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#171 Argumentos Apologéticos

October 28, 2014
Q

Critérios para um bom argumento

Bons argumentos apologéticos não são apenas sólidos, mas as premissas sobre as quais repousam deve ter algum tipo de justificativa. No entanto, muitos céticos da Internet tentaram alegar que multiplicar as probabilidades de duas premissas pode levar a uma conclusão que é menos plausível do que sua negação. Dr. Craig demonstra aqui que os céticos estão errados em seu pensamento. Multiplicar probabilidades das premissas não irá produzir a probabilidade da conclusão. Premissas verdadeiras sempre levarão a conclusões verdadeiras em argumentos apologéticos que são dedutivos e sólidos.

Caro Dr. Craig,

Eu tenho uma pergunta lidando com o que constitui um bom argumento. Você frequentemente afirma em seu trabalho popular que um bom argumento deve: ser logicamente válido, ser sólido e ter premissas mais plausíveis do que suas negações. Agora, eu sei que você corretamente ignora as objeções populares ao seu trabalho levantadas por ateus da Internet, mas, com respeito ao seu terceiro critério, eu acho que eles levantam um ponto válido. Vários ateus e céticos, tanto no YouTube, como em outros lugares, têm objetado que existem contra-exemplos para o seu terceiro critério que as premissas devem ser mais plausíveis do que a sua negação. O primeiro prossegue da seguinte forma:

1. Se (A & B), então C.

2. A.

3. B.

4. Portanto, C.

Agora, suponha que nós aprendemos que a credibilidade (estou usando este termo num sentido probabilístico) por acreditar (1) é 1, e a credibilidade para acreditar (2) e (3) são 0,6 cada. Agora, aqui está o problema: apesar de todas as três premissas serem mais plausíveis do que suas negações (todas elas têm uma credibilidade acima de 0,5), sua conclusão não, pois quando as probabilidades das premissas são multiplicadas, a credibilidade da conclusão é um mero 0,36 ! Então, alguma coisa claramente deu errado, mas o quê?

Outro exemplo oferecido que não utiliza probabilidade é o seguinte:

1. Está chovendo.

2. O cão do meu vizinho está lá fora.

3. Portanto, está chovendo e cão do meu vizinho está lá fora.

Este é um argumento logicamente válido, uma vez que a conclusão decorre de uma regra de inferência conhecida como introdução conjunta. Então aqui está o problema com este argumento: (1) pode ser mais plausível do que a sua negação, porque eu posso ver a chuva caindo pela minha janela, enquanto (2) pode ser mais plausível do que sua negação já que eu sei que o cão do meu vizinho está sempre lá fora. No entanto, estou longe de estar tão certo dessa conclusão! Se o meu vizinho é um bom dono, ele traria seu cão para dentro quando chove, o que significa que a conclusão é menos plausível do que sua negação! Além disso, não se pode dizer que (2) é implausível, porque está chovendo, porque então ele está trazendo (1) em consideração e, portanto, está comentando sobre a conclusão do argumento.

Então Dr. Craig, estas são as principais questões levantadas por ateus e céticos na internet contra seu terceiro critério. Existe alguma maneira de respondê-las? E se eles estiverem certos, então como os pesquisadores da verdade devem considerar as premissas de um argumento e quanta justificação eles devem exigir delas?

Obrigado e que Deus abençoe,

Pranav

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Dr. Craig

Dr. craig’s response


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Argumentos Apologéticos

É assustador quão realmente desesperadas essas pessoas estão ficando! Longe de levantar pontos válidos, Pranav, essas objeções são simplesmente inúteis, baseadas em equívocos fundamentais do que faz bons argumentos apologéticos. Os caras que postaram essas críticas no You Tube, se continuarem seus estudos de filosofia, um dia se envergonharão muito com esses vídeos.

Deixe-me voltar e responder sua pergunta. O que faz um argumento dedutivo sólido? A resposta é: premissas verdadeiras e lógica válida. Um argumento é sólido se as premissas do argumento são verdadeiras e a conclusão decorre das premissas pelas regras lógicas de inferência. Se estas duas condições são seguidas, então a conclusão do argumento é garantidamente verdade.

No entanto, para ser um bom argumento, um argumento tem de ser mais do que apenas sólido. Se as premissas de um argumento são verdadeiras, mas não temos nenhuma evidência para a verdade daquelas premissas, o argumento não será bom. Pode (até onde saibamos) ser sólida, mas na ausência de qualquer evidência para suas premissas não irá, ou pelo menos não deveria, convencer ninguém. As premissas têm que ter algum tipo de garantia epistêmica para nós, para que um argumento sólido seja bom.

Argumentos Apologéticos – cuidado com a petição de princípio

É por isso que os argumentos que incorrem na petição de princípio não são bons argumentos. Uma pessoa é culpada de incorrer na petição de princípio se a sua única razão para acreditar em uma premissa é que ela já acredita na conclusão. Por exemplo, suponha que você fosse apresentar o seguinte argumento para a existência de Deus:

1. Ou Deus existe ou a lua é feita de queijo verde.

2. A lua não é feita de queijo verde.

3. Portanto, Deus existe.

Agora, este é um argumento sólido para a existência de Deus: suas premissas são verdadeiras e a conclusão decorre das premissas pelas regras da lógica (especificamente, silogismo disjuntivo). No entanto, o argumento não é bom, porque a única razão para acreditar que a primeira premissa seja verdade é que você já acredita que Deus existe (a disjunção é verdadeira se uma das disjunções é verdade). Mas essa é a conclusão do argumento! Por isso, ao apresentar esse argumento você está raciocinando em um círculo ou incorrendo a petição de princípio. A única razão pela qual você acredita (1) é porque você acredita (3).

Assim, solidez não é suficiente para fazer um argumento bom. Algo mais é necessário com respeito à garantia das premissas para nós. Seguindo o exemplo de George Mavrodes (Belief in God [Crença em Deus], 1970) e Steve Davis (God, Reason and Theistic Proofs [Deus, Razão e Provas Teístas], 1997), eu tenho argumentado que o que é necessário é que as premissas não somente sejam verdade, mas mais plausíveis do que seus opostos ou negações. Se é mais plausível que a premissa seja, à luz da evidência, verdade em vez de falso, então devemos acreditar na premissa.

Espero que isso esclareça o mal entendido propagado em um vídeo no You Tube de que quando eu digo que as premissas de um bom argumento devem ser mais plausivelmente verdadeiras do que suas negações, estou postulando uma gama de valores de verdade adicionais entre o verdadeiro e o falso. Não, eu presumo o clássico princípio da bivalência, segundo o qual há apenas dois valores de verdade, Verdadeiro e Falso. Existem diferentes graus de plausibilidade, não de verdade, dadas as quantidades variáveis de evidência em apoio às premissas.

Argumentos Apologéticos – a relação da conclusão com premissas

Além disso, em um argumento dedutivo válido, como o argumento cosmológico Kalam, quaisquer probabilidades atribuídas às premissas não são usadas para calcular a probabilidade da conclusão. (Na verdade, eu prefiro falar de plausibilidade em vez de probabilidade para evitar o problema de que muitas vezes é difícil atribuir valores de probabilidade para as premissas; mas não importa.) Se as premissas são verdadeiras, então segue necessariamente que a conclusão é verdadeira, ponto final. É logicamente falacioso multiplicar as probabilidades das premissas para tentar calcular a probabilidade da conclusão. É por isso que você acaba com os resultados claramente errados como você fez. Em um argumento dedutivo sólido, o máximo que podemos dizer sobre a probabilidade da conclusão do argumento é que ela não pode ser inferior a algum limite inferior; mas pode ser tão elevada como 100%.

Assim, com relação ao seu primeiro exemplo, temos aqui um argumento dedutivo válido, uma vez que a partir de (2) e (3), pode-se inferir

3*. A & B

e de (1) e (3*) segue logicamente que (4). Tudo o que precisamos saber é se há melhores razões para acreditar (1), (2) e (3) ao invés de seus opostos. Se houver, então você tem um bom argumento para (4). A probabilidade de (4) nem sequer entra em cena.

Quanto ao seu segundo exemplo, este é também, como você nota, um argumento válido. Então você só precisa descobrir se as evidências fazem com que cada premissa seja mais provável de ser verdade que a sua negação. O receio que você compartilha é simplesmente evidenciar que (2) pode não ser mais plausível do que a sua negação. Você tem direito de olhar para todas as evidências relevantes para (2). Se está chovendo ou 40 graus abaixo de zero, ou você ouviu sua esposa dizer que seu vizinho estava levando seu cão ao veterinário hoje, etc., você pode muito bem ter bons motivos para pensar que (2) não é verdade. Você pode saber, por exemplo,

1*. Se está chovendo, meu vizinho leva o seu cão para dentro.

Segue a partir de (1) e (1*) que (2) é falsa. Mas se, no cômputo geral, a evidência suporta (1) e (2) ao invés de seus opostos, então você tem um bom argumento para (3).

Assim você pode ver que os bons argumentos apologéticos são simplesmente aqueles que são sólidos e cujas premissas têm mais garantia do que suas negações. Se estas realmente são "as principais questões levantadas por ateus e céticos na internet contra o [meu] terceiro critério," estamos muito bem, e eles estão em apuros.

- William Lane Craig