mas alguns de nós somos feitos de tal forma que somos incapazes disso. Alguns anos atrás, eu tive um daqueles momentos "Ah-ha! (de reconhecimento)" que tem mudado a minha vida. Eu percebi que a minha fé é apenas uma das muitas coisas que eu duvido. Eu duvido de muitas decisões muuuuiiitooo depois de eu tê-las feito. Esta é uma idiossincrasia que eu tenho desde a infância e eu odeio isso. Nós não estamos falando apenas de decisões importantes, tais como com quem me casei. Às vezes eu encontro-me reconsiderando, re-reconsiderando e re-re-reconsiderando decisões sem importância, como itens que eu comprei: um relógio, um carro, um perfume. Este reconhecimento apenas tem sido uma grande ajuda para mim para entender por que eu duvido: É como eu sou programado. Para mim, a certeza absoluta é uma expectativa irrazoável. Então, eu estou aprendendo a viver contente com a certeza razoável.
Ação # 4: Reconheça que a fé é mais do que um sentimento ou estar sem dúvida. A fé é um compromisso. Uma vez um homem foi ter com Jesus e pediram-Lhe que curasse o seu filho, que estava possuído pelo demônio. Ele acreditava (afinal, ele veio a Jesus por ajuda), mas pediu a Jesus para ajudá-lo com sua incredulidade (Marcos 9:24). Ele estava confiando em Jesus para curar seu filho. Pedro andou sobre a água e começou a afundar quando ele ficou assustado pelas ondas e duvidou (Mateus 14:28-31). No entanto, foi Pedro quem estava fora do barco, enquanto os outros observavam de dentro dele. Para o seguidor de Cristo, a fé é confiar em Cristo para a salvação. Não há como cobrir a aposta por também ser um muçulmano e hindu. Ser um seguidor de Cristo significa que quando estou diante de uma decisão moral, eu escolho o caminho ensinado por Jesus. Eu sei que eu poderia tomar a outra rota se Cristo não foi ressuscitado. Mas eu obedeço a Jesus, porque eu acredito nele. Eu ainda posso ter dúvidas remanescentes. Mas a fé que eu tenho ganha e determina o meu comportamento na vida de fé. Como o irmão de Jesus, escreveu: "Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a fé pelas minhas obras" (Tiago 2:18 [NET]).
Em resumo, aqui estão as quatro ações-chave para lidar com a dúvida:
Reconheça que duvidar é normal.
Reconheça que existe boa evidência que apóia a verdade do cristianismo.
Reconheça que a certeza absoluta é uma expectativa irrazoável.
Reconheça que a fé é mais do que um sentimento ou estar sem dúvida. É um compromisso.
Para mais sobre como lidar com a dúvida, os leitores podem se beneficiar muito do livro on-line gratuito por Gary Habermas intitulado The Thomas Factor: Using Your Doubts to Draw Closer to God [O Fator Tomás: Usando suas dúvidas para se aproximar de Deus].
Para um caso histórico abrangente para a ressurreição de Jesus, ver o meu recente livro The Resurrection of Jesus: A New Historiographical Approach. [A Ressurreição de Jesus: Uma Nova Abordagem historiográfica].
— Michael Licona
- William Lane Craig