back
05 / 06
bird bird

#161 O Argumento do Ajuste Fino

October 28, 2014
Q

O Ajuste Fino e a Vida Inteligente

O universo mostra marcas de design com ajuste fino; esta é a conclusão do argumento teleológico. Mas por que se deve considerar as constantes que tornam o universo apto para a vida como o padrão preferido para estabelecer o design? Tal premissa é justificada? Dr. Craig responde a esta pergunta interessante ao notar que há diferentes versões do argumento do design por ajuste fino e que as condições que permitem a vida pesam mais em alguns do que em outros. Ele também escreve que o valor de um padrão que permite vida reside na sua independência das leis do universo e que o design oferece uma "explicação que cabe bem" para tais condições bem ajustadas.

Tenho pensado sobre o argumento do ajuste fino, e ao mesmo tempo que eu gosto dele e acho que ele carrega algum peso, algo dele me incomoda. Ele parece sofrer de "chauvinismo da vida."

Em uma mão de poker um royal flush tem um valor intrínseco e, portanto, ser dadas essas cartas é altamente improvável e bastante surpreendente. Mas isso é porque as regras do jogo definem um royal flush como tendo valor antes que as cartas sejam dadas.

Qual é a justificação para afirmar que a vida é o royal flush?

A vida poderia ser definida como um "fenômeno incrível e improvável" X1. Gás que canta poderia ser definido como um "fenômeno incrível e improvável" X2. Planetas arco-íris com anéis de fogo poderia ser X3. E assim por diante.

Cada fenômeno é igualmente improvável e só pode acontecer por uma determinada configuração das constantes universais. Por que afirmar que X1 tem um valor intrínseco? X2 não poderia "reclamar" que estamos sendo fenomenalistas afirmando que X1 é o melhor?

Apenas parece-me que as regras sobre royal flush estão sendo feitas somente após as cartas serem dadas.

Martin

<ul><li>- country not specified</li></ul>

Dr. Craig

Dr. craig’s response


A [

Design por Ajuste Fino

Esta é uma pergunta muito boa, Martin, sobre a qual eu gostaria de pensar mais. Mas aqui estão algumas reflexões preliminares.

Parece-me que a questão de porque devemos destacar a vida (inteligente) como um exemplo de design de ajuste fino pode ser menos importante para algumas versões do argumento teleológico do que para outras. Tomemos, por exemplo, uma versão do argumento, como Robin Collins apresenta em nosso Blackwell Companion to Natural Theology [Companheiro Blackwell à Teologia Natural] formulada ao longo de linhas bayesianos em termos do cálculo de probabilidades. Deixando "SF" representar o ajuste fino do universo para a vida inteligente, "T" representar o teísmo, e "UUA" representar a hipótese do universo único ateísta (ou seja, há um único universo sem Deus), Collins argumenta que o ajuste fino é significativamente mais provável com o teísmo do que com o ateísmo: Pr (SF / T) >> Pr (SF / UUA). Portanto, o ajuste fino observada confirma a hipótese do teísmo.

Nesta versão do argumento, não parece que a sua pergunta é especialmente imperativa. Podemos calcular as probabilidades de outras observações, bem como ver se elas similarmente confirmam o teísmo. Tome planetas arco-íris com anéis de fogo (X3). É correto dizer que Pr (X3 / T) >> Pr (X3 / UUA)? Não parece que sim. Não há nenhuma razão para pensar que Pr (X3 / T) é muito alta ou que Pr (X3 / UUA) é muito baixa, a menos que você esteja pensando que seja naturalmente impossível, onde seria o caso em que tal fenômeno milagroso seria uma evidência do teísmo. Similarmente, para X2, gás que canta, seja o que for que você quis dizer com isso! Assim, parece-me que em uma abordagem Bayesiana, pode-se conectar qualquer tipo de observação que temos e perguntar se é mais provável com o teísmo do que com o ateísmo, e se for, então confirma o teísmo. Calculando as probabilidades comparativas do ajuste fino do universo para a vida inteligente seria uma coisa natural a fazer, uma vez que somos seres viventes inteligentes.

Design do Ajuste Fino - Condições que permitem vida criam um padrão independente apontando para um Projetista

Sua pergunta parece mais urgente para um argumento para o design inteligente formulado juntamente com linhas estatísticas como o que William Dembski apresenta. De acordo com esta teoria para a detecção de design, olha-se para o conjunto de alta improbabilidade com um padrão dado independentemente. Por exemplo, se você está jogando poker e seu adversário de forma consistente recebe uma jogada vencedora, você suspeitará que ele está trapaceando, não simplesmente por causa da alta improbabilidade da sequência de cartas que ele recebe (qualquer sequência é igualmente improvável!), mas porque essa sequência altamente improvável está em conformidade com o padrão dado independentemente de ganhar poker. Como você diz, "um royal flush tem valor intrínseco... Porque as regras do jogo definem que um royal flush tem valor antes que as cartas sejam dadas." Essas mesmas cartas seriam inúteis se você estivesse jogando algum outro jogo. Mas dado que é o poker que você está jogando, esse padrão é significativo.

Como Dembski aponta, no entanto, o fator-chave aqui não é que o padrão é dado com antecedência ("antes que as cartas sejam dadas"), mas que é dado independentemente do conhecimento da cartada. O padrão não precisa ser dado cronologicamente antes de serem dadas as cartas, contanto que seja especificado de forma independente disso. Se não exigirmos independência, alguém olhando para o resultado da cartada pode sempre inventar algum jogo em que as cartas dadas sejam vencedoras. Tal padrão é "selecionado a dedo", como eles dizem, para se ajustar ao resultado e, portanto, não é significativo.

Agora, no caso de vida inteligente, o padrão de condições que permitem a vida é dado independentemente e, na verdade, muito antes da descoberta de cosmólogos do ajuste fino das condições iniciais do universo. Assim, o ajuste fino parece exibir exatamente essa combinação de enorme improbabilidade e um padrão dado independentemente que nos levam a um design. Assim, quanto o ajuste fino, não é o caso que "as regras sobre royal flush estão sendo feitos somente após as cartas serem dadas."

Design do Ajuste Fino - Algum outro padrão implicaria um Projetista?

Agora a pergunta que você parece levantar é se não há outros padrões dados de forma independente que podem ser utilizados para justificar uma inferência de design quando aplicados às condições iniciais do universo. O problema com os seus exemplos, no entanto, é que esses fenômenos não são realmente observados, e assim não há nada a ser explicado. O que exige explicação é um padrão independente dado, o que é altamente improvável. Se existir, Dembski diria que justifica uma inferência de design.

Lembre-se que uma inferência de design não nos informa sobre a finalidade para a qual o fenômeno observado existe. A inferência de design de Dembski exige apenas uma inteligência como uma explicação do fenômeno, mas não pretende dizer-nos o propósito que o projetista inteligente tinha em mente em trazer a tona esse fenômeno. Assim o argumento de design de Dembski não afirma, por exemplo, que o universo foi feito com a finalidade de trazer a tona seres humanos. Este fato é evidente porque a existência de uma mera minhoca também exige um projetista inteligente como a sua explicação final, dada a sua improbabilidade de tirar o fôlego e sua conformidade a um padrão dado independentemente, mas não devemos inferir que propósito da existência do universo é, portanto, minhocas. A ideia de que o universo foi projetado com a finalidade da existência do homem é uma afirmação teológica, não uma inferência de design. Todo o argumento do design afirma que a vida humana requer para sua explicação um projetista inteligente, quaisquer que tenham sido seus propósitos, não que o universo foi feito para o homem.

Design do Ajuste Fino - Vida inteligente pode ser o sujeito de uma “explicação caprichosa”

Ainda assim, pode-se perguntar por que devemos nos concentrar em vida inteligente como o padrão com o qual nós estamos preocupados. Por que não o padrão necessário para a existência de, digamos, cristais? Aqui eu acho noção de uma explicação caprichosa de John Leslie pode ser útil. Para Leslie, "explicação caprichosa" é um termo técnico: é uma explicação que, para explicar algum fenômeno, revela que há algo a ser explicado. Leslie dá muitos exemplos encantadores de explicações caprichosas. Por exemplo, você está comprando no bazar, e o comerciante de seda está exibindo para você uma cortina de seda. O polegar dele só acontece de estar cobrindo o buraco de traça no pano. Agora é claro que o polegar dele tem que estar em algum lugar, e qualquer local na cortina é igualmente improvável; no entanto -! Que ele está enganando você fornece uma explicação caprichosa para o [porquê de seu polegar estar onde ele está. Ou ainda, Bob, que nasceu em 23 de agosto de 1982, recebe um carro no seu aniversário de sua esposa com a placa BOB 82382. Que este número da placa é o resultado de design inteligente é uma explicação caprichosa disso. Tendo em vista o fato de que é o aniversário de Bob que está sendo comemorado, alguém não está sendo "Bob chauvinista" ao destacar o seu nome e data de nascimento como um padrão significativo que clama por explicação. A presença de uma explicação caprichosa das condições iniciais do universo poderia da mesma forma justificar-nos ao focar as condições necessárias para a vida inteligente como um fenômeno que clama por explicação.

- William Lane Craig