#347 São os Valores Morais “Objetivos" ou "Absolutos"?
May 16, 2015Olá Dr. Craig,
Como sempre, eu quero lhe agradecer pelo seu contínuo compromisso com a defesa da fé e com equipar a igreja para enfrentar os desafios deste mundo em que vivemos, cada vez mais secular. Eu mesmo já fui profundamente influenciado por seu trabalho e estou em fase final de completar meus requisitos para ser um diretor de um grupo do Reasonable Faith no Oeste do Texas.
A minha pergunta para você é sobre a diferença entre o absoluto versus o objetivo quando se fala sobre a moralidade.
Tenho ouvido você abordar esta questão em uma de suas sessões de perguntas e respostas ao fazer sua turnê pela Europa. Você declarou que você era muito comprometido em declarar o argumento moral em termos de moralidade "objetiva", ao invés de moralidade "absoluta". No entanto, eu não acredito que tenha havido mais explicações sobre o assunto.
Em seu debate com Sam Harris, você refutou a ideia de que estava defendendo uma posição em que afirmava um sistema "universal" de moralidade, mas sustentou que os valores e deveres morais objetivos eram o que você estava declarando ser evidência da existência de Deus. Tanto no Reasonable Faith quanto no Em Guarda, tenho notado que você define "objetivo" afirmando que algo é objetivo se não depende da opinião ou do conhecimento humano. É simplesmente válido e obrigatório, independentemente da opinião humana.
Enquanto acompanhava uma missão de apologética para um campus universitário local, o argumento moral foi abordado e um dos ateus fez uma declaração que era algo como isto:
"Quando você diz absoluto, eu não sei o que isso significa. O que eu ouço a maioria dos cristãos dizer quando falam de "verdade absoluta" ou "moralidade absoluta" é na verdade a mesma coisa que falar em termos de objetividade. Na maioria das vezes, as palavras "absoluto" e "objetivo" são utilizadas de forma intercambiável sem distinção significativa".
Já que você tem falado muito sobre o argumento moral, e dada a sua formação, tenho certeza de que esta é uma pergunta sobre a qual você já pensou a respeito e resolveu. Minha esperança é que você possa lançar alguma luz sobre este assunto para mim e para o resto de nós. Muito obrigado, mais uma vez, por tudo o que você faz em nome de Jesus.
Deus abençoe!
Joshua
Estados Unidos
Dr. craig’s response
A [
Obrigado por seu trabalho com o Reasonable Faith, Joshua! Espero que seu grupo local floresça!
A razão pela qual eu acho que é preferível falar sobre valores e deveres morais objetivos, em vez de valores e deveres morais absolutos, pode ser melhor vista considerando seus opostos. O oposto de "objetivo" é "subjetivo". O oposto de "absoluto" é "relativo". Agora, pouca reflexão é necessária para ver que "relativo" não significa "subjetivo". Só porque os deveres morais de alguém são relativos às próprias circunstâncias, não implica de modo algum que eles sejam subjetivos, de que não existe algo objetivamente certo ou errado para fazer em tal situação. Assim, a distinção objetivo/subjetivo não é a mesma que absoluto/relativo.
"Absoluto" significa "independentemente das circunstâncias". "Relativo" significa "variando com as circunstâncias". Nós podemos concordar, por exemplo, que não é absolutamente errado matar outra pessoa. Em algumas circunstâncias matar outra pessoa pode ser moralmente justificado e até mesmo obrigatório. Afirmar que um dever moral varia de acordo com as circunstâncias não quer dizer que não temos deveres morais objetivos a cumprir.
"Objetivo" significa "independente da opinião das pessoas (incluindo a própria)." "Subjetivo" significa "simplesmente uma questão de opinião pessoal." Se nós temos deveres morais objetivos, então nas diversas circunstâncias em que nos encontramos somos obrigados ou proibidos de fazer várias ações, independentemente do que nós pensamos.
Da mesma forma, eu confio que você possa ver que a questão também não é de universalidade. Universalidade não implica objetividade. A universalidade de um código moral poderia ser apenas evidência de unanimidade de opinião (talvez enraizada em nós pela evolução). Igualmente, a objetividade não implica universalidade também. Em certas épocas e lugares alguma ação (por exemplo, vestir-se de uma certa forma) pode ser objetivamente errado e, em outros tempos e lugares, moralmente permissível.
Fazer essas distinções com cuidado é vital para o argumento moral, já que a afirmação de que "existem valores e deveres morais absolutos" vai despertar, muito apropriadamente, mais oposição do que a afirmação de que "existem valores e deveres morais objetivos." As pessoas vão considerar que você está dizendo que certas coisas são sempre certas ou erradas, independentemente das circunstâncias, o que você, definitivamente, não está afirmando. O ponto é que, se Deus existe, existem valores morais objetivos e temos deveres morais objetivos para cumprir em qualquer circunstância em que nos encontremos. Mas a objetividade desses valores e deveres não implica que eles não variem de acordo com as circunstâncias. Eles são objetivos, mesmo que não sejam também absolutos e universais.
Mantendo estas distinções vai evitar uma série de confusões!
- William Lane Craig