#187 Conhecimento Requer Certeza?
October 28, 2014Prezado Doutor Craig,
Eu tenho estudado como defender a fé cristã durante a maior parte dos seis últimos meses. Eu reconheço o fato de que seis meses não é muito tempo; no entanto, existe uma ideia que eu não tenho sido capaz de combater ou disputar quando ela aparece em alguma conversa ou debate. Muitas pessoas, alguns cristãos incluídos, alegam ignorância intelectual quando se trata de saber qualquer coisa sobre a vida, o universo ou a lógica. Eles afirmam que, uma vez que todas as opções possíveis não foram exploradas, nada pode ser dito com certeza. Uma vez que nada pode ser dito com certeza, todas as premissas que você coloca podem parecer verdadeiras para nós, mas não podemos dizer que elas são absolutamente verdadeiras. Se não é possível provar que elas são absolutamente verdadeiras, então não há nenhuma razão para acreditar nelas e o argumento morre ali mesmo.
Está se tornando cada vez mais frustrante e desanimador começar a falar com alguém com base na lógica que é aceita e comprovada, e, em seguida, ser interrompido antes que uma discussão possa sequer começar. Por exemplo, no Argumento Cosmológico Kalam, a primeira premissa afirma: "Tudo que começa a existir, tem uma causa". Mas muitas pessoas questionam essa premissa devido ao fato de que nós, humanos, não viajamos por toda a extensão do universo para concluirmos que essa premissa é verdadeira. Porque nós não exploramos as possibilidades do resto do universo é impossível basear algo em uma ideia que pode ou não ser verdade em todo o universo.
Estou certo de que você já ouviu isso antes em debates, essa ideia da incerteza sobre todas as coisas. Não sei muito bem como proceder ao falar com pessoas que pensam desta forma. Que conselho você daria sobre como responder a essas objeções?
Christopher
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Dr. craig’s response
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As pessoas que você menciona, Christopher, são vítimas de um ceticismo injustificado e, em última instância, autodestrutivo.
Repare que eles igualam conhecimento com certeza. Se você não está certo de que alguma proposição p é verdadeira, então você não sabe que p. Mas que justificativa existe para essa suposição? Eu sei que eu tenho uma cabeça, por exemplo. Mas eu poderia ser um cérebro em uma cuba cheia de produtos químicos sendo estimulado por um cientista louco para pensar que eu tenho um corpo. Será que essa mera possibilidade implica que eu não sei que eu tenho uma cabeça? Se seus amigos responderem "Sim", pergunte a eles que justificativa eles têm para pensar que o conhecimento exige certeza. Para qualquer resposta que eles possam dar, você pode perguntar em seguida: "Você tem certeza disso?". Se eles disserem, "Não", então eles não sabem que o conhecimento exige certeza. Se eles disserem, "Sim”, então não é verdade, afinal, que não podemos saber nada sobre a vida, o universo ou a lógica.
Ironicamente, toda a força do ceticismo está baseada em reivindicações que precisam de uma grande quantidade de conhecimento para serem feitas. Por exemplo, seus amigos afirmam saber que "Já que todas as opções possíveis não foram exploradas, nada pode ser dito com certeza". Essa declaração é, ela mesma, uma afirmação de conhecimento! (Uma alegação que é obviamente falsa, mas vamos deixar isso passar) Como eles sabem disso? Ou ainda, como é que eles sabem que "Uma vez que nada pode ser dito com certeza, não podemos dizer que as suas premissas são absolutamente verdadeiras"? Esta é uma afirmação de conhecimento (mais uma vez, curiosamente, uma afirmação falsa, mas não importa). E o que dizer sobre a declaração "Se não é possível provar que as premissas são absolutamente verdadeiras, então não há nenhuma razão para acreditar nelas"? Como eles sabem disso? (Novamente, isso parece claramente falso, mas deixemos isso de lado). De onde é que esses céticos tiram todo esse conhecimento?
E se não podemos saber nada sobre a lógica, como eles podem usar o raciocínio:
1. Uma vez que todas as opções possíveis não foram exploradas, nada pode ser dito com certeza.
2. Uma vez que nada pode ser dito com certeza, todas as premissas que você coloca podem parecer verdadeiras para nós, mas não podemos dizer que elas são absolutamente verdadeiras.
3. Se elas não podem ser provadas como absolutamente verdadeiras, então não há nenhuma razão para acreditar nelas.
Para mim, esse raciocínio se parece muito com as premissas para a forma de inferência lógica chamada silogismo hipotético! Mas se essa regra de inferência não é verdadeira, então nenhuma conclusão pode ser obtida de (1-3) e, assim, não temos nenhuma razão para duvidar do meu argumento original.
O problema fundamental com o ceticismo é que ele pressupõe que, a fim de saber p, você deve saber que você sabe p. Mas se eu posso saber alguma verdade sem saber como é que eu a sei, então o ponto central do ceticismo desmorona. O cético, na verdade, está fazendo uma declaração muito radical, para a qual ele não pode fornecer qualquer justificação sem puxar o tapete debaixo dos seus próprios pés.
O ceticismo é, portanto, estranhamente arrogante e autodestrutivo. Ele depende de nós termos conhecimento sobre algumas afirmações que não são nem um pouco óbvias. O cético não pode fornecer qualquer justificativa para essas afirmações, sob pena de que sua visão se torne auto-referencialmente incoerente; porém, sem essas justificativas seu ceticismo entra em colapso, uma vez que isso significa que a minha falta de certeza não implica que eu tenho uma falta de conhecimento.
- William Lane Craig