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#166 Amor e Justiça na Trindade

October 28, 2014
Q

Caro Dr. Craig,

No debate que você teve com Shabir Ally sobre "O Conceito de Deus no Islã e o Cristianismo", você disse que o amor é parte da natureza perfeita de Deus. Você passou a explicar como o conceito triúno de Deus é mais plausível do que o conceito unitário de Deus no Islã levando isso em conta. Porque o amor envolve a doação de si para outro, um conceito unitário de Deus é insuficiente. A Trindade, no entanto, faz sentido do amor como uma propriedade essencial da natureza perfeita de Deus. Isto me leva à pergunta que eu quero fazer: por que não entender o amor como nós entendemos as outras perfeições de Deus? Por exemplo, eu entendo que a perfeita justiça de Deus não é expressa até algum momento depois de Sua criação se rebelar contra Ele. Agora, a menos que a justiça de Deus seja expressa de alguma forma dentro das três pessoas divinas, por que afirmar que Deus é perfeitamente justo antes da criação de qualquer outro ser que possa se rebelar? Se podemos afirmar que Deus é justo sem ter que expressá-la até a criação, então por que não afirmar que um Deus unitário pode ser amoroso sem criação (depois expressando-o para seres criados)?

Espero que a minha principal pergunta tenha feito sentido. Eu gostaria de agradecer-lhe por seu ministério. Ele certamente tem sido uma bênção e uma inspiração. Deus abençoe você e sua família!

em Cristo,

Juan

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Dr. Craig

Dr. craig’s response


A [

Muito boa pergunta, Juan! Pode-se responder que a justiça, como o amor, é expressa entre as pessoas da Trindade. Não devemos pensar em justiça como simplesmente o castigo do pecado, apesar de que isso é exigido pela justiça. Justiça é um conceito mais amplo do que isso. A justiça exige que tratemos as outras pessoas de forma justa, que não mostremos favoritismo, que tratemos outras pessoas como fins em si mesmos e não como meios para algum fim. As pessoas da Trindade apresentam todas essas virtudes. Seria absurdo imaginar as pessoas da Trindade envolvidas em favoritismo ou parcialidade nas suas relações umas com as outras! (Note que a subordinação de um membro para outro, a chamada "Trindade econômica" para o bem da nossa salvação, não é o caso de algum tipo de favoritismo.)

Mais fundamentalmente, no entanto, o meu argumento é que não é o suficiente pensar no amor como uma mera propriedade disposicional, a disposição para amar se alguma outra pessoa existisse. Ser amoroso não é apenas a disposição de doar-se para outro se esse outro existisse. Ser amoroso envolve, na verdade, doar-se aos outros. Portanto, esta disposição não pode apenas ficar latente em Deus e nunca se concretizar. Segue-se, então, que um Deus unitário teria que criar outras pessoas necessariamente, que é o que a sua sugestão implica. Mas isso contradiz o que os cristãos e os muçulmanos acreditam sobre a liberdade de Deus em criar. Portanto, Deus deve ser uma pluralidade de pessoas não criadas, que é o que a doutrina da Trindade afirma.

Portanto, meu argumento se resume a isto: o amor não pode ser reduzido à mera disposição. Embora seja pelo menos isso, é muito mais do que isso. Portanto, o conceito unitário de Deus é inadequado.

- William Lane Craig