#382 Perguntas sobre o Argumento Cosmológico de Leibniz
May 16, 2015Caro Dr. Craig,
Tenho discutido com um amigo que é ateu. Eu também sou ateu ou talvez mais corretamente, um agnóstico sobre o argumento cosmológico de Leibniz. Em nossa discussão, tenho defendido a versão do argumento cosmológico de Leibniz no Em Guarda:
(1) Tudo o que existe tem uma explicação para sua existência, seja na necessidade de sua própria natureza ou em uma causa externa.
(2) Se o universo tem uma explicação para sua existência, esta explicação é Deus (ou, como eu coloquei para ele, uma mente sem corpo com muitas das propriedades clássicas de Deus que poderia ter as propriedades adicionais de Deus).
(3) O universo existe.
(4) Portanto, o universo tem uma explicação para sua existência.
(5) Portanto, a explicação para a existência do universo é Deus.
Duas das objeções dele me incomodam. Por conseguinte, tenho três perguntas sobre o argumento cosmológico de Leibniz para você.
Em primeiro lugar, é verdade que não há contradição entre o nada (apesar de não ser uma coisa, ou o vácuo quântico) tendo o potencial de criar um universo e o universo vindo à existência sem causa começando com nada?
Em segundo lugar, se comete a falácia da composição quando se afirma que porque tudo que observamos tem uma explicação para sua existência (provavelmente por isso que temos o princípio metafísico trabalhando aqui), o universo provavelmente tem uma explicação para sua existência? Pareceu-me razoável racionalizar indutivamente que, baseado na observação de que tudo ter uma explicação para existência, o universo provavelmente tem [uma explicação para sua existência]. Mas o meu amigo salienta que quando usamos o raciocínio indutivo, pegamos uma amostra de coisas separadas em uma categoria e fazemos uma afirmação sobre essa categoria de coisas em geral. Nós não pegamos uma amostra de partes separadas de uma coisa (neste caso, o universo) e fazemos uma afirmação sobre esta uma coisa. Uma vez que todas as coisas observáveis são parte do universo, meu amigo disse que eu estava fazendo o último (eu tive que conceder o ponto, mas sugeri que talvez dependia de tratarmos o universo como uma categoria de todas as coisas ou uma composição delas).
Em terceiro lugar, uma vez que parece que o argumento cosmológico de Leibniz ainda está vivo no academicismo, existem autores que escrevem sobre o argumento cosmológico de Leibniz que você recomendaria para ler mais?
Se após investigação suficiente, o argumento de Leibniz prova ser mais plausivelmente verdadeiro do que falso, então baseado nele e o no argumento abdutivo para a historicidade da ressurreição de Cristo, eu estou preparado para fazer a Aposta de Pascal.
Obrigado por ler minha carta.
John
Canadá
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Dr. craig’s response
A [
Que bom para você, John! Há grande ganho a ser obtido ao apostar em Deus e pouco ou nada a perder. Fico feliz que você e seu amigo tem discutido essas coisas. Espero que eu possa empurrá-lo para o ponto de decisão.
Sua primeira pergunta é confusa em sua formulação e precisa de alguma eliminação de ambiguidades. Como expliquei em meu diálogo com Lawrence Krauss em "Why Is There Something rather than Nothing? [Por que Existe Algo em vez de Nada?], a palavra "nada", propriamente falando, não se refere a alguma coisa, mas ela é sinônima de "não qualquer coisa." Nesse sentido, a frase "nada tem o potencial de criar um universo" significa "não há nada que tem o potencial de criar um universo", assim como "nada tem o potencial de ultrapassar a velocidade da luz" significa "não há nada que tem o potencial de exceder a velocidade da luz." Neste sentido próprio, o teísta vai dizer que certamente existe algo que tem o potencial de criar um universo, ou seja, Deus. Portanto, é falso que nada tem o potencial de criar um universo.
Esse sentido é diferente, eu suspeito, da reivindicação confusa do seu amigo que "nada tem o potencial de criar um universo". Ele, sem dúvida, considera "nada" como se referindo a um estado da existência de nada ou de não-existência. Mas, mesmo nesse sentido impróprio, a alegação é claramente falsa, já que um estado de existência de nada não tem propriedades, não há nenhuma potencialidade uma vez que não há nada para possuí-las.
Agora a pergunta é: existe uma contradição entre a (falsa) alegação "nada tem o potencial de criar um universo" e a (igualmente falsa) alegação: "o universo veio a existência sem causa começando com nada (ou seja, não começando de qualquer coisa)"? Eu não consigo ver qualquer tipo de contradição ou incompatibilidade entre essas duas declarações, compreendidas corretamente.1 A primeira alegação nega que há algo com o potencial de criar o universo; a segunda reivindicação sustenta que o universo não veio do nada, mas sim surgiu sem causa. Então, essas reivindicações parecem perfeitamente compatíveis: a segunda alegação é de que o universo não foi criado, e a primeira alegação é que não há nada que mesmo poderia ter criado o universo. A primeira afirmação é apenas um pouco mais forte do que a segunda: a segunda afirma que o universo não foi criado enquanto a primeira diz que o universo não pode ser criado.
O que eu não consigo ver é algum derrotador [defeater] aqui para o argumento Leibniziano enunciado acima. Seu amigo está simplesmente afirmando que o universo não tem explicação para sua existência. Mas, como Leibniz argumentou, simplesmente não há razão para isentar o universo da premissa (1). (Lembre-se da "falácia do táxi" - negar arbitrariamente o Princípio da Razão Suficiente assim que se chega ao destino desejado.)
Quanto à sua segunda pergunta, você está absolutamente correto em distinguir entre argumentar indutivamente e discutir por composição. Estes são modos muito diferentes de raciocínio.
Alguém poderia argumentar indutivamente em favor da verdade da premissa (1), alegando que as coisas que encontramos na experiência têm explicações para sua existência, sem qualquer raciocínio sobre partes e todo. O fato de que as coisas individuais que encontramos são parte do universo é simplesmente irrelevante para o modo de raciocínio empregado.
A objeção que dará o “knock-out” à reivindicação do seu amigo que (1) é a conclusão do raciocínio por composição é o fato de que (1) é uma generalização universal. Ela afirma que, para qualquer x, se x é uma coisa existente, então x tem uma explicação para sua existência. Não é uma declaração sobre uma coisa e, portanto, não pode ser o resultado de uma inferência das partes de uma coisa para o todo.
No meu caso, eu não chego à verdade de (1) indutivamente ou por raciocínio parte-todo. Antes, eu acho que a premissa (1) é apenas uma verdade metafísica óbvia, já que se pensa nela. Se algo existe por uma necessidade de sua própria natureza, que explica por que ela existe, e se algo existe contingentemente, então deve haver alguma explicação fora dele que explique por que ele existe, em vez de não existir.
A resposta à sua terceira pergunta é um entusiasmado "Sim!" Eu recomendo especialmente o trabalho de Alexander Pruss sobre este assunto, por exemplo, seu livro The Principle of Sufficient Reason: A Reassessment [O Princípio da Razão Suficiente: Uma Reavaliação] (Cambridge: Cambridge University Press, 2006), ou o seu longo ensaio "O argumento cosmológico de Leibniz," em The Blackwell Companion to Natural Theology, ed. Wm. L. Craig e J. P. Moreland (Oxford: Wiley-Blackwell, 2009).
Estou animado com a perspectiva de você tornar-se cristão!
1 Dito isto, eu aposto que o seu amigo está fazendo a afirmação confusa e contraditória que o universo veio a existir sem causa e que o nada fez com que o universo viesse a existir. Isto é, de fato, contradição empilhada em cima de confusão!
- William Lane Craig