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#297 Reservas em Retornar à Crença Cristã

May 16, 2015
Q

Olá Dr. Craig. Gostaria de agradecer-lhe por todo seu trabalho duro e dedicação e queria que você soubesse que o seu trabalho tem certamente me cutucado a investigar mais profundamente a fé que eu já tive, tinha como certa e agora estou tentando redescobrir. Meus maiores obstáculos são dois:

Em primeiro lugar, a partir de uma perspectiva filosófica, eu sei que a multiplicidade de sistemas de crenças religiosas não necessariamente negam a verdade de um ou preveem qualquer inferência lógica da não-existência de Deus. No entanto, eu acho, por vezes, irritante quando eu vejo e experimento o modo como seguidores de outras religiões, como o budismo, hinduísmo e até Islã parecem alcançar a mesma sensação de paz e autenticidade eu tenho associado com a minha própria experiência do cristianismo na minha própria vida e na vida das pessoas que eu encontro. Tende a fazer-me pensar que podemos concluir, se não que Deus existe/não existe, mas que o caminho cristão pode não ser o caminho exclusivo de um conhecimento real de Deus. O pequeno pensamento ocorre-me que talvez uma religião é tão boa quanto a outra, aos olhos de Deus. Não seria o caso de que se Deus planejou que o cristianismo fosse a verdade, outras religiões seriam um fracasso, ao nosso ser bem-sucedido? As minhas observações tendem a indicar que este não é o caso.

Em segundo lugar, a partir de uma perspectiva teológica; acho difícil de explicar quando pressionado pelos céticos sobre o Deus do Antigo Testamento. Eu compreendo que há uma variedade de interpretações oferecidas nas, às vezes, descrições chocantes do Deus do Antigo Testamento e eu já li uma obra recomendada em uma de suas palestras "Deus é um monstro moral?" por Paul Copan, mas parece que a qualquer momento que eu vou me explicar sobre estas questões, é considerado simplesmente 'mandar o problema embora' através de uma interpretação conveniente proporcionada pelos caprichos inerentes da linguagem, e em uma ocasião foi demonstrado como exercícios de interpretação literária semelhantes poderiam ser realizados nos textos obviamente abomináveis como o "Mein Kampf" de Hitler para fazê-lo parecer como se tivesse viabilidade moral.

Eu sei que isso pode ser muito grande para absorver, mas eu realmente aprecio sua paciência e sabedoria.

Obrigado

Jon

Malta

  • Malta

Dr. craig’s response


A [

Obrigado por suas perguntas, Jon, bem como os seus comentários encorajadores! Ao você continuar sua jornada espiritual, eu espero que possa ser de alguma ajuda ao longo do caminho.

No que diz respeito à sua primeira pergunta, parece-me que ela é baseada na suposição equivocada de que o propósito da crença religiosa são os benefícios psicológicos que ela confere ao crente. Vamos supor que você esteja correto que muitas religiões além do cristianismo sejam eficazes em trazer "uma sensação de paz e autenticidade" para a vida dos seus adeptos. Isso seria preocupante somente se o propósito do cristianismo fosse de trazer uma sensação de paz e autenticidade com exclusividade para a vida dos crentes cristãos. Mas enquanto muitos evangelistas incentivam as pessoas a crer em Cristo por causa da paz e da alegria e do amor que a fé cristã traz, parece-me que o propósito do cristianismo não é trazer esses benefícios psicológicos, apesar de serem um bom benefício adicional. O objetivo do cristianismo não é ajudar as pessoas a se sentirem bem. O objetivo do Cristianismo é trazer às pessoas a salvação, o perdão dos pecados, e vida eterna. E eu diria que nenhuma outra religião é tão eficaz quanto o cristianismo em trazer esses benefícios para a humanidade. A esse respeito o cristianismo faz sucesso onde outras religiões falham.

Claro, isso levanta a questão de como nós sabemos que o cristianismo é verdadeiro. Não devemos pensar que uma religião é verdadeira apenas porque confere benefícios psicológicos aos seus adeptos. Um muçulmano que acredita que tudo o que acontece é a vontade de Deus ou um budista que consegue extinguir todos os desejos pode experimentar uma sensação de paz como resultado; mas isso não faz nada para ratificar a verdade de suas crenças. Os argumentos da teologia natural e evidências cristãs fornecem bons motivos para acreditar que o cristianismo é verdadeiro, totalmente à parte de quaisquer benefícios psicológicos que a fé cristã possa conferir.

Quanto à sua segunda pergunta, eu noto que sua preocupação não é com a verdade da exegese do Copan, mas com a forma de apresentar tal resposta convincente para os céticos. Aqui gostaria de dizer duas coisas.

Em primeiro lugar, muitos céticos não estão realmente preocupados com uma exegese cuidadosa do texto bíblico, mas apenas em atirar na descrição bíblica de Deus. Precisamos ajudá-los a enfrentar o fato de que eles não estudaram o texto hebraico com cuidado e, em muitos casos, simplesmente tem um mal-entendido do texto. A chamada "escravidão" no Antigo Testamento é um excelente exemplo. Eu acho que o ponto de Copan de que nossa compreensão deste termo é moldada pela experiência do sul dos Estados Unidos antes da Guerra Civil, e que o que está descrito no Antigo Testamento é na verdade uma espécie de programa anti-pobreza projetado para ajudar os pobres na ausência de um governo nacional forte, é bastante convincente. Duvido que uma interpretação convincente semelhante poderia ser feito no caso de Mein Kampf!

Em segundo lugar, quando se apresenta uma objeção, devemos sempre perguntar do que teríamos que desistir se a objeção fosse provada correta. Como salientei em outro lugar, objeções a várias passagens do Antigo Testamento, no máximo, nos obrigariam a desistir da inerrância da Bíblia. Enquanto isso seria uma conclusão importante, não faria nada para prejudicar tanto a existência de Deus quanto a sua auto-revelação Jesus de Nazaré. Assim, a minha inclinação é simplesmente conceder ao cético sua objeção, por uma questão de argumento, e em seguida, entrar em assuntos mais importantes, como a existência de Deus e a ressurreição de Jesus. Isso coloca a ênfase onde deveria estar e força o cético a enfrentar a verdade fundamental do Cristianismo.

- William Lane Craig