#318 Meus Argumentos São Completamente Sem Sentido?
May 16, 2015Caro Dr. Craig,
Meu nome é Michael e eu faço campanha no Reino Unido contra a doutrinação religiosa de crianças.
Já assisti muitos de seus debates com interesse e eu tenho que dizer - sem a intenção de parecer insultuoso - que o seu conteúdo sempre traz à tona o conceito de roupas novas do imperador.
Parece que os seus seguidores só podem estar fingindo concordar com - e aceitar - seus argumentos, porque eles sentem que deveriam entendê-los a fim de serem considerados cristãos. Mas, na verdade, seus argumentos exigem mais credulidade de aceitar, do que os conceitos básicos do próprio cristianismo. Você parece ser da opinião de que é difícil desafiar seus argumentos. Isso não é porque eles são bons argumentos sólidos; é porque eles são totalmente sem sentido.
Eu poderia dar um argumento em seu próprio estilo: poderíamos, se quiséssemos, fazer a água correr ladeira acima sem a utilização de energia mecânica, e ao fazê-lo resolveria a crise de energia do planeta num piscar de olhos; se nós apenas estivéssemos dispostos a orar com força suficiente para fazer correr a água para cima. A razão que a água não sobe ladeiras, não é porque é impossível que a água faça isso, é simplesmente porque ninguém ainda orou o suficiente para iniciar o processo. Quando alguém finalmente ora o suficiente, a água vai realmente começar a correr para cima.
Ok, isso soa ridículo como um argumento; mas não pode ser provado errado, mesmo que claramente seja. Como tal, ele espelha as construções de seus próprios argumentos de forma precisa.
Para o seu próprio trabalho de apologética, eu diria, você pode, juntamente com outros teólogos, afirmar tantas vezes quanto você gostaria, que existe uma prova escrita para a existência histórica do personagem Jesus, mas a dura realidade é que esta é uma afirmação falaciosa; não importa quantas vezes alega-se isso, nem o número de pessoas; é simplesmente uma afirmação falsa.
Então, para transmitir argumentos sensatos, eu convido você a assistir um documentário intitulado "Just Suppose" [Apenas Suponha], que comprova por meio de exclusão mútua que você está completamente errado em sua defesa de um personagem histórico de 1-30 EC chamado Jesus. O personagem é, sem dúvida, uma construção mítica.
Tudo de bom
Michael
Estados Unidos
Dr. craig’s response
A [
Fico feliz que você tenha encontrado o seu caminho para www.Reasonablefaith.org, Michael, e eu tenha recebido a sua pergunta sobre os argumentos apologéticos que eu defendo.
Infelizmente, você começa insultando, não a mim, mas a milhares de outros - muitos dos quais se tornaram cristãos, ou voltaram a fé cristã, por serem convencidos pelos argumentos - quando você diz que "só podem estar fingindo concordar com - e aceitar - seus argumentos, porque eles sentem que deveriam entendê-los a fim de serem considerados cristãos". Essa reivindicação é incrível. Você é tão audacioso a ponto de pensar que todas essas pessoas são prevaricadoras? Você realmente acha que essas pessoas não entendem os argumentos? A alegação de que elas simplesmente fingem fazê-lo, a fim de serem considerados cristãos é um absurdo, Michael. Eu nunca na minha vida conheci alguém que pensa que, para ser considerado um cristão, tenha que entender esses argumentos.
Portanto, a sua afirmação é, prima facie, altamente improvável e, portanto, requer uma evidência forte se quisermos aceitá-la. Então, que prova você apresenta em apoio a sua afirmação ousada? Aqui é difícil para eu discernir qualquer prova que você apresenta para apoiar a sua reivindicação. A melhor tentativa que eu posso fazer é que você acha que os argumentos são totalmente sem sentido; portanto, aqueles que afirmam aceitá-los realmente não os entendem, mas devem estar apenas fingindo fazê-lo. Mas isso é um argumento ruim, Michael. Pois mesmo que os argumentos fossem sem sentido, enquanto aqueles que os aceitam pensam que eles fazem sentido, eles podem sinceramente aceitá-los. Aqueles de nós que pensam que os argumentos fazem sentido podemos estar errados (e aceitamos as suas refutações), mas nós não estamos apenas fingindo. Se isso parece pouco provável para você, eu o convido a considerar seu próprio caso: você aparentemente aceita este argumento muito ruim, e ainda assim eu não o acuso de estar apenas fingindo fazê-lo.
Você, então, continua a dizer que a razão pela qual os argumentos são "difíceis de desafiar" não é porque eles sejam sólidos, mas porque "eles são totalmente sem sentido." Agora, esta é uma linha de ataque muito estranha, Michael. Eu devia ter pensado que se você pudesse mostrar que um argumento é totalmente sem sentido, isso constituiria um desafio muito sério para este argumento! Filósofos, muitas vezes, tentam mostrar que uma posição é logicamente incoerente ou autorrefutável ou reduz ao absurdo. Esses são todos desafios poderosos para um argumento. Quando você diz que meus argumentos são um desafio difícil porque eles são totalmente sem sentido, você insulta a todos os filósofos, como Graham Oppy ou Quentin Smith ou J. Howard Sobel, que ofereceram sérios desafios para as premissas dos meus argumentos (para não falar de todas as revistas e jornais profissionais e editoras acadêmicas que publicaram estes argumentos). Você acha que eles estão apenas fingindo, também?
Mais uma vez, devemos exigir alguma evidência forte para pensar que todos esses filósofos estão enganados ao pensar que esses argumentos sem sentido, sejam sólidos ou não sólidos, façam sentido. Então, qual é a sua prova? Uma paródia no "estilo" dos meus argumentos. Mas se você tem qualquer familiaridade com o meu trabalho, Michael, você pode certamente reconhecer que a sua paródia não se assemelha de maneira alguma aos meus argumentos. Meus argumentos são normalmente apresentados em silogismos dedutivos simples, por exemplo,
1. Tudo que começa a existir tem uma causa.
2. O universo começou a existir.
3. Portanto, o universo tem uma causa.
e
4. A sintonia fina do universo se deve à necessidade física, ao acaso ou ao design.
5. Não se deve à necessidade física ou acaso.
6. Portanto, se deve ao design.
Agora, nenhuma das premissas desses argumentos é absurda, Michael. Filósofos e físicos escrevem e falam sobre estas declarações o tempo todo. Então, se você quiser evitar as conclusões destes argumentos, você deve rejeitar, pelo menos, uma das suas premissas como falsa. Então eu convido você para me dizer: que premissa você rejeita e por quê? Não se esconda atrás de insultos; envolva-se com os argumentos.
No que diz respeito à sua paródia, eu devo dizer que a premissa
1 *. Se alguém ora forte o suficiente, água vai subir ladeiras.
não tem provas para sustentar a sua verdade; nem é intuitivamente verdadeira. Até mesmo os teístas não têm nenhuma razão para pensar que é verdade. Por outro lado, eu apresento argumentos e evidências em apoio das premissas dos meus argumentos. Olhe, por exemplo, nas quatro linhas de defesa que eu ofereço em nome do princípio do universo ou a evidência contra o acaso como uma explicação do ajuste fino. Meus argumentos podem ser definitivamente "provado errados", como você diz. As premissas podem ser refutadas ou, pelo menos, rebaixadas.
Michael, não são teólogos que afirmam que Jesus de Nazaré foi uma pessoa histórica, mas os historiadores profissionais. Ao negar este fato você está flertando com kookdom. Neste assunto o cristão pode descansar confortavelmente dentro da corrente principal histórica e deixar você do lado de fora com os loucos. Até mesmo você tem que admitir que, para melhor ou pior, as coisas estão assim. Convido você a ler o livro de Bart Ehrman Did Jesus Exist? [Jesus Realmente Existiu?], um livro escrito por um erudito não-cristão do Novo Testamento. Ele realmente desafia seus místicos por sua incompetência histórica e tendenciosidade. Quando você começa a alinhar-se com essas pessoas, então vemos claramente quem é que acha que o Imperador está vestido maravilhosamente.
- William Lane Craig