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#315 A Mente que há trás do Universo

May 16, 2015
Q

Caro Dr. Craig,

Obrigado pelo incrível trabalho que você faz em seu ministério.

No ano passado eu estudei a Filosofia da Mente na minha universidade, depois de ouvir o seu conselho para fazer isso no podcast RF. Eu achei extremamente interessante e certamente me abriu para algumas realidades sobre o campo que eu não teria esperado ser verdade (como o aumento do número de filósofos modernos que estão se inclinando para o dualismo).

Para a minha pergunta: Parece-me que a sua sugestão, que a única causa racional para o universo é uma mente sem corpo, pressupõe o dualismo. O que você considera serem os melhores argumentos para dualismo, à luz da maioria materialista?

Além disso, o que você considera ser o melhor argumento para uma mente sem corpo como a primeira causa em vez de um objeto abstrato? O 'multiverso' poderia, como descrito pelo Prof. Lawrence Krauss e outros neo ateus, ser tal objeto abstrato? Se assim for, isto coloca a noção de uma mente sem corpo como a primeira causa em segundo lugar?

Obrigado por sua ajuda, é muito apreciada.

Felicidades,

Ben

Estados Unidos

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Dr. Craig

Dr. craig’s response


A [

Estou feliz que você tenha achado nossos podcasts do Reasonable Faith úteis, Ben. Para aqueles que não têm o conhecimento para a compreensão de sua pergunta, deixe-me explicar que o argumento cosmológico kalam pode ser entendido como uma série de três disjunções a respeito do universo, cuja existência é considerada como:

Tendo eliminado as disjunções de que o universo não tem começo e que o seu começo foi sem causa, eu apresento três argumentos porque a causa do começo do universo é plausivelmente pessoal ao invés de impessoal.

Um desses argumentos apela para propriedades da primeira causa que já foram deduzidas no curso do argumento: o próprio deve ser desprovido de causa, sem começo, atemporal, sem espaço, e imaterial. Agora eu pergunto, que entidade poderia se encaixar em tal descrição? Bem, ao pensar sobre isso, apenas dois candidatos vêm à mente: ou um objeto abstrato ou uma mente sem corpo. Os objetos abstratos, como números, proposições e propriedades são geralmente descritos em tais termos. Da mesma forma, as mentes são descritas como imateriais e espacialmente sem extensão e, se imutável, poderiam existir atemporalmente e sem começo.

Agora algumas pessoas erroneamente acusam que, em dizer assim, eu de alguma forma pressupunha que o dualismo é verdadeiro, no sentido de que existem mentes. Mas essa acusação é evidentemente falsa. Estou simplesmente listando os possíveis candidatos que poderiam se encaixar em tal descrição. Se alguém pode pensar em outro tal candidato, eu vou adicioná-lo à lista. Que eu não pressuponho que o dualismo é verdadeiro deveria ser óbvio a partir do fato de que eu não acho que, de fato, é possível que existam objetos abstratos sem causa. Eu defendo que tais objetos são metafisicamente impossíveis. Mas eu os inclui na lista porque eles se encaixam na descrição e são, portanto, candidatos para consideração. Da mesma forma uma mente deve ser incluída como um candidato na lista.

Eu, então, argumento que a causa do universo não pode ser um objeto abstrato porque objetos abstratos não estão em relação causal com efeitos. A impotência causal de objetos abstratos é, por definição, de serem abstratos. Portanto, nenhum objeto abstrato pode ser a causa do universo. (Note que eu não uma faço petição de princípio contra os objetos abstratos ao pressupor a minha própria opinião sobre a irrealidade de tais objetos. Antes, eu argumento com base em propriedades que eles teriam se eles existissem, ou seja, a impotência causal.) Daí resulta que a causa do universo é uma mente.

Eu confio que seja evidente que o meu argumento é, portanto, na verdade, um argumento a favor do dualismo, em vez de um argumento que pressupõe o dualismo. O não-teísta não pode simplesmente supor a falsidade do dualismo, mais do que eu poderia simplesmente assumir a irrealidade de objetos abstratos, pois isso seria desvirtuar a questão contra o dualismo. Agora, é claro, se o não-teísta tem argumentos contra o dualismo para apresentar, então estes teriam de ser combatidos se alguém for considerar que a causa do universo é uma mente sem corpo. Assim, o não-teísta é bem-vindo para apresentar seus argumentos por que uma mente não pode ser a causa do universo, assim como tenho argumentado que objetos abstratos não podem ser a causa do universo. O que ele não pode fazer é simplesmente supor que o dualismo é falso (que, quando você pensa sobre isso, é equivalente a pressupor que o ateísmo seja verdadeiro!)

Em resposta aos argumentos do não-teísta contra o dualismo, podemos reforçar nosso caso apresentando argumentos para o dualismo corpo-mente em seres humanos. Aqui eu acho o argumento da intencionalidade, mencionado no meu debate com Alex Rosenberg, praticamente irresistível. O próprio Rosenberg reconhece que nenhum objeto físico ou material pode apresentar intencionalidade. Isso o leva à conclusão absurda de que a intencionalidade é uma ilusão, que nunca pensamos em nada, ou alguma coisa. Não somente essa conclusão é obviamente falsa, mas na verdade é incoerente. Pois uma ilusão é, em si, um estado intencional: temos uma ilusão de algo! Assim, mesmo uma ilusão de intencionalidade envolve intencionalidade. O naturalismo de Rosenberg é, portanto, auto-referencialmente incoerente.

Portanto, em resposta à sua pergunta sobre o melhor argumento para a causa do universo ser uma mente em vez de um objeto abstrato, devo dizer: o ineficaz causal dos objetos abstratos. Você pergunta, poderia o multiverso ser um objeto abstrato? Obviamente que não, uma vez que o multiverso é uma realidade concreta, uma coisa física espaço-temporal. Na verdade, quando se fala de "universo" no argumento cosmológico kalam, o termo é tomado para se referir a toda a realidade do espaço-tempo contíguo e assim inclui o multiverso, se ele existir. O ponto é que o próprio multiverso teve um começo e por isso deve ter uma causa transcendente. Meu argumento é, então, que esta causa deve ser uma mente sem corpo, trazendo-nos, assim, não apenas para a primeira causa do universo, mas ao seu Criador pessoal.

- William Lane Craig