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#370 Ainda mais Reflexões no Debate Sean Carroll

May 16, 2015
Q

Dr. Craig,

Muito obrigado novamente pelos ótimos e vivos debates de que você participa juntamente com cosmólogos. Eu tenho que dizer que eu acho essa arena da Cosmologia e Deus um solo muito bom para manter afiado, principalmente porque quando a ciência comprova uma teoria, ou encontra uma boa evidência, chegamos mais e mais perto de compreender mais da grande quantidade de matéria e energia que podemos observar.

De qualquer forma, eu queria lhe perguntar sobre o mais recente debate com Sean Carroll. Houve alguns pontos fortes feitos nesse debate que, como um leigo em cosmologia, me faz querer buscar mais e mais o que os físicos teóricos realmente estão dizendo sobre suas teorias. Os meios de comunicação nem sempre são claros quanto à separação da opinião/crença do cosmólogo versus o que sua teoria realmente diz, sem viés. Então fui em frente e olhei o post dos comentários de debate de Sean Carroll, consulte o site abaixo:

http://www.preposterousuniverse.com/blog/2014/02/24/post-debate-reflections

Parece-me que as acusações que me fazem questionar a maneira como o argumento Kalam funciona, bem como o que as mais recentes teorias estão mostrando versus a própria opinião dos cosmólogos, são as respostas de Sean para:

1. A primeira premissa do argumento Kalam (Causalidade Aristotélica). Ele vai fundo na análise aristotélica da causalidade sendo ultrapassada.

2. O problema do Cérebro de Boltzmann. Ele menciona que o problema do Cérebro de Boltzmann ajuda a isolar os modelos de multiversos que não são sustentáveis. Então, o que acontece com os modelos que funcionam?

3. Sintonia Fina (ou Ajuste Fino). Sean menciona 5 pontos pelas quais a Sintonia Fina não é um bom argumento para o teísmo, e ele continua e diz que você não respondeu a eles. Eu entendo que no seu Pergunta # 49 você mencionou que é um fato sólido que o universo está ajustado finamente para a existência de vida inteligente; por isso fico confuso com o que Sean diz sobre "ele não ofereceu qualquer sugestão de que nós realmente sabemos as condições em que a vida pode e não pode se formar".

De qualquer forma, espero que você possa responder a esta pergunta para mim e me ajude a avançar na minha busca para compreender a cosmologia moderna, os seus fatos e suas esperanças. Além disso, você também vai fazer contato com Allan Guth sobre o teorema BVG? Acho intrigante que o primeiro a dizer que você estava errado sobre BVG foi o Dr. Krauss, e depois vimos a sua troca de e-mail com Valenking provando o contrário. Seria bom para nós, os espectadores, vermos qual seria sua interação com Allan Guth, agora que Sean Carroll está reivindicando que você está enganado na interpretação do teorema.

Obrigado!

Jahir

Estados Unidos

  • United States

Dr. Craig

Dr. craig’s response


A [

Agora que a transcrição do meu debate com Sean Carroll está disponível, eu sou capaz de comentar com responsabilidade sobre os argumentos oferecidos no debate. Nas Perguntas # 368 e # 369, abordei a primeira e segunda perguntas de Jahir, respectivamente. Agora eu me volto para a sua terceira pergunta sobre o argumento teleológico da sintonia fina do universo.

Esboço do argumento

Aqui está um esboço do meu argumento:

Argumento Teleológico

1. A sintonia fina (ou ajuste fino) do universo se deve à necessidade física, ao acaso ou ao design.

2. Não se deve à necessidade física ou ao acaso.

2.1 A sintonia fina não é devida à necessidade física.

2.11 A teoria-M permite 10500 universos diferentes com vários valores de constantes e quantidades fundamentais.

2.2 A sintonia fina não se deve ao acaso.

2.21 A hipótese do Multiverso (incluindo o modelo de Carroll) enfrenta o problema do Cérebro de Boltzmann.

3. Portanto, [a sintonia fina] se deve ao design.

A evidência da cosmologia física é relevante para a verdade da premissa (2), por isso é onde eu passei o meu tempo.

Carroll tinha, obviamente, vindo preparado com suas cinco objeções ao argumento da sintonia fina. Em uma situação de debate é fundamental, dadas as limitações de tempo, determinar quais acusações precisam ser respondidas e quais podem ser ignoradas. No nosso debate eu não tentei responder a cada uma das acusações de Carroll, mas optei por responder apenas aquelas que considerei vitais. Então, vamos ver como o meu argumento se sai à luz delas. Eu vou pular a exposição no meu discurso de abertura e ir imediatamente para as objeções de Carroll.

Primeira Objeção: Negação da Sintonia Fina

Carroll diz:

Em primeiro lugar, eu não estou de forma alguma convencido de que há um problema de sintonia fina e, novamente, o Dr. Craig não ofereceu nenhuma evidência para ele. É certamente verdade que, se você alterar os parâmetros da natureza as condições locais que nós observamos ao nosso redor mudariam bastante. Eu admito isso rapidamente. Eu não concedo que, portanto, a vida não poderia existir. Vou começar concedendo isso assim que alguém me falar as condições em que a vida pode existir. Qual é a definição de vida, por exemplo? Se é apenas processamento de informações, pensar ou algo assim, há uma enorme panóplia de possibilidades. Elas soam muito "ficção científica", mas, por outro lado, você é quem está mudando os parâmetros do universo. Os resultados vão soar como se tivessem vindo de um livro de ficção científica. Infelizmente, simplesmente não sabemos se a vida poderia existir se as condições do nosso universo fossem muito diferentes, porque nós só vemos o universo que vemos.

Esta primeira objeção é, na verdade, uma objeção à premissa (1). Ela não oferece uma explicação da sintonia fina, mas nega que a sintonia fina existe, então não há nada a ser explicado.

A reivindicação de Carroll, de que eu não ofereci nenhuma evidência para o fato da sintonia fina é um pouco exagerada. Em meu discurso de abertura eu disse: "Os cientistas têm se chocado com a descoberta de que a existência de vida interativa inteligente depende de um equilíbrio complexo e delicado de constantes e quantidades fundamentais, como a constante gravitacional e da quantidade de entropia no começo do universo, que são afinadas a um grau que é literalmente incompreensível". Aqui eu explico o que é sintonia fina, menciono a atitude para com ele que é difundida na comunidade científica, e dou um exemplo tanto de uma constante fundamental quanto de uma quantidade arbitrária que exibe sintonia fina. A reclamação de Carroll é que não podemos justificadamente dizer que essas constantes e quantidades são finamente ajustadas ou sintonizadas porque não sabemos se a vida ainda existiria se seus valores fossem alterados. A razão que ele dá para o seu ceticismo é que vemos apenas nosso universo, não outros.

A maioria dos cientistas não está convencida por essa simples negação da sintonia fina. Portanto, eu não queria perder tempo com essa objeção, mas queria tirá-lo do caminho rapidamente para que eu pudesse ir para questões mais substantivas. Então, no meu segundo discurso eu simplesmente disse: "Aqui o Dr. Carroll expressa ceticismo de que a sintonia fina seja real. Mas uma boa parte, se não a maioria, dos seus colegas simplesmente discorda dele aqui. Luke Barnes fornece uma lista de apenas alguns dos cientistas que publicaram trabalhos em defesa da realidade da sintonia fina ", e então eu dei a lista impressionante de Barnes: Barrow, Carr, Carter, Davies, Dawkins Deutsch, Ellis, Greene, Guth, Harrison, Hawking, Linde, Página, Penrose, Polkinghorne, Rees, Sandage, Smolin, Susskind, Tegmark, Tipler, Vilenkin, Weinberg, Wheeler, Wilczek.1 O ponto é que se Carroll quer negar o fato da sintonia fina, então seu debate para escolher não é comigo, mas com os seus colegas, vários dos quais são ainda mais eminentes no campo.

Então eu salientei que o próprio Carroll reconhece o fato da sintonia fina, pois ele aponta para a condição de baixa entropia do universo como "um incômodo problema de sintonia fina" que ele tenta explicar. Carroll depois caracteriza a minha resposta como uma inteligente jogada "te peguei!", mas não é nada disso. O ponto na verdade é, como eu explico, que Carroll tem um trabalho enorme para explicar a sintonia fina através da hipótese dos Muitos de Mundos, ou multiverso. Isso é admitir a verdade da premissa (1) e disputar, em vez disso, a verdade da premissa (2) ao defender a alternativa do acaso. Carroll, mais tarde, irá responder ao meu ponto, dizendo que a sintonia fina, no caso de entropia, não é para a vida: a vida poderia existir mesmo que a entropia não fosse tão baixa. O que ele quer dizer com isso, eu acho, é que a nossa ordem local poderia ser cercada por um mar de relativamente alta entropia. Esse problema vem à tona novamente quando chegamos à pergunta de por que Deus criaria um universo com uma desnecessariamente baixa entropia. Então, vamos voltar a essa questão momentaneamente.

Considere agora a contrarresposta de Carroll em seu segundo discurso:

O Dr. Craig traz o ponto que pessoas discordam de mim. É verdade. Eu tentei dar um argumento e não meramente uma pesquisa de opinião. Se nós estamos autorizados a fazer pesquisas de opinião, vou consultar meus colegas cosmólogos sobre se Deus teve alguma coisa a ver com a criação do universo, e eu vou ganhar por um muito. Eu suspeito que o Dr. Craig acha que a maioria das opiniões dos cosmólogos é importante para algumas questões, mas não para os outras.

Esta é uma resposta boba. É claro que as opiniões dos cosmólogos são importantes para algumas questões, mas não para outras! Pois eles são especialistas em algumas questões e não em outras.

Especificamente, eles são especialistas em cosmologia e por isso podem falar com alguma autoridade sobre a questão da realidade da sintonia fina; mas eles estão longe de ser especialistas quando se trata de teologia e filosofia (da forma como cosmólogos como Krauss e Hawking deixam dolorosamente claro). Então, o fato da sintonia fina ser amplamente reconhecido como um fato por cientistas, mesmo aqueles que negam que Deus teve algo a ver com a criação do universo, é evidência testemunhal de especialistas importante para a realidade da sintonia fina.

Carroll deu um argumento, é verdade, a que eu não respondi, isto é, que não sabemos se a vida existiria se as constantes e quantidades fundamentais fossem sensivelmente alteradas, uma vez que podemos observar apenas o nosso universo. Mas esse argumento é fácil de responder: porque a sintonia fina diz respeito apenas aos mundos regidos pelas mesmas leis da natureza que o nosso, mas com diferentes valores das constantes e quantidades, os cientistas podem prever, de forma razoavelmente confiável, o que aconteceria se esses valores fossem alterados. Os resultados seriam catastróficos. Na ausência de sintonia fina não haveria nem mesmo química, não haveria matéria, muito menos estrelas e planetas onde a vida pudesse evoluir. Por vida, os cientistas entendem a propriedade de organismos de ingerir comida, extrair energia a partir dela, crescer, adaptar e reproduzir. E o ponto é que, a fim de permitir a vida assim definida, as constantes e quantidades do universo tem que ser incompreensivelmente ajustadas. É por isso que a sintonia fina é amplamente reconhecida como um fato da natureza. Eu estou contente em descansar meu caso aqui, mas se você quiser evidência empírica da realidade da sintonia fina, dê uma olhada nos recursos abundantes no tópico.2

Segunda Objeção: Deus Não Precisa de Sintonia Fina

A segunda objeção de Carroll é muito curiosa. Ele diz:

Em segundo lugar, Deus não precisa ajustar ou sintonizar finamente nada. Falamos sobre os parâmetros da física e da cosmologia: a massa da eleição, a força da gravidade. E nós dizemos que se eles não fossem os números que foram, então a própria vida não poderia existir. Isso realmente subestima bastante a Deus, o que eu acho surpreendente da parte dos teístas. No teísmo, a vida não é puramente física. Não é meramente uma coleção de átomos fazendo coisas como no naturalismo. Eu imaginaria que não importa o que os átomos estavam fazendo, Deus ainda poderia criar vida. Deus não se importa qual a massa do elétron. Ele pode fazer o que ele quiser. A única cosmovisão em que você pode dizer honestamente que os parâmetros físicos do universo devem assumir determinados valores para que a vida exista é no naturalismo.

Agora, a que deveria ser esta objeção? Não é uma defesa da necessidade física ou do acaso, mencionados na premissa (2). Inicialmente, pensei que esta deveria ser uma objeção à alternativa do design, com o objetivo de mostrar a sua improbabilidade. Mas, então, como é que a objeção deveria funcionar? É claro que o teísta pensa que Deus poderia ter milagrosamente sustentado a vida ou talvez criado um universo operando de acordo com diferentes leis da natureza que não fossem finamente ajustadas. Mas como é que isso mina o argumento? Quando se diz que se os valores e as quantidades das constantes encontradas na natureza fossem alteradas, a vida não existiria, se está supondo implicitamente condições ceteris paribus—"tudo sendo igual", ou seja, supondo que não há intervenções milagrosas acontecendo. Este é, afinal, um argumento com o objetivo de mostrar a inadequação explicativa do naturalismo, não de mostrar que Deus poderia ter criado o universo de apenas uma forma.

Assim, ironicamente, parece que essa objeção é na verdade uma objeção à premissa (1): ele está dizendo que o teísta tem mais opções do que simplesmente design. Por isso, talvez devamos acrescentar milagre para a lista:

1 *. A sintonia fina do universo se deve à necessidade física, ao acaso, ao design, ou ao milagre.

Obviamente, a inclusão de opções teístas adicionais na premissa (1) não será de qualquer ajuda para o naturalista! Então, apesar de não responder no debate, essa objeção parece-me tão fraca que pode ser ignorada com segurança, sem prejuízo.

Terceira Objeção: Negação da Sintonia Fina

A terceira objeção de Carroll é essencialmente uma repetição da primeira: a sintonia fina é meramente aparente e não real. Carroll diz:

O terceiro ponto é que as sintonias finas que você acha que estão lá podem ir embora depois de entender o universo melhor. Elas podem ser apenas aparentes. Há um exemplo famoso que teístas gostam de dar, ou mesmo cosmólogos que não tenham pensado sobre isso o suficiente, que a taxa de expansão do universo primordial é ajustado para 1 parte em 1060. Essa é a estimativa ingênua, que você faria no verso de um envelope com lápis e papel. Mas, neste caso, você pode fazer melhor. Você pode ir para as equações da relatividade geral e há uma derivação rigorosa correta da probabilidade. Se você fizer a mesma pergunta utilizando as equações corretas, você achará que a probabilidade é 1. Todo o conjunto de medida zero das cosmologias do universo primordial tem a taxa de expansão correta de viver por um longo tempo e permite que a vida exista. Eu não posso dizer que todos os parâmetros se encaixam nesse paradigma, mas até que saibamos a resposta não podemos afirmar que eles são definitivamente finamente ajustados.

Como já foi referido, a maioria dos cientistas não acha que a sintonia fina seja apenas aparente e desaparecerá com o avanço da física. Esta convicção é baseada em dois fatores: primeiro, a multiplicidade de casos de sintonia fina e, em segundo lugar, a independência dessas instâncias uma da outra. Ernan McMullin, um proeminente filósofo da ciência, conclui,

Parece seguro dizer que nas teorias posteriores, não importa quão diferentes sejam, irão aparecer aproximadamente os mesmos... números. E as inúmeras restrições que devem ser impostas a esses números [...] parecem tanto muito específicas quanto muito numerosas para evaporar completamente [...] Uma dúzia ou mais restrições têm sido apontadas [...] Será que todas serão substituídas? [...] Parece pedir demais.3

O padrão histórico tem sido de que quando a sintonia fina é suprimida em um ponto, ele só é transferido para outro lugar, mais ou menos como a elevação teimosa no tapete. Por exemplo, apelar a uma era inflacionária no começo do universo para explicar a sintonia fina da taxa de expansão do universo apenas desloca a sintonia fina para o campo inflacionário primordial e o parâmetro de acoplamento ligado às flutuações de densidade que eventualmente se tornaram nossas galáxias.

Quarta Objeção: A Sintonia Fina é o Resultado do Acaso

Todas as objeções de Carroll até agora têm sido tentativas forçadas de refutar a premissa (1). Mas agora ele vai defender o acaso como a melhor explicação para a sintonia fina, apelando para um hipótese de Muitos Mundos ou multiverso, em que o nosso universo aparece por acaso. Este é o lugar onde o coração da controvérsia contemporânea sobre a sintonia fina reside. Carroll explica,

Número quatro, há uma explicação naturalista óbvia e fácil na forma do multiverso cosmológico. As pessoas gostam de se preocupar com o multiverso. Parece extravagante. Eu reivindico que o multiverso é incrivelmente simples. Não é uma teoria, é uma previsão das teorias físicas que são elas próprias muito elegantes, pequenas e auto-suficientes que criam universos após universos. Não há nenhuma razão, nenhum direito que nós temos, para esperar que todo o universo se pareça com as condições que temos no momento. Mas mais importante, se você tomar o multiverso como seu ponto de partida você pode fazer previsões. Nós vivemos em um multiverso (conjunto de muitos mundos) e nós devemos ser capazes de prever as probabilidades em que as condições ao nosso redor tomam diferentes formas.

Como expliquei em meu discurso de abertura, a explicação do multiverso para a sintonia fina depende fundamentalmente de dois fatores: (1) a existência de um tipo específico de Muitos Mundos (multiverso) e (2) de um efeito de autosseleção do observador. Por uma questão de tempo, eu dispensei uma discussão sobre (1) a fim de me concentrar em (2).

Agora, como um cosmólogo profissional, Carroll deve estar ciente de quão controversa cada uma dessas presunções é, mas ele esconde isso do nosso público por seu tratamento quase arrogante delas. Ele tenta reduzir à extravagância o pressuposto (1), dizendo que é uma previsão de certas teorias físicas. Isso é falso. Não é o suficiente para uma teoria prever um multiverso (ou Muitos Mundos) genérico. Esse multiverso deve ser suficientemente grande para garantir que os universos finamente ajustados apareçam neles por acaso, o que está longe de ser óbvio se o universo é temporal e espacialmente finito. Além disso, os mundos devem ser ordenados de forma aleatória, em suas constantes e quantidades físicas fundamentais, a fim de garantir que a nossa combinação de constantes e quantidades apareçam por acaso. Mais importante, temos de ter alguma razão para pensar que a teoria relevante prevendo tal multiverso é verdade. Mas, como George Ellis — que o cosmólogo Tony Rothman uma vez descreveu como "o homem que sabe mais sobre a cosmologia do que qualquer outro homem vivo" — ressalta, não há nenhuma evidência de que tal teoria seja verdade.4 É revelador que Carroll passa por cima da pergunta de que evidências existem em apoio a (1) em silêncio. "Óbvio e fácil", de fato!

Quanto ao pressuposto (2), o efeito de autosseleção do observador acaba sendo explicativamente oco à luz do problema do Cérebro de Boltzmann. Vimos na Pergunta # 369 a tentativa igualmente descuidada de Carroll em deixar de lado esse problema.

Quinta Objeção: Hipótese do Design Como Inadequada

A última objeção de Carroll é considerada por ele como a mais importante:

Em quinto lugar, e mais importante, o teísmo falha como uma explicação. Mesmo se você ache que o universo seja finamente ajustado e você não ache que o naturalismo possa resolvê-lo, o teísmo certamente não o resolve. Se você pensava que sim, se você jogou o jogo honestamente, o que você diria é: "Aqui está o universo que eu esperaria existir sob o teísmo. Eu vou compará-lo com os dados e ver se ele se encaixa". Que tipo de universo poderíamos esperar? Eu disse diversas vezes que o universo que esperaríamos coincide com as previsões do naturalismo e não do teísmo. Assim, se você pensou que os parâmetros físicos do nosso universo estavam sintonizados de modo a permitir que a vida exista, você esperaria uma quantidade de sintonia fina o suficiente, mas não muito. De acordo com o naturalismo, um mecanismo físico poderia ser exageradamente afinado por uma quantidade incrivelmente grande que não tem nada a ver com a existência de vida e isso é exatamente o que observamos. Por exemplo, a entropia do universo primordial é muito, muito, muito, muito menor do que ele precisava ser para permitir a vida. Você esperaria sob o teísmo que as partículas e os parâmetros da física de partículas seriam o suficiente para permitir que a vida exista e tenha alguma estrutura que foi projetada por alguma razão enquanto que, sob o naturalismo, se esperaria que eles fossem meio aleatórios e uma bagunça. Adivinhem? Eles são uma meio aleatórios e uma bagunça. Seria de esperar que, sob o teísmo, a vida desempenhasse um papel especial no universo. De acordo com o naturalismo, seria de esperar que a vida seja muito insignificante. Eu espero que eu não precise dizer-lhe que a vida é muito insignificante, em relação ao universo.

Em meu discurso de abertura, concluí minha discussão sobre o argumento teleológico com a ressalva: "Por isso, devemos preferir a hipótese do design a menos que a hipótese do design possa ser mostrada como sendo tão implausível quanto seus rivais. Vou deixar para o professor Carroll apresentar tais objeções". Esta quinta objeção é precisamente a tentativa de Carroll para fazer exatamente isso. Tecnicamente, sua objeção deveria ser para a hipótese do design, não teísmo, já que não concluímos o teísmo, mas um Designer cósmico. Eu deveria argumentar que o teísmo é consideravelmente mais provável dada a existência de um Criador e Designer do universo do que seria de outra forma, mas isso é um passo adicional no argumento. A pergunta, então, é se a objeção de Carroll faz a hipótese do design tão implausível quanto as hipóteses de necessidade física ou acaso.

A objeção de Carroll é estranha em diversas formas. Por exemplo, não é parte do argumento da sintonia fina reivindicar que cada constante ou quantidade que a natureza exibe seja afinada, mas apenas que um número suficiente delas seja, para fazer a probabilidade de todas caírem na faixa que permite a vida por acaso praticamente impossível. Então, como é que o argumento é de alguma forma prejudicado ao apontar para uma quantidade no universo que não é afinada? É difícil ver a relevância. Além disso, não é verdade que os valores das constantes e quantidades fundamentais são "meio que aleatórias e uma bagunça". Todos elas estão dentro da faixa que permite a vida. É só que a gama de algumas que permitem a vida é mais ampla do que para outras. Por exemplo, a gravidade é finamente ajustada para cerca de 1/1031, a força fraca para cerca de 1/109, e a relação de massa do próton/nêutron a cerca de 1/70. E daí? Contanto que todos elas permitam a vida (ou, melhor, permitem agentes encarnados e conscientes), o que importa se o intervalo de entropia que permite a vida, por exemplo, é muito mais amplo do que a da gravidade em relação às suas presumidas gamas? Além disso, lembre-se de que Carroll acha que a entropia do universo é, de fato, finamente afinada, mas não para a vida. Isso deixa em aberto que a entropia é finamente ajustada pelo Designer cósmico para algo diferente do que a vida. Como é que Carroll exclui isso? Como ele sabe que o Criador não é como um artista que gosta de esborrifar sua tela com cores e formas extravagantes? Talvez a concepção de Deus de Carroll seja apenas fundamentalmente errada.

Carroll afirma que se houvesse um Designer divino, então ele não teria feito a entropia do universo tão baixa quanto ela é, uma vez que ainda poderíamos existir em um universo com entropia maior - por exemplo, em uma ilha de ordem em um mar de alta entropia (um pouco como um Cérebro de Boltzmann!). Poder-se-ia ser justificadamente cético sobre como Carroll sabe o que poderia estar na mente do Criador do universo - mas deixemos isso de lado. Mesmo concedida a suposição (que é discutível) que o Designer não faria a entropia do universo menor do que ela precisa ser, o argumento de Carroll, gratuitamente, assume que nós, na terra, somos toda a vida que existe e que o Designer não pode ter outros fins em vista, dando ao universo a sua condição de baixa entropia. Assim, em resposta a Carroll, eu respondi na minha refutação,

Dr. Carroll diz que o teísmo não faz um trabalho melhor em explicar a condição de baixa entropia do universo. Pois por que, ele pergunta, Deus fez a entropia do universo tão desnecessariamente baixa a fim de nos criar? Bem, eu tenho duas respostas a isto. Em primeiro lugar, não é parte do argumento da sintonia fina afirmar que nós somos o propósito para o qual o universo foi criado! Pode muito bem haver vida inteligente criada por Deus espalhada por todo o universo. Mas, em segundo lugar, como Robin Collins destacou, mesmo que uma condição geral de baixa entropia não seja necessária para a nossa existência, é necessária para a descobertabilidade do universo. Deus não nos deu um manual de instruções sobre como o mundo funciona. Mas o que ele tem feito é um mundo que é suscetível a exploração racional e descoberta. E se Deus quis fazer um universo detectável pelos agentes encarnados e conscientes, ele poderia muito bem fazê-lo em tal condição de baixa entropia.

Minha primeira resposta tem como alvo a alegação de Carroll: "A explicação teísta para a sintonia fina cosmológica pede-lhe para olhar para esta imagem e dizer, 'Eu sei porque é assim. É porque eu iria estar aqui ou nós iríamos estar aqui.' Mas não há nada em nossa experiência do universo que justifique o tipo de história lisonjeira que nós gostamos de contar sobre nós mesmos". Carroll evidentemente compreende mal a sintonia fina como implicando que o objeto para o qual o universo é ajustado finamente é o propósito do universo. Mas isso não está certo. O universo é finamente ajustado para zebras e platelmintos, assim como para os seres humanos, mas isso não implica que a finalidade para a qual o universo foi criado seja minhocas! A sintonia fina é um termo neutro, indicando que a faixa de valores que permite que algo exista é primorosamente estreita em comparação com o intervalo de valores assumimos. A pergunta de por que algo é finamente ajustado é outra pergunta, que o argumento da sintonia fina não aborda. Especificamente, o argumento não afirma que o universo é como é porque "nós iríamos estar aqui". O Designer poderia ter destinado que a vida existisse em vários lugares do universo, o que exige uma condição geral de baixa entropia.

Minha segunda resposta tem como alvo uma reivindicação que Carroll tem em outros lugares de que se Deus existe, então ele teria nos dado Escrituras Sagradas com dados científicos sobre a forma como o mundo funciona. O que a opinião de Collins sugere em vez disso é que Deus quer que nós descubramos essas coisas nós mesmos, e por isso fez um universo suscetível à investigação científica. Isso exige uma condição geral de baixa entropia. O objetivo da Sagrada Escritura é, mais importante do que isso, nos fazer sábios para a salvação.

Em sua réplica, Carroll não responde a estes dois pontos, como eu indico no meu discurso de encerramento. Ao contrário, ele responde a algo que eu disse fora do contexto do debate:

Agora o Dr. Craig disse que não devemos esperar saber coisas sobre o mundo simplesmente porque dizemos que Deus o ajustou finamente. "Só porque sob o teísmo", diz ele, "Deus fez os parâmetros do universo de tal forma a permitir que a vida exista, não significa que podemos ter qualquer outra expectativa para prever quais são esses parâmetros". Isso reflete algo que ele disse em seu site anteriormente. Num contexto semelhante, ele disse: "Suponha que Deus seja mais parecido com um artista cósmico que quer espirrar sua tela com a extravagância do design e que gosta de criar este fabuloso cosmos projetado com detalhes fantásticos para observadores". Então, o que esta atitude está dizendo é que bem, o meu ponto é que este não é algum tipo de estratégia apologética sofisticada. Esta é uma admissão de derrota. Isto é dizer que nunca devemos esperar que o teísmo explique porque o universo é de uma forma em vez de alguma outra forma. Você conhece Deus — Deus é um artista. Você conhece artistas; eles são tipos peculiares e imprevisíveis. Nós não podemos esperar saber o que eles irão fazer antes do tempo. Qualquer coisa que você possa, possivelmente, observar sobre o universo, de acordo com este ponto de vista, eu posso explicar como dizendo: "É isso o que Deus teria feito".

Isto parece entender as coisas exatamente ao contrário. Considere a analogia do artista. Ao encontrar um retrato de uma pessoa, podemos inferir que ele foi pintado por um artista. O padrão de cores é simplesmente complexo demais para plausivelmente ser o resultado do acaso. Um cético aponta para uma parte do fundo que está borrada e diz: "Se esta imagem fosse pintada por um artista, então não esperaríamos que ele tivesse pintado este fundo tão indistintamente. Esta parte também deveria ter sido finamente executada". Nós não estaríamos nem um pouco convencidos por tal afirmação, uma vez que o artista pode muito bem ter razões para ter um fundo borrado. É o objetor que sofre a derrota de sua objeção.

Agora, isso significa que qualquer coisa que possamos observar na tela poderia justificar a explicação: "Isto foi feito por um artista"? Claro que não! Algumas obras de arte moderna não dão qualquer indício de terem sido o produto de design inteligente. Olhando para eles, podemos pensar: "Isso poderia ter sido executado por um chimpanzé". Mas talvez nós estejamos, de fato, olhando para um Jackson Pollock, que foi, de fato, pintado por um artista com fins específicos em mente. Em tal caso, a inferência de design não seria justificada, mesmo que houvesse um designer. O problema é que um agente inteligente pode deliberadamente mascarar suas trilhas, e fazer algo parecer acidental. Isto mostra que a hipótese do design pode ser verificável embora não seja falsificável. O ponto de Carroll é que o design do universo não pode ser falsificado (o que derrota sua objeção), mas ele erroneamente conclui que, portanto, não podemos ter bons motivos para inferir design.

Resumindo

A maior parte da nossa discussão a respeito do argumento teleológico tinha a ver com a objeção do Cérebro de Boltzmann para a hipótese do multiverso, que eu discuti na Pergunta # 369. Aqui temos considerado as cinco objeções de Carroll ao argumento da sintonia fina.

Vimos que a primeira e terceira objeção de Carroll foram essencialmente as mesmas, ou seja, que a sintonia fina é apenas aparente, não real. Em resposta a esta objeção eu simplesmente descansei meu caso sobre a opinião da maioria dos cientistas como Brandon Carter, Paul Davies, George Ellis, Roger Penrose, Martin Rees, e muitos outros, que o universo é finamente ajustado para a vida inteligente. Negar o fato da sintonia fina é realmente um ato de desespero motivado, eu acho, pelo desejo naturalista de não deixar um pé teísta passar pela porta.

A segunda objeção eu não respondi. Mas ela é tão evidentemente equivocada que não desempenha nenhum papel significativo no debate sobre a sintonia fina. Realmente equivale a nada mais do que expandir as opções explicativas teístas.

A quarta objeção estava no coração do nosso debate sobre a sintonia fina. Carroll opta pela explicação do acaso, em vez de necessidade física ou design. Para defender a alternativa de acaso, ele recorre à hipótese dos Muitos Mundos ou multiverso. Assim, somos confrontados com duas hipóteses metafísicas concorrentes, para explicar a sintonia fina: os Muitos Mundos ou um Designer Cósmico. Expliquei que a hipótese dos Muitos Mundos depende essencialmente de (1) a existência de um tipo específico de Muitos Mundos e (2) de um efeito de autosseleção do observador. Embora eu não tenha feito qualquer tentativa para desafiar (1), Carroll também não forneceu qualquer evidência para ela. Eu fortemente contestei (2), no entanto, e como vimos na pergunta # 269, Carroll não ofereceu evidência concreta e específica em apoio ao seu apelo a ela. Portanto, esta objeção não está apenas derrotada, mas com ela cai a última defesa da alternativa do acaso.

Isso nos deixa com o design como a melhor explicação, a não ser que Carroll possa mostrar que o design é tão implausível quanto o acaso. Ele tentou fazê-lo alegando que a condição de entropia do universo excessivamente baixa é improvável dado o design. Mas as minhas duas respostas para isso, isto é, de que a vida pode estar espalhada por todo o universo e de que o Designer Cósmico pode ter criado o universo de modo a ser, não apenas habitável, mas detectável por agentes criados, me parecem muito plausíveis e são, de qualquer forma, admitidas por Carroll como derrotando sua objeção. Sua queixa que isso faz com que a hipótese do design não seja falsificável é de pouca importância, uma vez que o fato crucial é a sua verificabilidade.



Notas:

1 L. A. Barnes, “The Fine-TuningoftheUniverse for Intelligent Life,” Publications of the Astronomical Society of Australia 29 (2012): 529–564.

2 Por exemplo, John D. Barrow e Frank Tipler, The Anthropic Cosmological Principle (N.Y.: Oxford University Press, 1986); John Leslie, Universes (London: Routledge, 1989); Martin Rees, Just SixNumbers (N. Y.: Basic Books, 1999); Robin Collins, “The TeleologicalArgument: An Exploration of the Fine-Tuning of theUniverse,” The Blackwell Companion to Natural Theology, Wm. L. Craig e J. P. Moreland (Oxford: Blackwell, 2009), pp. 202-81.

3 Ernan McMullin, “Anthropic Explanation in Cosmology,” no “Godand PhysicalCosmology,” conferência na UniversityofNotreDame, 2003.

4 George F. R. Ellis, “Does theMultiverseReallyExist?” Scientific American 305 (August 2011), pp. 38-43.

- William Lane Craig