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#179 A Vida é Absurda sem Deus?

October 28, 2014
Q

Dr. Craig,

Embora eu lhe respeite como um dos pensadores cristãos mais racionais de hoje, eu discordo veementemente da sua afirmação de que a vida sem Deus é absurda. Os argumentos que você oferece para apoiar isso são bastante superficiais, e é lamentável que filósofos inteligentes como você têm sido vítimas de aceitar essas monstruosidades. Em seu trabalho sobre o assunto, parece que você oferece duas afirmações básicas, (1) que a vida sem Deus é desprovida de sentido, propósito e valor definitivo e (2) que o teísmo pode fornecer significado, propósito e valor definitivo. Agora eu acho que a questão do valor humano pode ser considerado separadamente dos outros dois (nenhum dos quais você se incomoda em definir antes); mas sobre o significado e o propósito da vida, acredito que Thomas Nagel eloquentemente refutou (1) e (2) em seu artigo "O Absurdo".

Em defesa de (1), você parece argumentar que a vida de acordo com o ateísmo é absurda porque Deus e as condições da imortalidade, que você declara serem necessários para uma vida objetivamente significativa, estão ausentes em tal visão. Você dá alguns quase-argumentos informais para esta grande reivindicação, alegando que (a) a vida é absurda no ateísmo por causa da incapacidade do homem de escapar da morte térmica do universo, (b) sua insignificância no cosmos, e (c ) sua morte final. No que diz respeito a (a), você pergunta: "Suponha que o universo nunca tivesse existido. Que diferença fundamental isso faria? O universo está condenado a morrer de qualquer maneira." Nagel incisivamente responde em seu artigo da seguinte forma:

“Afirma‐se por vezes que nada do que faze‐ mos agora terá importância daqui a um milhão de anos. Mas se isso for verdade, então pela mesma ordem de ideias nada do que acontecer daqui a um milhão de anos tem importância agora. Em particular, não importa agora que daqui a um milhão de anos nada do que fazemos agora terá importância. Além disso, mesmo que tivesse importância daqui a um milhão de anos o que agora fazemos, como poderia isso impedir que os nossos interesses atuais fossem absurdos? Se o facto de serem importantes agora não é suficiente para o conseguir, como poderia fazer alguma diferença se fossem importantes daqui a um milhão de anos?

A importância que terá daqui a um milhão o que agora fazemos só poderá fazer toda a diferença se o facto de ter importância daqui a um milhão de anos depender de ter importância, sem mais. Mas, então, negar que seja o que for que agora acontece terá importância daqui a um milhão de anos é uma petição de princípio com respeito à sua importância, sem mais; pois nessa acepção não podemos saber que não terá importância daqui a um milhão de anos se (por exemplo) alguém agora é feliz ou miserável, se não soubermos que não tem importância, sem mais.”

Também é importante notar que todo o seu argumento é um non sequitur, pois mesmo que se admita que nossas ações vão perder o seu significado, é inegável que elas sempre terão tido significado no passado; fatos sobre o passado como estes não podem ser apagados com a passagem do tempo. Além disso, pode-se ir ainda mais longe e adotar a conhecida teoria-B do tempo, no qual o passado é tão real quanto o presente, o que significa que as ações humanas sempre terão significado!

Em (b), você sugere a insignificância espacial e temporal do homem com o universo, que é muito maior e mais velho do que a humanidade, afirmando que "a humanidade é, portanto, nada mais significativa do que um enxame de mosquitos ou um curral de porcos.” Mais uma vez, Nagel argumenta que tais noções egocêntricas são falsas:

"O que dizemos para exprimir o absurdo das nossas vidas tem muitas vezes a ver com o espaço e o tempo: somos partículas minúsculas na vastidão infinita do universo; as nossas vidas são meros instantes até numa escala geológica, quan to mais numa escala cósmica; estaremos todos mortos em breve. Mas é claro que não pode ser qualquer destes factos evidentes que faz a vida ser absurda, se for absurda. Pois suponha‐se que vivíamos para sempre; não será uma vida que é absurda se durar setenta anos, infinitamente absurda se durar toda a eternidade? E se as nossas vidas são absurdas dado o nosso tamanho atual, por que seriam menos absurdas se ocupássemos todo o universo?”

Finalmente, quanto ao (c), você alega que o ateísmo ensina que: "Você é o subproduto acidental da natureza, resultado de matéria, mais tempo, mais acaso. Não há nenhuma razão para a sua existência. Tudo que você encara é a morte." Nagel responde admiravelmente:

“Outro argumento inadequado é o seguinte: porque vamos morrer, todas as cadeias de justificação têm de ser interrompidas no vazio… Tudo isto é uma viagem elaborada que não conduz a lado algum…

Há várias respostas a este argumento. Em primeiro lugar, a vida não é uma série de sequências de actividades em que cada uma delas tem como propósito outro membro qualquer da sequência… Não é preciso qualquer justificação complementar para que seja razoável tomar uma aspirina contra a dor de cabeça, visitar uma exposição de um pintor que admiramos ou impedir uma criança de colocar a mão num fogão quente.

Mesmo que alguém desejasse fornecer uma justificação complementar para fazer todas as coisas na vida que habitualmente encaramos como coisas que se justificam a si mesmas, também essa justificação complementar teria de parar algures. Se nada pode justificar a não ser que tenha justificação em termos de algo fora de si, que também tenha justificação, temos como resultado uma regres‐ são infinita e nenhuma cadeia de justificação pode ser completa. Além disso, se uma cadeia finita de razões não pode justificar coisa alguma, o que ganharíamos com uma cadeia infinita, em que cada elo tem de ter justificação em algo exterior a si? [Nota: você deve acreditar que essa regressão é impossível, dada a sua posição sobre infinitos reais no contexto do Argumento Cosmológico Kalam.]

Dado que as justificações têm de chegar ao fim algures, nada ganhamos em negar que acabam onde parecem acabar, no seio da vida — nem ganhamos seja o que for ao tentar subsumir as múltiplas e muitas vezes triviais justificações comuns da acção sob um esquema de vida único e controlador. Satisfazemo‐nos com menos. De facto, por representar erradamente o processo de justificação, o argumento faz uma exigência vácua. Insiste que as razões disponíveis no seio da vida são incompletas, mas sugere desse modo que todas as razões que chegam ao fim são incompletas. Isto torna impossível fornecer quaisquer razões.”

Por estas razões levantadas pelo artigo de Nagel, eu não posso me levar a racionalmente aceitar seus argumentos para o suposto absurdo da vida sem Deus.

Agora, com respeito a (2), Nagel oferece um argumento brilhante contra o fundamento teísta para o significado da vida. Primeiro, ele define absurdo como a discrepância conspícua entre pretensão ou aspiração e realidade (por exemplo, ao você ser condecorado, suas calças caírem). De acordo com Nagel, o absurdo da vida origina-se do conflito “entre a seriedade com que encaramos a nossa vida e a possibilidade perpétua de encarar como arbitrário, ou sujeito à dúvida, tudo o que encaramos com seriedade.” Para entender isso, ajuda que primeiro distinguamos entre as perspectivas engajadas e separadas de vida. Na perspectiva engajada, assumimos que a vida é significativa à medida que nos esforçamos para sobreviver, reproduzir e nos divertir. No entanto, de acordo com Nagel, pode-se sempre dar um passo para "fora da vida" e examiná-la a partir do ponto de vista da terceira pessoa, entrando na perspectiva separada. De lá, ele pode então perguntar: "Por que isso é significativo?", e se ele recebe uma resposta para isso, ele pode continuamente dar um passo para trás, entrar na perspectiva separada, e repetir o processo infinitamente.

Agora, suponha que o teísmo é verdadeiro e Deus criou o homem para glorificá-lo e gozá-lo para sempre. Embora isto primeiramente possa parecer significativo da perspectiva engajada, pode-se sempre dar um passo para trás para a perspectiva separada e perguntar: "Por que glorificar a Deus e desfrutar de Deus é significativo? Isso realmente é tudo?" Em outras palavras, (2) é incoerente; o desejo de um sentido final para a vida pode ser tão irracional quanto o desejo de solteiros casados. Além disso, seguir as ordens de Deus não parece ser um significado muito gratificante ou preenchedor para a vida. Se, em vez disso, Deus estivesse simplesmente entediado e decidisse criar seres humanos para observá-los sem piedade matar um ao outro para o seu prazer, eu faria tudo o que pudesse para promover a paz e amor para parar ativamente as exigências caprichosas desse ser mau. Esse seria o meu sentido da vida em um mundo assim. [Nota: você não pode apelar para onibenevolência de Deus para julgar esta questão, uma vez que você diz em seu artigo sobre os cananeus, que Deus não tem deveres morais, pois ele não pode comandar a si mesmo.] Nagel ainda acrescenta:

“Mas um papel num empreendimento mais vasto não pode tornar a vida significativa a menos que tal empreendimento seja em si significativo…Se descobrirmos que fomos criados para fornecer comida a outras criaturas que gostam de carne humana, que planearam transformar‐nos em costeletas antes de ficarmos demasiado duros — mesmo que descobríssemos que o género humano foi desenvolvi‐ do por criadores de animais precisamente com este propósito — isso continuaria a não dar sentido às nossas vidas, por duas razões. Primeiro, porque continuaríamos sem saber se as vidas de tais seres eram significativas; segundo porque, ainda que pudéssemos aceitar que este papel culinário tornaria as nossas vidas significativas para eles, não é claro como os tornaria significativos para nós.”

Mas, finalmente, mesmo se você ache que esses problemas sem resposta possam ser resolvidos, eu acho que é um pouco hipócrita argumentar desta forma, pois mesmo que você esteja certo de que a vida é realmente um absurdo sem Deus, isso não implica, minimamente, que Deus existe. Não se pode simplesmente mudar a realidade por desejar que algo seja o caso; proposições devem ser apoiadas por argumentos epistêmicos, e não pragmáticos.

Assim, em última análise, você acha que a resposta de Nagel é bem sucedida? Ou é absurda (!)? E em qualquer caso, por quê?

Felicidades,

Bennington

<ul><li>Ireland</li></ul>

Dr. Craig

Dr. craig’s response


A [

Obrigado por seus comentários, Bennington! Estas são perguntas a serem feitas apaixonadamente, pois elas nos tocam no âmago do nosso ser. Senti profundamente o absurdo da vida e seu desespero atendente durante meus anos como não-cristão. Quando mais tarde encontrei os existencialistas franceses, a mensagem deles tocou uma corda em mim. Parece-me que, se o ateísmo é verdadeiro, então a vida é, em última análise, um absurdo.

Tenho tentado analisar o absurdo da vida em termos da falta de significado, valor e propósito final da vida. A palavra "final" é importante aqui, pois obviamente podemos ter propósitos subsidiários e valores condicionais sem Deus, mas a minha afirmação é que, em última análise, nada realmente importa se não há Deus. Parece-me que há dois pré-requisitos para uma vida significativa, valiosa e com propósito em última análise, isto é, Deus e a imortalidade, e se Deus não existe, então não temos nenhum dos dois.

Por "significado” eu quero dizer algo como significância ou importância. Por "propósito" quero dizer um telos ou um objetivo de vida. Por "valor", quero dizer valores e deveres morais objetivos. Não devemos separar a pergunta do valor de significado e propósito, como você tenta fazer em sua pergunta, pois se existem valores e deveres morais objetivos, então a vida é, provavelmente, significativa. Assim, o ateu não pode dizer que a vida pode ser, em última instância, significativa na ausência de Deus, porque há coisas verdadeiramente valiosas na vida, pois se eu estiver certo, não existem quaisquer valores morais objetivos na ausência de Deus. Estes três elementos, embora distintos, estão inter-relacionados e ficam juntos.

Agora na sua pergunta você tende a juntar meus argumentos e omitir outros. Com relação a (a) o que eu afirmo é que, sem a imortalidade pessoal, nossas vidas, em última instância (última análise), não têm nenhum significado ou propósito. (Eu também argumento que o mesmo seria o caso sem Deus, mesmo com a imortalidade.) Eu acho a resposta de Nagel a este ponto é confusa. Ele parece estar usando a frase "não importa" equivocadamente, para significar "é em última análise insignificante" ou "não faz diferença." Quando esclarecemos os significados, então seu argumento não faz sentido: "Se o que fazemos agora é, em última análise, insignificante, porque não fará diferença em um milhão de anos, então o que acontece em um milhão de anos também é, em última análise, insignificante porque não faz diferença para o que fazemos agora. Isso não faz sentido porque a flecha do tempo é do passado para o futuro. Para ver se o que acontece em um milhão de anos faz qualquer diferença, você não olha para o seu impacto sobre hoje, mas o impacto sobre o futuro, e não existe qualquer impacto no final. Então, é claro, na ausência de causalidade para trás, não faz diferença agora o que vai acontecer em um milhão de anos. A questão é que o que acontece agora ou em um milhão de anos não faz diferença final no resultado do universo.

Assim, em um sentido Nagel está certo que o que acontece em um milhão de anos não tem sentido final, e por isso nunca importa, e assim não importa agora também. Mas o ponto continua que, sem a imortalidade, nada do que fazemos faz qualquer diferença final. Talvez a afirmação de Nagel seja que não importa que nada importa; mas isso não nega o meu ponto que não importa, que não há sentido final. Eu concordo com ele que a imortalidade não é suficiente para sentido final: mero prolongamento da existência não é suficiente. Mas é uma condição necessária.

Quanto ao seu ponto de que fatos no passado sempre permanecem sendo fatos no passado, isso não investe esses fatos com alguma importância final no grande esquema das coisas. Sempre será o caso que o Terceiro Reich foi derrotado na Segunda Guerra Mundial, mas e daí? Tudo está condenado a acabar na mesma condição sem vida, sem traços característicos da morte de calor do universo. No final é insignificante quem venceu a Segunda Guerra Mundial (não diga que importa porque o bem triunfou sobre o mal, pois você estará assumindo a realidade dos valores morais objetivos sem Deus).

Quanto a (b), o meu ponto na passagem que você cita era, na verdade, que, na ausência de Deus, não fomos criados com um propósito em mente; nós somos o subproduto cego do processo evolutivo. Isso parece-me inegável com o ateísmo. Eu também demonstro que somos manchas insignificantes e por isso é difícil ver porque nossas vidas têm qualquer importância final (mais uma vez, você não pode dizer que o nosso valor moral supera nossa insignificância). Aqui Nagel interpreta mal minha ideia inteiramente. Ele afirma que, se fôssemos estendidos ao longo de todo o espaço e tempo, isso não investiria nossas vidas com significado final. Mas eu concordo com isso! Ele está confundindo condições necessárias com condições suficientes. A imortalidade é uma condição necessária, mas não uma condição suficiente para significado final; também precisamos de Deus, como já argumentei.

Quanto a (c), isto é novamente o ponto de que, na ausência de Deus, somos produtos cegos do processo evolutivo e, portanto, não fomos criados com qualquer fim em vista. Mas eu também faço o ponto de que, na ausência da imortalidade, não há um propósito final para nossas vidas, uma vez que tudo o que fizermos, acabaremos da mesma forma: extinção completa. Eu não vejo a relevância do primeiro ponto de Nagel. Como a minha afirmação exige que tudo o que fizermos seja feito propositalmente? Isso não mostra que pelo ateísmo a vida tem um propósito final. Também não estou defendendo uma cadeia infinita de propósitos que justificam. Em vez disso, a cadeia termina em Deus. Nós fomos feitos para conhecer a Deus, e nosso cumprimento final é encontrado em sermos devidamente relacionados a Ele, a fonte de infinita bondade e amor. Eu, obviamente, não defendo que "todas as razões que chegam a um fim são incompletas." Na verdade, a questão-chave para nós aqui é se existe um fim adequado para completar a corrente. No ateísmo não existe tal fim. Não há nenhuma razão para qual nós existimos.

Então Bennington, parece-me que estas não são respostas muito boas. Elas confundem condições necessárias e suficientes e nem sequer levam em conta os meus argumentos de que Deus, assim como a imortalidade, é uma condição necessária para o sentido, valor e propósito final.

Agora vamos ao ponto (2), que no teísmo bíblico a vida tem significado, valor e propósito final. Olhe para o teísmo de uma perspectiva independente. Ele fornece condições suficientes para sentido, valor e propósito final? Bem, certamente parece que sim, e um bom número de ateus admitem com tristeza que sim. Ele investe nossas vidas com significado eterno: por nossas escolhas livres determinamos o nosso destino eterno. Além disso, entramos em um relacionamento pessoal com o bem supremo, o próprio Deus. Além disso, Deus provê a base dos valores e deveres morais objetivos, como já argumentei em outro lugar. Por fim, Deus nos criou com o propósito de conhecer a Ele e Seu amor para sempre. Assim, a partir da perspectiva mais distante e filosófica que você possa tomar, o teísmo bíblico fornece as condições para uma vida significativa e valiosa. Se você perguntar: "Será que é isso?", a resposta é "Sim, não pode ficar melhor do que isso!"

Agora, se você disser que não pode haver um final com justificação própria, então é você que está assumindo que a cadeia de justificativas deve ser infinita, e não pode ser completa - uma posição que você rejeitou corretamente antes. A questão é que com Deus chegamos a um fim que é verdadeiramente digno e capaz de ser um ponto de parada intrinsecamente bom e significativo.

Agora, se você acha que a resposta teísta é incoerente, como desejando um solteiro casado, então você precisa mostrar alguma incompatibilidade lógica no que eu disse, que, tanto quanto eu posso dizer, você não tentou fazer.

Agora você diz: "Além disso, seguir as ordens de Deus não parece ser um significado muito gratificante ou preenchedor de a vida." Ah, ah, Bennington, você deixou a perspectiva independente e resvalou novamente para a perspectiva engajada. Do ponto de vista independente a resposta teísta é inteiramente adequada, mesmo que você não a ache satisfatória ou preenchedora por você mesmo.

Além disso, o seu julgamento engajado é pronunciado como um verdadeiro não-cristão. Como alguém cuja vida foi transformada pelo amor de Deus, eu, por outro lado, acho, a partir da perspectiva engajada, nada mais gratificante do que conhecê-Lo. Obediência aos Seus mandamentos vem, não com tristeza, mas com gratidão e com anseio a partir de um coração disposto.

Sua hipótese sobre o caráter de Deus é impossível, por isso é inútil. Lembre-se que no meu ponto de vista, embora Deus não aja a partir de Seu dever Ele, no entanto, age de acordo com o dever devido a Seu caráter essencialmente bondoso e justo. Portanto, os Seus mandamentos não são aleatórios, mas reflexos necessários de Sua natureza. Quando você diz que o significado de sua vida seria se opor a um Deus caprichoso, você está pensando em significado não objetivamente, mas subjetivamente. Eu nunca neguei que podemos inventar significados subjetivos para a nossa vida (como bater 60 home runs em uma temporada). O que eu afirmo é que pelo ateísmo nossa vida não teria sentido objetivo.

Por fim, quanto ao argumento de Nagel sobre os seres humanos serem criados para alimentação, somente reforça a minha teoria de que o fim para o qual existimos deve ser adequado para o propósito. É por isso que defendo que Deus é necessário, assim como a imortalidade. Como o maior bem, o maior ser concebível, Deus fornece um ponto final adequado a nossa busca.

Quanto ao seu ponto final, se você já leu o meu trabalho, você sabe que eu nunca defendo a existência de Deus com base no absurdo da vida sem Deus. Sou muito explícito quanto a isso. Pelo contrário, o objetivo deste exercício é o de despertar as pessoas apáticas de seu torpor e levá-las a pensar sobre a importância da questão da existência de Deus, para levá-las a ser tão apaixonadas como você é! Então, talvez, elas estarão interessadas ??em ouvir meus argumentos para a existência de Deus.

Não, eu não acho que as réplicas de Nagel são absurdas. Elas são atenciosas, e dignas de consideração. Mas no final, eu acho que elas falham e não fazem nada para mostrar que pelo ateísmo a vida não é, em última instância, sem sentido, sem valor, e sem propósito, nem que o teísmo bíblico falha em fornecer um quadro para a afirmação desses mesmos bens.

- William Lane Craig