#120 Conselho Matrimonial
September 25, 2014Prezado Dr. Craig,
Eu planejo me casar em um futuro próximo e gostaria de lhe pedir qualquer conselho que você ache importante antes que o casamento aconteça. Nós podemos evitar algum erro? Seria vantajoso procurar um pastor para aconselhamento pré-matrimonial? Existem algumas dicas úteis que você poderia oferecer a partir de uma perspectiva cristã ou a partir da sua própria experiência?
Desde já obrigado!
Zareen.
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Dr. craig’s response
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Jan e eu acabamos de voltar do Texas, onde eu tive o privilégio de casar nosso filho John e sua noiva Christine, então sua pergunta parece bastante apropriada nesse momento! Jan e eu ficamos mais do que felizes em dar conselhos quando alguém nos pede, então vou compartilhar alguns pensamentos que espero serem úteis para você.
Quando me casei, pensei que os ajustes inevitáveis que todos diziam que deveríamos esperar eram basicamente trivialidades como um dos dois apertando a pasta de dente no meio do tubo e o outro apertando na ponta, ou um dos dois sendo organizado e limpinho e o outro deixando roupas sujas jogadas no chão, e assim por diante. Esses tipos de ajustes são apenas materiais para piadas. Eu não fazia ideia que os ajustes reais no casamento eram bem mais sérios e profundos.
Os ajustes reais no casamento se originam do profundo estado quebrantado que todos nós trazemos para dentro do relacionamento. Até mesmo os mais psicologicamente saudáveis de nós trazemos para dentro do casamento um resíduo de experiências desde a infância que nos deixaram com cicatrizes de diferentes tipos e em diferentes níveis: falta de autoestima, insensibilidade, complexo de inferioridade, impulsividade, falta de confiança, insegurança, temperamento e assim por diante. Com tantas pessoas atualmente vindo de lares desfeitos e famílias disfuncionais, esses tipos de problemas serão ainda mais intensos entre os recém-casados de hoje.
Já ouvi o casamento ser comparado a dois grandes rios que em algum ponto se unem. Onde eles se encontram, haverá turbulência e água agitada por algum tempo. Mas mais para baixo os rios verdadeiramente se tornam um e, então, ele corre tranquilamente em seu curso. Essa comparação é adequada. Pode ser que você leve de cinco a oito anos para passar pela fase de ajustes antes que o relacionamento se torne pacífico e harmonioso. Não quero desencorajar você, mas sim abrir seus olhos para o que te espera para que, quando vier, vocês não desistam, mas possam dizer um ao outro, “Nós podemos, com a ajuda de Deus, passar por isso e encontrar o casamento que Deus quer que tenhamos!”. Os primeiros anos do casamento, que Hollywood retrata como idílicos, são - se você lida com eles corretamente - normalmente os piores, e os anos posteriores são os melhores.
Dito isso, que conselhos eu daria para você para ajudá-lo a passar com sucesso por esta fase e ter um relacionamento feliz e saudável? Deixe-me mencionar alguns pontos:
1. Decidam que não haverá divórcio. Lembre-se que, de acordo com as Escrituras, Deus odeia o divórcio. É pecado e, portanto deve ser evitado a todo custo. Portanto, não importa quão difícil as coisas fiquem, nem um de vocês irá cair fora. Vocês irão resolver. Vocês farão o que for necessário para resolver seus problemas. Individualmente, você será o homem de Deus ou a mulher de Deus que vocês foram chamados para ser, independentemente do que seu cônjuge fizer. Você resolve buscar santidade em vez de felicidade (apesar de saber que santidade é, na verdade, o segredo para a felicidade!) e, portanto, irá suportar a dor em vez de buscar a saída fácil. Ironicamente, ao escolher o caminho difícil do compromisso permanente, você aumenta grandemente as chances de construir um casamento feliz porque você irá prover para seu cônjuge o tipo de segurança que permite que o amor floresça.
2. Posterguem a vinda dos filhos. Os primeiros anos do casamento são difíceis o suficiente por si mesmos, sem introduzir a complicação das crianças. Uma vez que as crianças vêm, a atenção da esposa necessariamente se diverge e tensões enormes sobrevêm sobre vocês dois. Gaste os primeiros anos do casamento conhecendo um ao outro, trabalhando seus problemas, divertindo-se juntos e aproveitando aquele relacionamento de amor íntimo só entre você dois. Jan e eu esperamos dez anos antes de termos nossa primeira filha Charity, o que permitiu que eu terminasse meus estudos de pós-graduação, nos estabelecêssemos financeiramente, estabelecêssemos algumas raízes e aproveitássemos e construíssemos nosso relacionamento de amor até que estivéssemos realmente prontos para enfrentar as responsabilidades de sermos pais. O qualificador aqui é que se a esposa desesperadamente quer filhos agora, então o marido deve ceder ao desejo dela de ser mãe, em vez de negar isso a ela. O veredicto dela deve ser decisivo. Mas se os dois puderem concordar em esperar as coisas provavelmente serão bem mais fáceis.
3. Enfrentem os problemas honestamente. Quando encontramos um casal de jovens casados, Jan às vezes os choca ao comentar, “Bem, nós esperamos que estejam brigando bastante!” (Normalmente eles estão). Brigar com seu cônjuge é tão emocionalmente doloroso, porém é o meio necessário pelo qual os problemas são resolvidos e vocês se tornam um. O casal que está realmente em perigo não é o que está brigando, mas aquele que não está confrontando. Para evitar a dor, é mais fácil varrer as coisas para debaixo do tapete e tentar esquecer. Mas dessa forma os problemas não são resolvidos e rancor e ressentimento podem secretamente começar a crescer até o casamento ficar envenenado. Não permita que isso aconteça. Tenha coragem, resolva suportar a dor, e confronte seus problemas honestamente. Mas, por favor, entenda que quando eu falo sobre “brigar” eu não estou falando sobre violência ou abuso físico. Eu quero dizer discussão. E, quando você discute, você deve ter autocontrole para que você o faça de forma justa. Nunca chame seu cônjuge de nomes feios ou diga coisas cujo intuito é machucar, coisas das quais você irá se arrepender depois. Isto é incompatível com o amor. Em vez disso, mantenha em mente, mesmo no calor de uma discussão, que o propósito da discussão é resolver o problema, não machucar a outra pessoa com frases inteligentes. Sempre fique se perguntando, “Como podemos resolver isso?”, em vez de ficar pensando em como você pode ganhar a discussão. Você ganha ao resolver o problema e sair de uma discussão com um parceiro que te ama e que não está emocionalmente ferido por suas colocações ofensivas.
4. Procurem aconselhamento matrimonial. Um excelente conselheiro pode ver coisas em você para as quais você está simplesmente cego e, portanto, nem mesmo sabe a seu respeito. Um bom conselheiro pode abrir seus olhos de forma significativa! Ele pode ajudá-los, como um casal, a adotar estratégias para construir seu relacionamento, resolver seus problemas e lidar com seus filhos. Nunca fique com vergonha de buscar aconselhamento. Pelo contrário, isso mostra a seu cônjuge quão seriamente você considera a construção do seu relacionamento e como você está pronto para se humilhar e mudar se for necessário. Tendo dito isso, eu te alerto a respeito de conselheiros ruins. Se seu conselheiro não está revelando insights penetrantes sobre você e seu cônjuge e o relacionamento de vocês, se as sessões estão simplesmente se arrastando sem qualquer proveito, saia e procure outro conselheiro! Procure saber quem na sua área é realmente bom e não gaste tempo e dinheiro com um conselheiro ruim.
5. Sigam alguns passos para construir intimidade em seu relacionamento.
Esposas: Você precisa entender qual é a necessidade #1 do seu marido no casamento, o que ele mais quer de você: sexo! Sim, sexo freqüente e entusiasmado! Se você fizer isso, você de fato terá um marido feliz. Infelizmente, aqui confrontamos uma daquelas enormes desconexões entre homens e mulheres (você sabe, aquela coisa de Vênus e Marte). Um homem alcança intimidade com a mulher que ele ama por meio de intercurso sexual; mas a mulher vê intimidade como um pré-requisito para o sexo. Assim, se você está sentindo certa distância emocional do seu cônjuge, o que você faz? Você parece estar em um impasse. Se vocês se encontrarem nesta situação, então meu conselho é que é a mulher que deveria baixar a guarda e estar aberta para os avanços do marido. Do contrário você está usando o sexo como uma arma: dizendo, na verdade, “Primeiro supra as minhas necessidades emocionais ou eu irei privar você de sexo”. Isto é uma atitude manipuladora e sem amor. Algum tempo depois de fazer sexo você pode então discutir com ele as questões que você sente que tem criado uma distância emocional entre vocês e procurar resolvê-las.
Maridos: Da sua parte, você precisa lembrar o que você está pedindo que sua esposa faça ao deixá-lo ter uma relação sexual com ela: você está pedindo que ela deixe que você literalmente entre no corpo dela. É difícil imaginar um ato que demonstra mais vulnerabilidade e entrega do que isso. Portanto, você precisa fazer tudo que pode para construir um relacionamento de intimidade e confiança que a permita se entregar para você alegremente. Como você pode fazer isso? Romance? Claro; mas aqui nós encontramos outra enorme desconexão. Quando eu, como homem, penso em romance, eu penso em um jantar à luz de velas, música suave, um passeio na praia em dia de lua cheia. Mas para minha esposa estas coisas são apenas superficiais. Nenhuma destas coisas é, para ela, a essência do romance. Para ela a essência do romance é: falar com ela! Sim, simplesmente tirar um tempo para conversar com ela e, assim, nos conectarmos emocionalmente. Isto significa separar, digamos, meia hora por dia somente para conversar com ela. O problema é que esta atitude pode, ela mesma, tornar-se apenas mais uma coisa para fazer, uma superficialidade a mais. O mais importante é que durante esse tempo vocês se conectem emocionalmente um com o outro.
O que temos aprendido ao longo do tempo é que o casamento é realmente sobre ser, não fazer. Você pode fazer todas as coisas certas prescritas nos livros de casamento e ainda assim não estarem “sendo” juntos. O que é “ser”? É baixar os muros de defesa invisíveis que cada um de nós construiu ao nosso redor para nos proteger da dor. Significa ter limites permeáveis para seu cônjuge. De forma menos metafórica, significa vulnerabilidade e transparência ao relacionar-se com o outro. Relacionar-se dessa forma com seu cônjuge cria uma conexão emocional que gera intimidade.
Como podemos saber, dados nossos pontos cegos e nossa propensão ao autoengano e à racionalização, se estamos somente “fazendo” em vez de “sendo”? Bem, uma forma de descobrir é o seu cônjuge te dizer! Mas um barômetro que você pode usar para verificar isso você mesmo é explorar seus sentimentos e ver se você sente ressentimento por todo o esforço que você está colocando em seu casamento. Se você tem sentimentos de ressentimento, este é um sinal certo de que você está somente fazendo em vez de sendo.
Para ambos: Talvez o maior inimigo de um casamento bem-sucedido seja “crescer separadamente”. Ou seja, um dia vocês começam a levar duas vidas separadas e acabam ficando cada vez mais distantes um do outro. Isto é especialmente perigoso se a esposa tem uma carreira independente do marido. Vocês simplesmente começam a viver em dois mundos diferentes. Apesar de ser politicamente incorreto, eu, portanto, encorajaria sua esposa a não ir atrás de uma carreira independente, mas a ser uma dona de casa ou ser sua parceira em uma causa em comum. Isso dará a vocês a oportunidade de compartilhar uma parte muito maior de suas vidas em vez de seguir trajetórias independentes.
Espero que eu não tenha exagerado na quantidade de informação que dei a você, Zareen, mas foi você que pediu! Desejo a você e a sua futura esposa um casamento cristocêntrico maravilhoso que será grandemente usado por Deus na extensão de Seu reino!
- William Lane Craig