#145 Argumentos Ateístas
October 28, 2014Reação de um ateu ao "Em Intelectualismo Neutro"
Dr. Craig tem em seus debates e discussões oferecido respostas aos argumentos ateus contra Deus, mas aqui ele se envolve com a crítica de um ateu de um de seus sermões. A troca é interessante e útil ao Dr. Craig esclarecer porque a maior parte da verdade é absoluta, porque separar verdade os fatos não faz sentido, e como o mau uso da palavra "tolerância" impede a comunicação. Esta troca ressalta a principal mensagem do sermão do Dr. Craig: ser intelectualmente engajado é de vital importância, pois alguns argumentos ateus são simplesmente apoiados em pressupostos defeituosos.
Ao mostrar meu amigo ateu seu monólogo em Johnson Ferry (que eu fui), esta foi a sua resposta. Eu não acho que estou pronto para enfrentar isto sozinho. Você gostaria de enfrentar algum de seus pontos como uma Pergunta da Semana?
Obrigado,
Jon
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Dr. craig’s response
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Argumentos Ateístas
Claro, Jon! Eu estaria muito interessado em ouvir o que o seu amigo tem a dizer sobre o meu sermão. Já que sua resposta é bastante longa, o que eu vou fazer é comentar parágrafo por parágrafo, de modo a não ficar constantemente citando declarações no texto de sua resposta. Para diferenciar os meus comentários dos dele, eu vou colocar os meus em itálico, assim.
"Pelo amor de “deus”, minha cabeça está girando. Eu não posso acreditar que eu consegui consumir todos os 39 minutos disso. Ele é um orador fantástico, mas sua apresentação é cheio de auto-contradição, jogando a vítima, e alguns pontos com falhas graves (embora eu acho que ele está certo de em vez em quando).
"Parece-me que seu argumento não é que o raciocínio é irrelevante, porque o absolutismo (seja em relação à sabedoria convencional ou fé inquestionável) é a única coisa de importação na educação -- e, de fato, na vida. Isso não é "intelectualismo neutro," é “intelectualismo ausente".
Comentário: Nossa, ele realmente me entendeu mal! Toda a motivação do meu sermão foi a de admoestar os cristãos a envolverem suas mentes em relação ao que e por que acreditamos no que acreditamos. Meu argumento era que o raciocínio não é apenas relevante, mas fundamental tanto para o discipulado cristão, bem como para recomendar a nossa fé para pessoas pensantes de hoje. Ele evidentemente não entendeu o que Alan Bloom quis dizer por verdade absoluta, que é a verdade objetiva, fatos que são independentes de se alguém acredita neles ou não. A maioria das verdades são desta natureza: que o meu nome é William Craig, que a maior parte da superfície da Terra é coberta por água, que Barack Obama é o presidente dos Estados Unidos em 2010, que os [Chicago] Cubs não ganharam a Série Mundial de 2009, etc. É realmente difícil pensar em exemplos de verdades que não sejam absolutas. Declarações de gosto seriam o principal exemplo, eu acho: que o café tem um gosto melhor do que o chá, que baunilha tem um gosto melhor do que de chocolate, etc. Estes são os tipos de coisas que são verdadeiras para você, mas não são verdade para mim, como se costuma dizer. Tais verdades são meramente relativas. Agora o ponto de Bloom no The Closing of the American Mind [O fechamento da mente americana] era de que a crença na verdade absoluta é o que promove a investigação intelectual e promove a excelência educacional, uma vez que aprender a verdade objetiva sobre as coisas é um prêmio pela qual vale a pena lutar. Seu ponto era que é o relativismo que promove a preguiça intelectual e prejudica a educação de qualidade, uma vez que todos podem ter a sua própria verdade sem qualquer esforço e a verdade de ninguém é mais verdadeira do que de qualquer outra pessoa.
Argumentos ateístas - Existe distinção entre verdade e fatos?
"Eu também acho que a sua terminologia é falha: FATOS são incontestáveis e não podem variar de pessoa para pessoa, a VERDADE é flexível, e baseia-se na visão de mundo do indivíduo. Sua verdade como um crente em deus é diferente da minha verdade como um humanista. Na verdade, ele mesmo diz claramente que a "verdade" dele está envolta em seu conceito de uma divindade. Uma vez que esta é uma crença, e não um fato demonstrável, então, de fato, ele perfura um grande buraco por dentro de seu próprio ponto.
Comentário: Mais uma vez, há uma confusão aqui. O que é um "fato?" Um fato é uma declaração verdadeira ou proposição. Assim, não existe nenhuma diferença entre um fato e uma verdade. Fatos (ou verdades) não são incontestáveis; às vezes os fatos são muito difíceis de descobrir e uma questão de grande controvérsia. A reivindicação do seu amigo que a verdade é flexível e dependente da visão de mundo é uma expressão do relativismo que Bloom denuncia. É literalmente auto-refutável. Pois apenas pergunte a si mesmo: a declaração "VERDADE é baseada na visão de mundo do indivíduo" é em si mesma baseada na visão de mundo do indivíduo? Se assim for, então não é um fato objetivo, mas apenas a visão de seu amigo. Se não, então a verdade objetiva existe afinal. Eu não sei o que seu amigo quer dizer quando diz que a minha verdade está envolta em meu conceito de uma divindade. Eu acho que, talvez, ele entendeu mal a minha afirmação de que toda verdade é verdade de Deus. O que isto significa é que a verdade é objetiva. Não existe tal coisa objetivamente como "sua" verdade ou "minha" verdade. Mesmo para o ateu, os argumentos são maneiras por meio das quais se busca validar alguma verdade que vale para todos. A verdade é apenas a verdade, independentemente de sua origem, e é totalmente conhecida para Deus.
Argumentos ateístas - Compreendendo o conceito de tolerância
"No entanto, eu concordo com a ideia de que a" tolerância "é bobagem. Quando alguém diz que "tolera” gays, pessoas de diferentes religiões, o casamento inter-racial, etc., é absolutamente insultante. Ou você aceita e respeita, ou você "tolera" e desdém.
Comentário: Isso quase faz alguém se desesperar com a possibilidade de comunicação! Chegamos às coisas com todos os nossos filtros e preconceitos existentes que torna difícil a nossa compreensão do que está sendo dito. Argumentei e afirmei que a tolerância é uma virtude, a atitude que, embora eu discorde com o que você diz, eu vou defender até a morte seu direito de dizê-lo. Como tal, a tolerância é não um insulto: como eu disse, a base da tolerância é o amor para as pessoas com quem você discorda. Ao rejeitar a tolerância como uma virtude, eu temo que o seu amigo exibe aquela atitude desdenhosa para com os cristãos que ele fala em relação aos outros. Será que ele aceita e respeita os cristãos, enquanto em desacordo com os seus pontos de vista? Se assim for, então, por definição, ele tolera-os (e afirma a objetividade da verdade!).
"Quanto ao alarmismo sobre os crentes se tornando impotentes em face dos não-teístas, ou ele quer ser esclarecido e usando uma tática de intimidação para promulgar proselitismo ou ele está severamente iludido. Por um lado, os secularistas não são obcecados em exterminar a crença religiosa ...nós simplesmente não a praticamos. Em segundo lugar, se fosse "politicamente incorreto" acreditar em Jesus Cristo, então os ateus estariam no poder. Casamento gay seria legal. Aborto não seria um problema. Igrejas pagariam impostos.
Comentário: Como mencionei, Jan e eu vivemos na Europa por 13 anos, e falo com frequência em universidades canadenses. Vejo claramente para onde estamos indo como uma sociedade. Basta comparar a cultura da América durante a década de 1950 com hoje, e eu tenho certeza que você vai concordar que nós nos tornamos mais secularizados. Seu amigo está errado sobre os secularistas não desejando exterminar crença religiosa. Harris, Hitchens, Dawkins, e outros tem declarado explicitamente que eles consideram o ensino da religião às crianças um ato de maldade, e declararam seu desejo de forjar uma sociedade que está livre da religião, mesmo na esfera privada. Não basta acreditar em mim: leia seus livros. Sua refutação da minha afirmação de que a crença em Jesus Cristo é politicamente incorreta porque eu afirmei que um teísmo genérico ainda é a norma, e isso é tudo o que seus exemplos mostram. Religião Civil ainda floresce na América. Mas quando eu estava crescendo, seria impensável que alguém desejando "Feliz Natal!" um dia seria uma declaração polêmica. Basta pensar na a reação do público se um ministro deve se atrevesse a orar em nome de Jesus no Café da Manhã Nacional de Oração ou na inauguração presidencial!
Argumentos ateístas - Cristãos são chamados a lutar contra falsas ideologias
"A última vez que verifiquei, havia um ateu declarado no Congresso, um muçulmano, e um punhado de judeus. E o resto? A grande maioria dessas 535 pessoas muito poderosas? Cristãos. As reivindicações dele são um grande exemplo da maioria religiosa frequentemente (se não constantemente), jogando a carta de mártir para tornar-se como vítimas. Mentira. Quanto à educação: concordo plenamente que estamos em um mau caminho com a transmissão de conhecimento para os nossos filhos. É uma vergonha que tenhamos uma população educada tão mal. Contudo, gostaria de contrapor que, talvez, uma parte disso é a nossa própria atitude que, ao enviar as crianças para a escola, temos que "treinar nossos filhos para a GUERRA" contra as próprias pessoas que deveriam estar educando. Talvez seja esse tipo de suspeita e desconfiança que faz com que algumas crianças desengajam da experiência de aprendizagem. Não sei sobre outras pessoa, mas em 16 anos de educação pública, eu nunca tive um professor que tentou incutir uma descrença em Deus. Ele afirma que esse ateísmo institucional monolítico é o que faz muitos adolescentes "virarem as costas" para a fé em que eles foram criados quando chegam a faculdade (ou mesmo antes). Isso desconta completamente a ideia de que pensamentos muito maduros, muito racionais (ou "relativismo") poderiam ter desempenhado um papel. Ele está dando a entender que, simplesmente porque ele abraça e incentiva o que ele mesmo chama de uma crença "como de criança" (o que, vamos ser realistas, não é diferente de uma crença "infantil"), que a única razão pela qual nem todos compartilham essa mentalidade é porque sua maneira de pensar de alguma forma foi propositadamente manchada e eles foram convertidos por outra pessoa. Como alguém que passou por esse mesmo processo, posso garantir-lhe que foi uma longa estrada, que envolveu muito pensamento, leitura e reflexão. Mas o processo evolutivo era meu. Todo meu. Aproveito também para dizer que fiquei ofendido com a sua afirmação de que ser cristão automaticamente faz alguém mais profundo e mais interessante, e que os não-cristãos estão obcecados com a celebridade e outras atividades rasas. Isso é presunçoso, uma hipocrisia absurda.
Comentário: Eu não quero que as pessoas pensem que o meu comentário sobre a formação dos nossos filhos para a guerra significava guerra contra aqueles que ensinam. O que eu disse foi:
"Na ensino médio e na faculdade, os alunos são intelectualmente agredidos com todo tipo de filosofia não-cristã conjugada com um relativismo e ceticismo esmagador. Como ousamos enviá-los desarmados em uma zona de batalha intelectual? Temos que treinar nossos filhos para a guerra ."
Eu estava falando sobre a luta das ideologias concorrentes e visões de mundo para os quais nossos filhos devem ser preparados. Como educador, eu defendo que na sala de aula, o professor é rei e sempre deve ser tratado com o respeito que sua posição exige, mesmo que se discorde de seus visões. Quanto à experiência pessoal de seu amigo de 16 anos em escola pública, eu diria que ele levou uma vida muito protegida, ou, talvez, que as influências foram tão sutis que ele nem sequer os discerniu, tais como a influência corrosiva do relativismo em seus próprios pontos de vista. Quanto à diferença entre fé como de criança e fé infantil, eu claramente defini esses termos, de modo a diferenciá-los. Você pode ter uma relação de confiança de toda a alma em Deus como um Pai Celestial amoroso, mesmo mantendo uma mente afiada de um grande filósofo ou cientista. Quanto ao meu comentário sobre o envolvimento intelectual tornando uma pessoa mais conhecedora e interessante, isso me parece indiscutível. O contraste aqui não é entre cristãos e não-cristãos, mas entre aqueles que usam sua mente e aqueles que não o fazem. Infelizmente, o último grupo demasiadas vezes inclui cristãos (se eu pensasse que ser cristão automaticamente faz uma pessoa mais profunda e interessante, então por que eu estaria pregando o sermão?). Os não-cristãos da mesma forma que estão pensando profundamente sobre estas questões serão mais interessantes e conhecedores do que os não-cristãos que não estão. Fico feliz que o seu amigo tem pensado sobre essas questões e espero que ele continue a fazê-lo.
"Em suma, a sua apresentação cheira muito menos como uma defesa da sua própria fé do que como uma rejeição total do valor e o mérito de todos os que não acreditam como ele. Isso que eu acho de tão feio sobre evangelismo: os gritos constantes que todos os não-crentes estão tentando denegrir e converter as pessoinhas abraâmicas, enquanto alheios ao fato de que o que eles criticam é a sua própria missão muito ativa (e muitas vezes muito ácida). Eu nunca na minha vida tentei convencer um crente de que eles estavam errados ou disse algo para insultar seus visões. Contudo, eu conheci muitos crentes que ficam totalmente insultados simplesmente por minha posição firme em minhas PRÓPRIAS crenças (ou falta delas), e que, então, tentam me convencer de que eu deveria agir e pensar como eles.”
Comentário: Ele entendeu mal o propósito do meu sermão. Eu não estava oferecendo uma réplica aos argumentos ateus ou uma defesa da fé (eu faço isso quando eu falo em campus universitários) nem estava envolvido em evangelismo. Eu estava falando com outros cristãos e exortando-os a usar suas mentes. Afirmei o valor e mérito daqueles que não acreditam como eu (lembre-se dos meus comentários sobre a virtude da tolerância?). Portanto, o seu amigo nunca tentou convencer um crente de que o crente estava errado - sério? Então qual é o propósito de suas observações? Ele nunca disse nada para insultar as visões dos crentes? Que tal:
“Isso não é "intelectualismo neutro," é “intelectualismo ausente"."
“...ou ele quer ser esclarecido e usando uma tática de intimidação para promulgar proselitismo ou ele está severamente iludido."
“As reivindicações dele são um grande exemplo da maioria religiosa frequentemente (se não constantemente), jogando a carta de mártir para tornar-se como vítimas. Mentira."
“...ele adota e incentiva o que ele mesmo chama de uma crença "como de criança" (o que, vamos ser realistas, não é diferente de uma crença "infantil")..."
“Isso é presunçoso, uma hipocrisia absurda."
Nunca cessa de me surpreender.
- William Lane Craig