#300 Amando a Deus
May 16, 2015Aqui está o meu problema, Dr. Craig: eu sou tão ateu quanto se pode ser. Nunca acreditei nem mesmo por 1 minuto na minha vida. No entanto, quando eu penso sobre isso, como filósofo, eu tenho que admitir que eu não tenho nenhum bom argumento para refutar a existência de Deus. E além do mais, assistindo debates on-line e lendo jornais, acho os argumentos teístas muito convincentes. Os argumentos que você apresenta, com os quais estou muito familiarizado, são argumentos sólidos. No entanto, e aqui está o meu problema, eu ainda não estou convencido. Além disso, eu penso: e se eu encontrasse Deus hoje? Certamente eu vou acreditar em sua existência. Mas por que adorar? Mesmo que os argumentos me convençam de que Deus existe, por que eu deveria me importar? Ou eu o adoro porque se eu não fizer isso Deus vai me torturar para sempre, ou eu aceito sua amizade voluntariamente. Mas e se eu não quiser ser seu amigo?
Carl
Estados Unidos
Dr. craig’s response
A [
Uau, que pergunta interessante, Carl! Eu realmente aprecio a sua honestidade. Sua pergunta aponta para a diferença entre simplesmente acreditar que Deus existe e acreditar em Deus. Alguém poderia dar uma espécie de reconhecimento desinteressado, mesmo apático, do fato de que Deus existe sem realmente amar e confiar em Deus.
Jesus ensinou que aquele que foi perdoado muito, ama muito, ao passo que aquele que foi perdoado pouco, ama pouco (Lucas 7:40-50). Eu suspeito que é aí que reside a chave para a sua pergunta. Adoração a Deus acontece por uma profunda gratidão a Ele pelo Seu perdão dos erros de alguém. As pessoas que não têm um profundo senso de sua própria pecaminosidade, provavelmente não irão sentir muito uma necessidade de chegar a Deus. Mas saber que, indigno como você é, você foi perdoado de até mesmo seus piores pecados e purificado de sua culpa para sempre, emite espontaneamente ação de graças e louvor a Deus por tal favor imerecido.
Eu fui surpreendido quando, no final do nosso debate sobre a existência de Deus, Louise Anthony confessou que uma das desvantagens do ateísmo que ela tinha vindo a abraçar é que, sob o ateísmo não há redenção. Pense nisso! O pecado e culpa de alguém são verdadeiramente indeléveis. Nada pode desfazer o que foi feito e restaurar a sua inocência. Mas a mensagem cristã é uma mensagem de redenção. É por isso que o autor do hino exclama "Redimido! Como eu amo proclamá-lo!"
Assim, a fim de chegar a Deus, eu acho que você provavelmente precisará refletir sobre o seu próprio pecado. C. S. Lewis comentou certa vez: "Ninguém sabe o quão ruim é até que tenha realmente tentado ser bom." O filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard fez o mesmo ponto. Kierkegaard pensava da vida vivida em três níveis. O nível mais básico é o estágio estético, no qual a vida é vivida de forma egoísta pelo prazer que proporciona. A vida vivida assim, em última análise traz tédio e enfado. O próximo plano mais elevado é o estágio ético, em que se vive de acordo com os rigorosos padrões morais. Mas esta vida resulta, em última análise, em desespero, porque não se pode viver de acordo com o padrão do bem moral. Somente no plano mais alto, o estágio religioso, é que a existência autêntica verdadeiramente pode ser encontrada. Kierkegaard previu, acertadamente, que é o fracasso da vida ética que impulsiona alguém para o plano religioso.
Lembro-me que quando eu era um não-cristão e ouvi pela primeira vez a mensagem do Evangelho. Mesmo vivendo uma vida externamente moral, eu estava ciente da escuridão e desvio interno. Até que você venha a ter uma consciência de sua própria natureza caída, o egoísmo e a necessidade do perdão, você provavelmente não vai estar inclinado a adorar e amar a Deus. Mas eu lhe encorajo a ler um pouco de Kierkegaard ou, talvez, Pensées, de Pascal, e tentar viver fielmente de acordo com a Regra de Ouro. Isso pode ajudar a despertar em você um senso agudo de quão verdadeiramente necessitado você é.
- William Lane Craig