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#144 A Existência Necessária e o Argumento Ontológico

October 28, 2014
Q

Dr. Craig,

Tenho apreciado muito seu site no pouco tempo que tenho passado nele! Eu tenho um grande interesse em filosofia cristã e como ela se encaixa com a Bíblia.

A minha pergunta refere-se ao argumento ontológico. Eu realmente tenho gostado mais deste argumento na sua forma de sete passos (ou na forma de Plantinga também, que, do jeito que eu vejo é praticamente a mesma). O problema para mim surgiu em negar a primeira premissa: é possível que um ser de grandeza máxima NÃO existe. Disso fluiria as mesmas premissas, resultando na conclusão oposta "portanto, Deus não existe." Eu sei que isso é falso, mas eu não consigo apontar qual a falácia.

A minha pergunta é, devemos rejeitar a premissa 1 do argumento da "negação"? Existe uma falácia em algum lugar? Ou podemos combater isso usando um forte argumento cosmológico primeiro, demonstrando a necessidade de um ser grandioso em primeiro lugar. Este último passo parece tornar esse argumento da negação inútil, uma vez que dizer que Deus deve existir enquanto dizendo que Ele não deve existir é incoerente. Gostaria muito de receber uma clarificação sobre o assunto!

Obrigado por tudo que você faz para o corpo de Cristo!

Randy

Pergunta 2:

Dr. Craig,

Eu sou um cristão, e eu estou tentando manter a minha fé em Deus. Ele é tudo que eu sempre conheci de mais verdadeiro. De qualquer forma, a pergunta era:

Será que é mesmo possível para nada existir? Porque se nós acabássemos com este universo, não haveria apenas uma espécie de vazio?

Eu li esta seguinte declaração seguinte, e eu poderia apenas estar confuso, mas aqui está:

Começamos, então, com o nada, puro zero. Mas isto não é o nada da negação, porquanto não significa outro que é apenas um sinônimo do numeral ordinal segundo. Como tal, ele implica um primeiro; enquanto o presente puro zero puro presente vem antes de todo primeiro. O nada da negação é o nada da morte, que vem em segundo lugar de, ou posterior a todas as coisas. Mas este puro zero é o nada de não ter nascido. Não há coisa individual, nenhuma compulsão, externa ou interna, nenhuma lei. É o nada germinal, em que todo o universo está envolvido ou prenunciado. Como tal, ele é possibilidade absolutamente indefinida e ilimitada - possibilidade sem limite. Não existe nenhuma compulsão e nenhuma lei. É uma liberdade sem limites.

-Charles S. Peirce

Seria muito apreciada uma ajuda sua aqui. Estou pensando em fazer filosofia ao ir para a faculdade em janeiro, então eu só estou tentando manter minha fé e aprender a crescer em Cristo.

Muito obrigado,

-Daniel

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Dr. Craig

Dr. craig’s response


A [

Ambas suas perguntas tem o suporte no argumento ontológico. Para a comodidade dos leitores que não estão familiarizados com o argumento, aqui é a versão de Alvin Plantinga mencionada acima:

1. É possível que um ser de grandeza máxima exista.

2. Se é possível que um ser de grandeza máxima exista, então um ser de grandeza máxima existe em algum mundo possível.

3. Se um ser de grandeza máxima existe em algum mundo possível, então ele existe em todos os mundos possíveis.

4. Se um ser de grandeza máxima existe em todos os mundos possíveis, então ele existe no mundo real.

5. Se um ser de grandeza máxima existe no mundo real, então um ser de grandeza máxima existe.

6. Portanto, um ser de grandeza máxima existe.

Agora, você está absolutamente correto, Randy, ao notar que, se alterar a primeira premissa para

1'. É possível que um ser de grandeza máxima não existe,

então a conclusão segue que

6'. Portanto, um ser de grandeza máxima não existe.

Não há falácia aqui. Toda a questão é: qual você acha que é mais plausivelmente verdadeira: (1) ou (1')?

Talvez você esteja tentado a dizer que ambas são verdadeiras: é possível que tal ser exista e é possível que ele não exista. Mas aqui é crucial que nós mantenhamos clara sobre a diferença entre a possibilidade metafísica e meramente epistêmica. A afirmação "É possível que Deus existe, e é possível que Ele não existe!" só é verdade no sentido de possibilidade epistêmica: "pelo que sabemos," Deus pode existir ou Ele pode não existir. Por outro lado, se Deus é concebido como um ser maximamente grande (isto é, um ser que é maximamente excelente em todos os mundos possíveis), então Sua existência ou é necessária ou impossível, independentemente da nossa incerteza epistêmica.

Para ilustrar: imagine ver alguma equação matemática extraordinariamente difícil escrito na lousa. Se for além da nossa capacidade de compreender, podemos dizer que é possível que a equação seja verdadeira e é possível que ela seja falsa. Mas, assim, meramente confessamos nossa incerteza epistêmica relativa ao valor de verdade da equação. Como uma questão matemática, a própria equação ou é necessariamente verdadeira ou necessariamente falsa. Nós simplesmente não sabemos qual. Mas se for verdade, é necessariamente verdade, e, portanto, não é possível que ela seja falsa. E se ela for falsa, então é necessariamente falsa, e, portanto, não é possível que seja verdade.

Da mesma forma, o fato de poder entreter a possibilidade epistêmica de (1) ou (1 ') não implica que ambas sejam metafisicamente possível. Apenas uma das duas pode ser verdade, e cabe a nós decidir qual nós pensamos que é. O ateu tem de defender que o conceito de um ser maximamente grande é incoerente, como o conceito de um solteiro casado. O conceito de um solteiro casado não é um conceito estritamente auto-contraditório (como é o conceito de um homem casado descasado), e, apesar de ser óbvio, uma vez que se compreende o significado das palavras "casado​​" e "solteiro", que nada correspondente a esse conceito pode existir. Por outro lado, o conceito de um ser maximamente grande não parece nem remotamente incoerente. Pelo contrário, o conceito de um ser maximamente grande parece ser intuitivamente uma noção coerente e, por conseguinte, possivelmente instanciado.

Eu concordo com você que podemos reforçar a justificativa intuitiva para a premissa (1) apelando a outros argumentos como o argumento cosmológico. Eu vejo os argumentos para Deus como se reforçando mutuamente como os elos em casaco de cotas de malha, ao invés de como meros elos de uma cadeia. Discuto tal justificativa para a premissa chave do argumento ontológico mais demoradamente em Reasonable Faith, 3a ed. (Crossway, 2008).

Agora, se o argumento ontológico é, como penso, sólido, segue-se, Daniel, que não é possível que nada existe. Não há mundo possível em que nada existe, porque Deus existe em todos os mundos possíveis.

Quanto à afirmação que você acha confuso, bem-vindo ao clube! Acho que é difícil acreditar que um eminente filósofo como C.S. Peirce poderia ter escrito tal disparate. Eu o incentivaria a rastrear a fonte original na sua biblioteca da universidade para verificar.

Eu interpreto a declaração como uma tentativa de estabelecer uma distinção entre o nada absoluto e o nada como a negação de algo. (Os antigos filósofos gregos fizeram uma distinção semelhante.) O autor toma o número 0 como um símbolo do nada absoluto, o número ordinal 2 simboliza o outro ou outra coisa, e 1 simboliza a negação de outra coisa. O ponto, eu acho, é que 1 ≠ 0. O nada da negação é comparada à morte, o que pressupõe um estado anterior de existência; mas puro nada "precede" todo o ser, como o nascimento precede a vida. Como tal, não tem propriedades ou restrições, que o autor considera liberdade total e possibilidade ilimitada. Isso parece muito errado, porém: nada absoluto não tem propriedade nenhuma e, portanto, não tem potencialidades. É desprovido de possibilidades, como de todo o resto (que é a razão porque algo não pode vir a partir do nada).

De qualquer forma, o autor parece ter por certo que tal estado de absoluto não-existência é realmente possível, o que, se o argumento ontológico estiver correto, é uma suposição equivocada.

- William Lane Craig