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#142 Molinismo: Conhecimento Médio e Eleição Divina

October 28, 2014
Q

A doutrina da molinismo procura conciliar a predestinação soberana de Deus com o livre arbítrio do homem. Através de Seu conhecimento médio divino, Deus pode saber todos os resultados possíveis de qualquer mundo que é possível que Ele crie, incluindo todas as circunstâncias necessárias para um indivíduo chegar a um conhecimento salvífico dEle. Mas e se a salvação de um indivíduo significa a perda de outro? O molinismo fornece respostas para esse dilema? Neste artigo, o Dr. Craig responde perguntas de como Deus agiria se Suas escolhas estivessem vinculadas a ou condenar pessoa A ou pessoa B de forma arbitrária.

Pergunta 1 :

Tenho estudado o conceito de conhecimento médio e gostaria de saber o seu ponto de vista sobre o seguinte:

1) Existem pessoas que Deus não pode predestinar a salvação porque eles iriam livremente rejeitar a Cristo, não importa quais circunstâncias Deus os colocasse?

2) Existem pessoas que não responderiam a uma chamada ao altar mas que responderiam a um encontro com Cristo na estrada de Damasco?

3) Será que Deus passivamente negaria a pessoa em Q2 um encontro com Cristo na estrada de Damasco se Deus não o escolheu.

Obrigado

Michael

Pergunta 2 :

Dr. Craig,

Agradeço esta oportunidade de fazer uma pergunta a um grande pensador como você. Estou fascinado pelo debate do conhecimento médio, mas parece na superfície que ele pode ser demasiado simplista. Por exemplo, digamos que dos mundos possíveis existem dois com as seguintes condições:

Mundo Possível #1:

1. Existem três pessoas (A, B e C).

2. A pessoa A encontra uma Bíblia e é salva.

3. A pessoa A compartilha o evangelho com a pessoa B, que então é salva.

4. A pessoa C nunca é salva porque mesmo ouvindo o evangelho, ela já determinou em sua mente que sempre discordaria com qualquer coisa que a pessoa B acredita. (Conheço gente assim!)

Mundo Possível #2:

1. Existem três pessoas (A, B e C).

2. A Pessoa A encontra uma Bíblia e é salva.

3. A Pessoa A compartilha o evangelho com a pessoa C que então é salva.

4 Pessoa B nunca é salvo porque mesmo ouvindo o evangelho, ela já determinou em sua mente que sempre discordaria com qualquer coisa que a pessoa C acredita.

Pergunta: Qual mundo Deus prefere? Aquele em que as pessoas A e B são salvas (Mundo #1) ou aquele em que as pessoas A e C são salvas (Mundo #2)? Quando existem muitos mundos possíveis de contingências, parece que Deus pode ter de fazer escolhas em que as pessoas potencialmente salvas nunca seriam salvas.

Obrigado,

Bruce

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Dr. Craig

Dr. craig’s response


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Molinismo

É importante ter em mente que Luis de Molina desenvolveu sua doutrina do conhecimento médio divino, ou o que é referido como molinismo hoje, em resposta às visões fortes de predestinação dos Reformadores Protestantes, como Lutero e Calvino. Ele queria enunciar um doutrina extremamente forte da soberania divina, a fim de atender as demandas teológicas dos reformadores, que tinha a vantagem de afirmar também a realidade do livre arbítrio humano. Pessoas que não gostam da forte afirmação da soberania divina dos reformadores estão, portanto, aptos a não gostar também das visões de Molina. Mas Molina, assim como os reformadores, tomou a sério, goste você ou não, a afirmação bíblica da soberania de Deus sobre os assuntos dos homens.

Bruce, tomemos primeiro a sua pergunta, e vamos supor que estes não são apenas mundos possíveis, mas mundos que são viáveis ​​para Deus criar (sobre a diferença ver Pergunta # 138). Além disso, por uma questão de argumento, suponhamos que esses sejam os únicos mundos habitados por apenas A, B e C, que são viáveis ​​para Deus. Num caso como esse, cabe a escolha livre e soberana de Deus qual mundo preferir. Todo o mais sendo igual (não sabemos como é o resto desses mundos), esses dois mundos parecem exatamente iguais em valor, e por isso eu não consigo ver nenhuma razão para Deus preferir um mundo em vez do outro. Parece ser uma escolha como aquela descrita no caso clássico do asno de Buridan, o animal desafortunado que foi pego equidistante entre dois feixes de feno igualmente apetitosos. O debate foi sobre se o asno, sem livre arbítrio, morreria de fome, não tendo ímpeto para escolher um em vez do outro. Um ser humano nunca ficaria preso em tal situação, já que é da própria natureza do livre arbítrio fazer uma escolha arbitrária entre alternativas igualmente boas. Assim, parece-me que Deus poderia escolher arbitrariamente entre esses dois mundos (apesar de existirem inúmeras outras opções).

Molinismo – A livre escolha de Deus e a livre resposta do homem

Suponha que Deus escolhe fazer surgir o mundo #2. Então B está condenado, mesmo que ele teria sido salvo se Deus tivesse escolhido criar, pelo contrário, o mundo #1 em vez disso. Isso parece fazer você se sentir desconfortável, Bruce. Se assim for, então o que você precisa ter em mente é que, em qualquer mundo, Deus quer a salvação de todas as pessoas e provê graça suficiente para a salvação delas. O mundo de A, B e C que Deus realmente prefere criar é aquele em que A, B, e C abraçam livremente a graça de Deus e encontrem a salvação. Infelizmente, por hipótese, esse mundo, apesar de possível, não é viável para Deus criar. Uma das três pessoas irá perversamente rejeitar a graça salvadora de Deus e separar-se de Deus para sempre. Assim, embora Deus soberanamente escolhe qual mundo criar, cabe às pessoas naquele mundo se querem ou não ser salvas. Um francês molinista colocou esse paradoxo de forma muito eficaz:

Cabe a Deus se eu me encontro em um mundo no qual eu sou predestinado; Mas cabe a mim se estou predestinado no mundo em que me encontro.

Pense bastante nisso. Enquanto a segunda cláusula for verdade, Deus não pode ser culpado pela condenação de ninguém.

Agora, estamos restringindo artificialmente as opções de Deus para o bem do argumento. Portanto, não segue a partir de sua experiência de pensamento que Deus tem de "fazer escolhas em que as pessoas potencialmente salvas nunca são salvas." Porque talvez Deus escolheu concretizar um mundo em que os condenados são exclusivamente pessoas que teriam rejeitado a graça de Deus em todo mundo viável para Deus no qual eles existem. Nesse caso, não é verdade que Deus criou todas as pessoas não-salvas que são, como você colocou, “pessoas potencialmente salvas.” (É claro que cada pessoa é potencialmente salva no sentido de que há mundos possíveis em que essa pessoa é salva livremente; mas tais mundos podem não ser viáveis para Deus). Talvez todos os condenados são indivíduos condenados em todos os mundos por sua livre vontade. Isto é, naturalmente, pura especulação, mas mostra que não devemos ser demasiado apressados ​​em assumir que há pessoas que são condenadas, mas que teriam sido salvas se algum outro mundo possível fosse real.

Molinismo – Liberdade humana e a graça de Deus

Isso traz-nos a suas perguntas, Michael. A resposta curta para todas elas é: "Não sabemos." (1), como vimos, é certamente possível; de fato, talvez todos os condenados sejam assim. Novamente, talvez existam pessoas tais como aquelas descritas em (2). Tomemos, por exemplo, alguém que é salvo através de sua leitura das Escrituras e sentindo a convicção do Espírito Santo. Talvez ele também teria sido salvo se tivesse tido uma experiência na estrada de Damasco, como o apóstolo Paulo; mas ele não teria respondido a um chamado ao altar. Não vejo qualquer razão para pensar que não existem pessoas assim.

Quanto a (3), a sua pergunta é enganosa: na visão molinista o problema não é que Deus não o escolheu, mas que ele não escolheu Deus. Na visão de Molina Deus estende graça suficiente para a salvação de todos os seres humanos, mas a Sua graça é extrinsecamente, não intrinsecamente, eficaz, porque ela requer uma resposta livre por parte da pessoa para tornar-se eficaz em salvar aquela pessoa. O que Deus escolhe é um mundo em que aquela pessoa ou livremente responda a salvação de Deus ou rejeite-a livremente. Então o que eu acho que você realmente está perguntando é isso: há pessoas que estão condenadas porque rejeitaram livremente a graça de Deus, mas que teriam sido livremente salvas se um mundo possível em que elas estivessem em outras circunstâncias tivesse sido real em vez disso? E a resposta para essa pergunta é, como eu digo, “Nós não sabemos." Nós podemos muito bem imaginar por que Deus não iria criar um mundo no qual as pessoas se encontrassem nas outras circunstâncias: talvez em tal mundo uma infinidade de outras pessoas teriam sido condenadas em vez disso, para que esse mundo tenha desvantagens maiores. Por outro lado, talvez, como sugerido acima, todos os condenados são condenados em todos os mundos, de modo que ninguém poderia dizer a Deus no dia do Juízo Final: "Se você tivesse me criado em outras circunstâncias, eu teria livremente sido salvo!"

A doutrina do conhecimento médio não toma posição sobre esses tipos de perguntas, mas é uma doutrina que pode ser empregada de forma criativa para formar várias opções.

- William Lane Craig