#273 O Bóson de Higgs Descoberto!
January 15, 2015Olá Dr. Craig,
Deixe-me em primeiro lugar agradecer por todo o trabalho que você tem feito em filosofia e entendimento. Os seus escritos, discursos e debates, especialmente quando recentemente você debateu com Peter Atkins, me ajudaram no entendimento de como Deus tem trabalhado no universo.
Agora, eu li um artigo alegando que os cientistas no CERN Grande Colisor de Hádrons (LHC) realmente encontraram o Bóson de Higgs ("Partícula de Deus"). Todos os meus amigos ateus estão agora se exibindo, falando e, mais ou menos, festejando o fato de que agora "Deus foi refutado!" Então, minha pergunta é: supondo que o CERN encontrou esse bóson, que implicações teológicas tem o bóson de Higgs?
Muito agradecido,
T.C.
<ul><li>United States</li></ul>
Dr. craig’s response
A [
A reação de seus amigos ateus a essa descoberta, TC, é um testemunho eloquente do estado deplorável da educação científica em nosso país, que tem sido frequentemente lamentado por cientistas profissionais.
Sem querer estragar a festa, eu tenho que dizer que essa conquista impressionante simplesmente não tem implicações teológicas diretas de qualquer tipo, tanto quanto eu posso ver. O bóson de Higgs é a partícula final, postulada pelo modelo padrão da física de partículas a ser empiricamente confirmada. O modelo padrão postula várias partículas subatômicas fundamentais como quarks, elétrons, fótons, etc., a fim de explicar três das forças fundamentais da natureza: as forças fortes, fracas e eletromagnéticas. A quarta força fundamental, a gravidade, é deixada de fora do modelo padrão.
Uma das partículas teóricas no modelo padrão é um tipo de partícula chamada de bóson, a qual é responsável por um espaço de campo permeado que determina a massa de várias outras partículas que se deslocam através do espaço. Por exemplo, o fóton tem massa zero, ao passo que a de eléctrons tem uma massa pequena. Essa partícula tem sido chamada “bóson de Higgs”. Ela é chamada assim por Peter Higgs, o físico que ter previsto sua existência no campo correspondente do campo de Higgs.
Porque o bóson de Higgs se desfaz tão rapidamente e exige energias extremamente altas para criar, levou tempo, esforço e dinheiro considerável para finalmente fornecer a confirmação empírica de que o modelo padrão foi correto ao postular tal partícula. Este é um daqueles casos maravilhosos na ciência, onde as previsões teóricas foram mostradas corretas por cientistas experimentais.
Eu acho que você pode ver que esta confirmação simplesmente não tem significado teológico, exceto no sentido indireto (por exemplo, um testemunho à ordem matemática e beleza da natureza). Em particular, não muda nada para os argumentos cosmológicos a favor do começo do universo ou argumentos teleológicos sobre o ajuste fino do universo, já que esses argumentos partem do princípio de que o modelo padrão da física de partículas está correto (pelo menos até onde vai! Nós ainda precisamos de uma Grande Teoria Unificada, a fim de explicar a física do universo antes do surgimento das forças fortes, fracas e eletromagnéticas como forças distintas. E, antes disso, precisamos de uma teoria quântica da gravidade ou a chamada Teoria de Tudo para incorporar a força gravitacional. Nós não temos nenhuma dessas ainda.) Tudo o que faltava era a confirmação empírica do modelo padrão com relação ao bóson de Higgs. Agora nós aparentemente temos isso; bem melhor! Nada mudou.
A impressão contrária, evidentemente compartilhada por seus amigos é, sem dúvida, devido à denominação "a partícula de Deus" dada ao bóson de Higgs por Leon Lederman em seu livro 1993 A Partícula de Deus. Algumas pessoas parecem pensar que o bóson de Higgs toma o lugar de Deus. Na verdade, porém, Lederman chamou a "partícula de Deus" por duas razões: (1) como Deus, a partícula está subjacente a qualquer objeto físico que existe; e (2) como Deus, a partícula é muito difícil de detectar!
Eu realmente gosto da nomenclatura de Lederman porque destaca dois aspectos da existência de Deus. Em primeiro lugar, a conservação dEle do mundo em existência e, em segundo lugar, o ocultamento de Deus. Com relação ao primeiro, de acordo com a teologia cristã, Deus não apenas criou o universo, mas Ele o sustenta a cada momento. Se Ele retirasse o Seu poder de sustentação, o universo seria aniquilado instantaneamente. Da mesma forma, em um nível físico, sem o bóson de Higgs nada teria qualquer massa e o universo seria desprovido de objetos físicos. (A propósito, não há medo de que o bóson de Higgs suplante Deus na conservação do universo, porque o bóson de Higgs é uma partícula contingente, a qual decai quase assim que ela é formada, de modo que ela não existe necessariamente e o bóson de Higgs e o campo de Higgs, em si, são os produtos do Big Bang e por isso não são necessários ou eternos.)
Em relação ao segundo ponto, é parte integrante do problema do mal que Deus é escondido. Ele não só é indetectável pelos cinco sentidos, já que não é um objeto físico mas que às vezes ele parece frustrantemente ausente quando precisamos mais dEle. Mas a lição do bóson de Higgs é que indetectabilidade física não é prova da não-existência e algo pode estar objetivamente lá e ser real, até mesmo amplamente presente, mesmo quando não temos nenhuma evidência direta de sua presença. Só porque você não pode ver a mão de Deus em ação quando você está sofrendo, isso não implica que Deus não está presente e ativo em sua situação, sem o seu conhecimento. Portanto, o bóson de Higgs é um bom lembrete desses aspectos da existência de Deus.
É uma pena que os ateus que tenham pouca compreensão da ciência ou teologia. estão fazendo festa sobre algo que não aconteceu e perdendo o que é verdadeiramente comemorativo neste triunfo da razão e descoberta humana.
- William Lane Craig