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#197 Deus Conhece um Número Realmente Infinito de Coisas?

October 28, 2014
Q

Dr. Craig,

Eu não posso dizer-lhe o quanto seu trabalho tem significado para a minha vida. Parte de quem eu sou hoje se deve majoritariamente à sua obediência a Deus em ensino e pesquisa. Por isso eu lhe agradeço profundamente.

Eu tenho uma pergunta a respeito da ideia de infinitos reais não existindo. Como eu vejo todos os argumentos apoiando isso, um possível infinito "atual" me veio à mente. Você afirma que, como Deus começou o tempo rolando na criação, o tempo nunca poderia cessar. Assim, o futuro é potencialmente infinito. A minha pergunta refere-se ao conhecimento de Deus. Se Deus sabe todas as proposições verdadeiras, incluindo futuras proposições temporais, e ele não aprende a respeito delas com o tempo (que é um pensamento que eu fortemente apoio), então Deus não saberia as declarações de verdade sobre todos os momentos futuros no tempo de uma só vez. Ou seja, o conhecimento de Deus sobre o futuro não seria um infinito atual, já que atualmente ele sabe tudo sobre cada ponto no futuro potencialmente infinito? O número de coisas que Deus sabe não seria um infinito atual em quantidade? Eu certamente concordo que seu conhecimento é infinito em termos de qualidade, mas este parece ser um infinito atual em quantidade.

Uma vez que Deus é onisciente, parece que o futuro potencialmente infinito, torna-se, na verdade, realmente infinito em conhecimento de Deus.

De maneira nenhuma estou tentando desvendar seus argumentos. Este apenas estava em minha mente por um pouco e eu gostaria de ver onde meu pensamento está errado... Uma vez que esta pergunta poderia realmente ser feita para mim no futuro potencialmente infinito.

Obrigado por tudo que você faz,

Gordon

- país não especificado

Pergunta #2:

Caro Dr Craig,

Eu tenho algumas perguntas sobre onisciência e infinito atual:

1) Potencialmente existe uma quantidade infinita de números, você pode continuar a contagem para sempre e você nunca vai alcançar o último número. Agora, já que Deus é onisciente isso significa que ele conhece todos os números possíveis?

a) Se sim, como isso é possível se há potencialmente uma quantidade infinita e você pode sempre adicionar mais e nunca alcançar o último número?

b) Se não, como é que você responde a alguém se ele achava que isso contava como prova contra a onisciência?

c) Além disso, se você diz que Deus conhece todos os números possíveis, e há uma quantidade infinita de números, isso não significa que o infinito atual existe (ou seja, números)?

Suas respostas a estas perguntas são com base em sua visão de Deus sendo atemporal sem a criação e temporal desde a criação?

Você responderia de forma diferente se você defendesse a visão de que Deus é atemporal e conhece toda a verdade em uma única intuição em um único momento? Se sim, como você responderia às perguntas acima se você defendesse a visão de que Deus é atemporal e conhece toda a verdade em uma única intuição em um único momento?

Por favor, dê duas respostas para cada uma das perguntas acima (uma com base na visão de que Deus é atemporal sem criação e temporal desde a criação e uma baseada na visão de que Deus é atemporal e conhece toda a verdade em uma única intuição em um único momento), ao menos uma resposta que se aplique a ambos os pontos de vista.

2) Na Pergunta 108 "Onisciência e Infinito Atual", você afirmou:

Talvez o que Sotnak está implicitamente presumindo é que se Peter viverá para sempre, então sua vida após a morte será um infinito atual. Mas então ele está incorrendo a petição de princípio contra a vida após a morte de Peter ser um infinito potencial. O que se quer é algum argumento para tal presunção. Além do mais, toda a conversa sobre onisciência torna-se naquele caso somente uma decoração de janela superficial. O argumento deveria ser somente que a imortalidade implica a existência de um infinito atual. Onisciência nem mesmo entra na história. Se a imortalidade implica a existência de um infinito atual foi a questão central no meu diálogo com Wes Morriston sobre o argumento cosmológico kalam, que eu recomendo a você. (veja "Debate on the Kalam Argument" no Reasonable Faith Podcast).

No entanto, você responderia de forma diferente se você defendesse a visão de que Deus é atemporal e conhece toda a verdade em uma única intuição em um único momento? Se sim, como você responderia Sotnak sobre este ponto de vista?

3) Existe alguma coisa que Deus saiba a respeito de uma quantidade infinita? Por exemplo, existe uma quantidade infinita de mundos possíveis ou de possibilidades? Será que isso não implica que um infinito atual existe (ou seja, de mundos possíveis ou possibilidades)?

Não existe tal coisa como um infinito atual? Nem mesmo na mente de Deus?

Atenciosamente,

Paul

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Dr. Craig

Dr. craig’s response


A [

Na minha opinião, Paul, um número infinito atual de coisas não existe, mesmo na mente de Deus. Em Philosophical Foundations for a Christian Worldview, eu escrevo:

Alguns pensadores como William Alston, rejeitando completa [divina] simplicidade, têm defendido que o conhecimento de Deus seja interpretado como simples. Na visão de Alston, Deus tem uma simples intuição de toda a realidade, que nós agentes cognitivos humanos representamos a nós mesmos proposicionalmente. Essa visão está em linha com a adaptação da noção agostiniana das Ideias Divinas de Tomás de Aquino. A fim de preservar a aceidade divina em face do platonismo, Agostinho localizou as formas platônicas na mente de Deus como ideias divinas. Aquino foi mais longe ao afirmar que Deus, estritamente falando, não tem uma pluralidade de ideias divinas, mas sim um conhecimento indiferenciado da verdade. Nós conhecedores finitos quebramos a intuição indivisível de Deus em ideias separadas. Da mesma forma, Alston afirma que o conhecimento de Deus é estritamente não-proposicional, embora nós representamos a nós mesmos como conhecimento de proposições distintas. Assim, podemos dizer, por exemplo, que Deus sabe que Marte tem duas luas, e Ele, de fato, sabe disso, mas a representação de Ele saber essa proposição é uma maneira meramente humana de afirmar que Deus sabe de uma maneira não-proposicional. Tal concepção do conhecimento divino tem a vantagem de que nos permite adoptar o conceitualismo sem comprometer-nos a um infinito atual de cognições divinas ou ideias divinas.

Uma boa analogia da cognição de Deus no a visão acima seria o seu campo visual, que você vê como um todo indiferenciado, mas que poderia ser analisado como sendo composto de pixels.

Então, Gordon, quando dizemos que Deus conhece um número infinito de proposições, estamos falando da extensão do seu conhecimento, e não do modo de Seu conhecimento. Não há nenhuma razão, aliás, para pensar que o estado cognitivo de Deus não possa estar mudando, assim como o meu campo visual muda. De fato, se Deus está no tempo, Seu estado cognitivo deve ser constantemente mudando ou Ele estaria errado, ainda pensando, por exemplo, que é 3:00 horas.

Agora, para suas perguntas específicas, Paul, cujas respostas são, na minha opinião, independente da relação de Deus com o tempo:

1. Na minha visão não há um número potencialmente infinito de números. Em vez disso não há números! Números, se existem, são objetos abstratos e estou fortemente inclinado a dizer que só existem objetos concretos. O que é verdade dizer, e o que Deus sabe é que, segundo a teoria padrão dos números, há um número realmente infinito de números. Além disso, Deus sabe que um número infinito de verdades aritméticas seguem a partir dos axiomas da aritmética padrão, como 1 + 1 = 2, 2 + 1 = 3, 3 + 1 = 4,. . . . Mas, como explicado acima, Ele não sabe estas verdades proposicionalmente, como acabei de expressar, mas não proposicionalmente. Portanto, não há literalmente nem um número infinito de números, nem um número infinito de proposições.

2. Como indiquei, a minha visão do modo de cognição de Deus é independente de questões de tempo. A conversa de "uma única intuição da realidade" era para expressar o modo não-proposicional do conhecimento de Deus e, assim, eliminar um número infinito atual de ideias ou itens de conhecimento divinos. Infelizmente, a gravação do meu diálogo com Morriston a que eu me referi era tão pobre que não podíamos comercializá-la. Mas a edição atual da Faith and Philosophy contém uma troca semelhante com Morriston ("Taking Tense Seriously in Differentiating Past and Future: A Response to Wes Morriston,” [Levando a Tempo em Sério na Diferenciar entre o Passado e Futuro: Uma Resposta a Wes Morriston," Faith and Philosophy 27 (2010): 451-6). Como eu explico lá,

Morriston precisa encontrar algo que faça parte da realidade que seja realmente infinito em quantidade a fim de fazer uma analogia com uma série de eventos sem começo no passado. Morriston depois retorna à sua sugestão de que, ao invés de eventos futuros, que em uma teoria-A do tempo não fazem parte da realidade, consideramos verdades do futuro temporal ou fatos correspondentes temporais. Mas esta jogada faz duas suposições injustificadas: primeiro, o platonismo, no que diz respeito a proposições e, segundo, a infinitude atual de proposições ou fatos. Se aceitarmos essas presunções, não há necessidade de recorrer a verdades temporais no futuro a fim de designar uma infinidade atual das proposições, uma vez que para cada proposição p existe a proposição posterior Tp, ou que é verdade que p. O finitista, portanto, irá ou negar o platonismo no que diz respeito a proposições, considerando-as como ficções úteis talvez, ou negar a existência de um número infinito de proposições, uma vez que para o conhecimento de Deus, sendo não-proposicional, proposições são o subproduto da intelecção humana e então somente potencialmente infinitos em número, como expressamos proposicionalmente o que Deus sabe de uma forma não-proposicional.

3. Não na minha visão! Os mundos possíveis não existem realmente. Eles são apenas um dispositivo heurístico para ilustrar expressões modais primitivas como "Necessariamente, Deus é onipotente" ou "Possivelmente, Deus é atemporal." Em suma: não há espaço para infinitos reais!

- William Lane Craig