#250 A Vida é Absurda sem Deus
January 15, 2015Caro Dr. Craig,
Recentemente assisti ao seu podcast Immortality and Meaning [Imortalidade e Significado], o que me levou a fazer esta pergunta no suposto absurdo da vida sem Deus. Depois de ler o seu capítulo sobre o assunto em Reasonable Faith, o artigo que acompanha seu site e alguns comentários sobre o seu trabalho por ateus, eu agora questiono se a vida é realmente absurda no ateísmo. Particularmente, o artigo de Stephen Maitzen "Sobre Deus e Nossa Finalidade", escrito como uma resposta ao seu trabalho sobre o assunto e a sua resposta à Pergunta # 179, tem levantado muitas objeções sérias à defesa que a vida sem Deus e imortalidade é absurda. Infelizmente, a sua defesa aqui não tem a clareza característica com a qual você apresenta seus argumentos para o teísmo. No entanto, eu acho que você está afirmando algo semelhante a estas quatro condicionais:
a. Se a vida e o universo chegarão a um fim, então não há nenhum significado ou propósito final para eles.
b. Se Deus não existe, então não há razão prudencial para se comportar moralmente.
c. Mesmo que a vida e o universo não cheguem a um fim, ainda assim não haveria nenhum significado ou propósito final, porque (a vida e universo) seriam o resultado de acidentes cósmicos.
d. Se Deus não existe, então valores e deveres morais objetivos não existem.
Exceto para (d), os outros três sofrem de muitos problemas.
Primeiro de tudo, (a) parece comprovadamente falsa. O fato de que as coisas se extinguem parece não fazer nada para torná-las insignificantes. Maitzen objeta,
[Craig] vai mais longe: as nossas vidas têm um significado final apenas se, em última análise, tiverem significado. Elas não têm significado final, se algum dia elas acabam. Se deixarmos de existir quando nossos corpos morrem, nossas vidas não significam nada.
Por quê? Porque aparentemente nada que chega ao fim é importante e todas as coisas que tem fim são igualmente insignificantes. A não ser que sejamos imortais, diz Craig, ‘A humanidade não [...] é mais importante do que um enxame de mosquitos ou um curral de porcos, pois seu fim é o mesmo’.
Craig nunca defende sua afirmação de que nada temporário tem um significado ou de sua implicação de que todas as coisas temporais são igualmente insignificantes. Ele apenas repete, muitas vezes, como se deveria ser óbvio. Mas é verdade que nada temporário tem um significado? Pense na ótima música ou drama. Será que uma apresentação de Tosca ou King Lear de classe mundial não têm significado apenas porque dura apenas algumas horas? Elas teriam mais significado se nunca terminassem? Dificilmente. O seu significado na verdade depende no fato de ter um arco finito; perderia seu significado e se tornaria insuportavelmente tediosa se fosse para sempre. E seu comprimento finito nem tampouco torna-a tão insignificante quanto uma igualmente longa soneca. Claramente, então, precisamos de uma medida da importância melhor do que a mera duração.
Além disso, mesmo que seja o caso de certas coisas perderem o sentido com o tempo, elas vão sempre ter significativas, assim como um grande peça de teatro é significativa no momento em que ela é apresentada (embora possa não ser significativa 1000 anos mais tarde). Como todos nós estamos vivendo no presente, por que o ateu não pode sustentar que o que fazemos tem um significado porque importa agora?
Em seguida, no que diz respeito a tanto (a) e (d), os termos "final" (ou último), "significado" e "propósito" estão mal definidos. Eu entendo que você tenha destrinchado suas definições na Pergunta 179 da seguinte forma:
Tenho tentado analisar o absurdo da vida em termos da falta de significado, valor e propósito final da vida. A palavra "final" é importante aqui, pois obviamente podemos ter propósitos subsidiários e valores condicionais sem Deus, mas a minha afirmação é que, em última análise, nada realmente importa se não há Deus. Parece-me que há dois pré-requisitos para uma vida significativa, valiosa e com propósito em última análise, isto é, Deus e a imortalidade, e se Deus não existe, então não temos nenhum dos dois.
Por "significado” eu quero dizer algo como significância (significado) ou importância. Por "propósito" quero dizer um telos ou um objetivo de vida.
Apesar disso, eu acho que você ainda poderia ser mais claro. Em primeiro lugar, o que você quer dizer com "significado ou importância"? Pelo que entendi, conceitos como significado e importância são termos relativos: as coisas são importantes em relação apenas a outras coisas. Você está dizendo que no teísmo nossas vidas são as coisas mais importantes? Isso parece difícil de entender, já que Deus é o maior ser concebível e, intuitivamente, Ele é mais importante do que nós. Em segundo lugar, usar "propósito" para se referir a "telos ou objetivo de vida" comete a falácia da petição de princípio porque é óbvio no ateísmo que um telos ou objetivo de vida não existe. Mas nenhum ateu iria achar isto perturbador ou problemático. Em terceiro lugar, tanto o "significado ou importância" e "telos ou objetivo de vida" são conceitos subjetivos mesmo na escala divina, eles são relativos e atribuídos por Deus. Portanto, não faz sentido falar de significado objetivo e propósito. Finalmente, como Maitzen deixa claro no artigo, o seu uso do termo "final" é vago e pode significar tanto "sem fim" ou "inquestionável." Maitzen rejeitou a primeira definição por sua crítica de (a), então talvez você esteja usando a segunda definição: a de que "final" é inquestionabilidade. Isso é muito claro pela forma como você critica as respostas ateístas para o problema de significado e propósito. Maitzen oferece, para mim, uma refutação devastadora contra esta definição, e acho que é mais fácil simplesmente citá-lo na íntegra:
Esta versão do argumento começa com a pergunta "O que há de tão bom em alimentar crianças morrendo de fome?" Uma resposta vem com bastante facilidade: "Alivia o sofrimento de inocentes e dá-lhes a oportunidade de florescer." Mas note que nós podemos usar nossa imaginação para "dar um passo para trás" dessa resposta: imagine olhando para a Terra de um bilhão de quilômetros de distância ou olhando para trás um bilhão de anos no futuro. Tendo dado um passo para trás, podemos perguntar: "O que há (ou o que havia) de tão bom em fazer isso?" Dê passos o suficiente para trás e qualquer propósito pode começar a parecer pequena e trivial na vastidão do tempo e do espaço. É uma ideia bastante familiar que você pode fazer algo parecer insignificante, ou mesmo revelar sua verdadeira insignificância, ao recuar dele. Pense nos pais que tentam convencer seu filho choroso que um incidente embaraçoso na escola não é realmente uma razão para parar de viver.
O argumento explora a nossa capacidade de tomar a visão a longo prazo - para ocupar um ponto de vista que faz qualquer propósito questionável, não importa o quão significativo que pareça: Por que se preocupar em ir atrás daquele propósito? Como já vimos, não é difícil ir por este caminho e logo podemos nos encontrar buscando um propósito que transcende os limites da nossa existência terrena. "Nossas vidas não podem ter significado", podemos concluir, "a menos que seu significado vá além do nosso tempo na Terra."
Esta versão do argumento, então, encoraja-nos a concluir que um objetivo final requer a existência de Deus e é garantido pela existência de Deus, já que somente a existência de Deus coloca um fim às perguntas da forma "O que há de tão bom nisso?" A cosmovisão ateísta nunca põe um fim a elas e, portanto, mais cedo ou mais tarde leva-nos ao desespero. O teísmo, por outro lado, dá-nos um ponto de parada satisfatório: o propósito de Deus em nos criar, ou talvez o propósito de Deus ao criar o universo. Quando se trata do propósito de Deus, já não faz sentido perguntar "O que há de tão bom nisso?" É um propósito que não pode ser diminuído, não importa quão para trás você vá. Ou assim é o argumento.
Infelizmente para o teísmo, no entanto, o argumento não funciona. Você não pode colocar um fim a essas perguntas irritantes, não importa o que você faça. Qualquer propósito que possamos começar a entender, podemos recuar dele e questionar. Considere o que as religiões teístas oferecem como propósito real de Deus para nossas vidas: glorificá-lo e desfrutar de sua presença para sempre. Certamente podemos perguntar – e ei de fazê-la - "O que há de tão bom nisso" O que há nessa atividade que responde automaticamente à pergunta "Por que isso vale a pena em última análise?" Nós não estamos fazendo uma pergunta confusa ou sem sentido como "Que horas são no sol?" ou "Por que aqui é aqui?" É a mesma pergunta que Craig colocaria a qualquer propósito de vida que um ateu pode oferecer. Nós podemos sensatamente questionar qualquer resposta possível a ela exatamente da mesma maneira.
Concedendo que no meio de um encontro pós-morte em êxtase com Deus pode não ocorrer a você perguntar: "Por que isto é final?" Mas a pergunta persistiria mesmo assim. Da mesma forma, você pode evitar considerar uma pergunta por ficar totalmente drogado ou cometendo suicídio diante dela, mas você não questiona a pergunta, muito menos pode fazê-la desaparecer. Seguindo São Paulo, os teístas podem responder: "Nesta vida você vê através de um espelho, obscuramente. Você não pode entender como o estado de contemplar Deus poderia responder a cada pergunta genuína, mas confie em nós: é verdade, como você verá quando você chegar lá”. O problema com essa resposta é que é apenas uma nota promissória. A mesma promessa pode ser oferecida em nome de qualquer coisa que alguém pode declarar ser o nosso objetivo final [...]
[...] Se, como Craig, pensamos que "Por que se preocupar?" requer uma resposta além de nossa existência terrena, devemos admitir que não há nenhuma resposta não arbitrária afinal, nem mesmo o objetivo de glorificar a Deus e desfrutá-Lo para sempre. A mesma pergunta que nos fez buscar a transcendência em primeiro lugar - "Por que isso importa?" - pode ser feita sobre glorificar e desfrutar Deus. Se buscamos um ponto de parada absoluta na nossa busca de significado e propósito, vamos inevitavelmente chegar vazios. Objetivo final não pode existir, mesmo que Deus exista; é uma fantasia que não deveria levar ninguém ao teísmo. Ateus levam uma vida que não têm significado final. Assim como os teístas. É inevitável. E não importa qual lado está certo sobre a existência de Deus."
Parece-me, então, que se Maitzen está certo, então a ideia de significado e propósito final é impossível no ateísmo *e* teísmo. Eu suspeito que isso é profundamente inconsistente com a doutrina cristã e eu espero que você possa me dar uma mão com este problema.
Para (b), você parece estar dizendo que as razões prudenciais e razões morais estão em conflito no ateísmo, o que resulta em uma falta de responsabilidade moral. Em seu debate com Shelly Kagan, você diz que só no teísmo as razões prudenciais e morais podem estar em harmonia um com o outro. Mas, como Kagan apontou, o realista moral naturalista pode simplesmente argumentar que as razões morais superam razões de prudência e que ele deve seguir as razões morais. Além disso, Kagan argumentou ainda que muitos cristãos se comportam moralmente não pelo desejo de ser bom, mas sim por medo da vida após a morte. Com isto em mente, o argumento que você dá de que o ateísmo destrói a responsabilidade moral não parece funcionar.
Espero que minhas objeções façam sentido. Eu sinto que o uso da apologética cultural é extremamente útil em levar ateus, agnósticos e apateístas a considerarem o teísmo. Mas a menos que essas perguntas possam ser respondidas, eu não posso usá-los em conversa.
Bênçãos,
Pranav
<ul><li>United States</li></ul>
Dr. craig’s response
A [
Estas são perguntas vitalmente importantes, Pranav, que atingem o âmago de nosso ser. Em resposta a elas, quero deixar claro que eu não li o artigo de Maitzen, mas estou respondendo apenas às perguntas como você as coloca. Percebo, também, que estas são questões controversas, mas estou convencido de que, se Deus não existe, então a vida é um absurdo, ou seja, sem significado final, valor e propósito. Em minha opinião, existem duas condições necessárias para uma vida significativa, com propósito, e valiosa: Deus e imortalidade e se o ateísmo é verdadeiro, então, plausivelmente, não temos nenhum.
Em primeiro lugar, considere suas quatro condicionais.
a. Se a vida e o universo chegarão a um fim, então não há nenhum significado ou propósito final para eles.
b. Se Deus não existe, então não há razão prudencial para se comportar moralmente.
c. Mesmo que a vida e o universo não cheguem a um fim, ainda assim não haveria nenhum significado ou propósito final, porque (a vida e universo) seriam o resultado de acidentes cósmicos.
d. Se Deus não existe, então valores e deveres morais objetivos não existem.
Confesso que estou um pouco surpreso que você aparentemente concorde comigo sobre (d), já que na ausência de valores objetivos, os outros pontos tornam-se ainda mais obviamente verdadeiros! Por exemplo, se tudo objetivamente não tem valor, então como qualquer coisa pode ser, em última análise, significativa?
Eu aceito (a) e (c). Gostaria de reformular (b) com mais precisão:
b*. Se Deus não existe, então razão prudencial e razão moral podem (e muitas vezes) entram em conflito, caso em que não há nenhuma razão para agir moralmente, além de em seu próprio interesse.
Isso é consistente com dizer que em outros casos é, na verdade, prudente agir moralmente.
Está bem, então qual é o problema com o (a)? (Eu vou ser muito mais sucinto nas minhas respostas do que você foi em suas perguntas!)
Em primeiro lugar, "O fato de que as coisas saem de existência parece não fazer nada para torná-las insignificantes." Eu concordo! Se Deus e a imortalidade são reais, então coisas temporárias na vida (como um ato de caridade ou um belo concerto) são, em última análise, significativas e importantes. Não fazia parte do meu argumento que "nada temporário tem importância." O que eu nego é que se a humanidade e tudo o mais irão, no final das contas, ser para sempre extintos na morte térmica do universo, então, em última análise, nada importa. Não importa o que fazemos, tudo acaba no mesmo estado escuro, frio e sem vida.
Em segundo lugar, "mesmo que seja o caso de certas coisas perderem o sentido com o tempo, elas sempre terão tido significativas." Meu argumento não é que as coisas perdem valor ao longo do tempo, mas que nunca foram, em última análise, significativas para começo de conversa. O tempo só serve para nos dar a perspectiva de ver que elas eram sem sentido o tempo todo.
Em terceiro lugar, "os termos ‘final’ (ou último), ‘significado’ e ‘propósito’ estão mal definidos”. Admito que é difícil dar significados às palavras tão básicas em nosso vocabulário. Mas eu tentei esclarecer como eu estou usando estas palavras. Qual é a dificuldade? Você faz quatro perguntas:
1. "O que você quer dizer com 'significado’ ou ‘importância’"? Eu recorro a essas palavras para mostrar o que eu quis dizer com "significado." Eu acho que elas estão muito claras. Elas têm a ver com por que algo importa. Eu não sei como ser mais básico do que isso. Sim, estes são termos relativos que requerem algum tipo de quadro no qual algo pode ser visto como importante. Dentro do âmbito de um jogo de beisebol, é bastante significativo rebater um grand slam. Mas se tudo termina com a morte térmica, o que importa, em última análise, de falar que você bateu 100 Grand Slams? Ateísmo não tem a estrutura necessária final para a nossa vida ter significado final. Não, eu não estou dizendo que "no teísmo nossas vidas são as coisas mais importantes. "Em última instância" não significa "supremo", mas algo mais parecido com "final".
2. “Usar ‘propósito’ para se referir a 'telos ou objetivo de vida’ comete a falácia da petição de princípio, porque é óbvio que no ateísmo não existe um telos ou objetivo da vida." Você concede o meu ponto! Obviamente, dado o ateísmo não há objetivo final da vida. Ser óbvio não faz um argumento incorrer a falácia da petição de princípio. Mas você diz, "nenhum ateu iria achar isto perturbador ou problemático." Sério? Você já leu "A Free Man’s Worship" de Bertrand Russell? Russell escreveu:
[...] ainda mais sem sentido, mais vazio de sentido, é o mundo que a ciência apresenta para a nossa crença. Em meio a esse mundo, se em qualquer lugar, nossos ideais doravante devem encontrar um lar. Esse homem é o produto de causas que não tinham previsão do fim que estavam alcançando; que sua origem, seu crescimento, suas esperanças e temores, seus amores e suas crenças, não são nada mais que o resultado da colocação acidental de átomos; que nenhum fogo, nenhum heroísmo, nenhuma intensidade de pensamento e sentimento pode preservar a vida individual além da sepultura; que todos os trabalhos das eras, toda a devoção, toda a inspiração, todo o brilho do gênio humano estão destinados à extinção na vasta morte do sistema solar, e que todo o templo das realizações do homem deve inevitavelmente ser enterrado embaixo dos escombros de um universo em ruínas - todas estas coisas, se não completamente sem disputa, são tão certas que nenhuma filosofia que as rejeita pode ter esperança de ficar em pé. Somente dentro do andaime destas verdades, somente sobre o fundamento firme do desespero inflexível, pode a habitação da alma ser construída com segurança.
Existencialistas ateus, também, testemunham do desespero que o ateísmo engendra por causa da falta de propósito de vida. De onde você acha que eu tirei essas ideias? De ateus!
3. "Não são tanto ‘significado’ ou ‘importância’ e ‘telos ou objetivo de vida’ conceitos subjetivos, mesmo na escala divina, já que eles são em relação a e atribuídos por Deus? "Não. Você está confundindo "relativo" com "subjetivo". "Relativo" aqui designa uma propriedade relacional, não uma propriedade dependente da mente. Para ilustrar: na Teoria Especial da Relatividade comprimento é relativo a quadros de referência, mas não é subjetivo! Há um fato objetivo sobre quão longo uma vara de medição é em relação a um determinado quadro de referência. Da mesma forma, todos esses conceitos de significado, valor e finalidade são propriedades relacionais dependentes da existência de Deus. O propósito objetivo da vida humana, por exemplo, é conhecer a Deus.
4. "O meu termo ‘em última instância’ significa 'sem fim' ou 'inquestionável'?" Nenhum dos dois, eu acho. Significa algo mais como "final", como no tribunal de apelo final. Então, qual é o problema? Você acha que o teísmo não fornece um tribunal de apelo final: "Certamente podemos perguntar – e ei de fazê-lo – ‘O que há de tão bom nisso?’ O que há nessa atividade que responde automaticamente à pergunta ‘Por que isso vale a pena em última análise?’”Eu acho que o teísmo não prevê um tribunal de apelo final. Não só é logicamente impossível que haja algo além de Deus, mas Deus é o Summum Bonum, o Bem Maior. Na verdade, Ele é a própria bondade. Quando você concordou comigo sobre (d), Pranav, espero que isto signifique que você também concorda comigo de que, se Deus existe, os valores morais objetivos existem. Não pode haver nada maior do que conhecer o bem maior! A pergunta de Maitzen reflete um equívoco ateísta típico de quem Deus é (algum tipo de “gente boa,” talvez!). Uma vez que entendemos quem Deus é, então podemos ver imediatamente por que um quadro teísta fornece uma resposta definitiva para as perguntas mais profundas do homem. Portanto, você está certo de que a ideia de que o significado e propósito final são impossíveis é inconsistente com o teísmo cristão porque deve negar que Deus é o Bem Maior.
Agora, qual é o problema com (b*)? Você diz que "o realista moral naturalista pode simplesmente argumentar que as razões morais superam razões de prudência e que ele deve seguir as razões morais". Claro, ele pode dizer isso; mas sua escolha de razões morais em vez de razões prudenciais é arbitrária. Não há dúvida de que no ateísmo as razões morais e as razões prudenciais podem (e entram) em conflito, e não há nenhuma maneira de resolver o conflito, exceto por preferência pessoal. Por contraste no teísmo cristão é no seu melhor interesse agir moralmente porque Deus detém-no responsável.
Você acrescenta, "muitos cristãos se comportam moralmente não pelo desejo de ser bom, mas sim pelo medo da vida após a morte." Como isso mina minha afirmação de que a ausência de responsabilidade moral em uma cosmovisão ateísta é de-moralizante porque solapa o próprio interesse da pessoa em perguntas morais? No máximo, isso iria mostrar que a crença teísta também pode ser de-moralizante se as pessoas agem por razões puramente prudenciais, em vez de razões morais. Mas uma psicologia humana realista sugere que como criaturas caídas que naturalmente não fazem o bem, precisamos tanto de razões tanto morais quanto prudenciais para viver uma vida boa, especialmente quando fazer a coisa certa vai contra o interesse próprio imediato ou quando a tentação de fazer o mal é forte. Em seguida, lembrar que Deus vai considerá-lo moralmente responsável pode ajudá-lo a fazer o que você sabe que deveria fazer. Somente fariseus hipócritas pensam que eles sempre agem por motivos puramente altruístas e por isso não têm necessidade de tais incentivos.
Obrigado novamente por suas perguntas, Pranav, e eu espero que minhas respostas possam dar-lhe a confiança para usar esses poderosos meios de pré-evangelismo!
- William Lane Craig