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bird bird

#64 O “Argumento Central” de Dawkins mais uma vez

October 28, 2014
Q

Acredito que você tenha lido errado as 6 afirmações do Sr. Dawkins

Esta é a forma na qual eu as teria lido:

1. Se Deus existe, então a tentação natural seria a de atribuir a aparência de projeto a Deus.

2. A tentação é falsa, pois a hipótese de projeto faz surgir imediatamente o problema maior sobre quem projetou o projetista.

3. A explicação mais poderosa e engenhosa é a evolução darwinista pela seleção natural.

4. No presente momento não temos uma explicação equivalente da evolução Darwiniana pela seleção natural pela física.

5. Se tivéssemos então Deus quase certamente não existiria.

Tom

<ul><li>United States</li></ul>

Dr. Craig

Dr. craig’s response


A [

É um princípio muito importante do academicismo, Tom, que se apresente de forma precisa e justa a visão de alguém antes de criticá-la. Caso contrário, atinge-se uma vitória oca ao nocautear um espantalho.

Inspirado por sua pergunta, peguei uma cópia do livro Deus um Delírio de Dawkins e revisei o resumo do que ele chama “o argumento central do meu livro” nas páginas 171-172 para ter certeza que eu não o havia representado mal. Aqui está o resumo que eu apresentei de seu argumento na minha Pergunta 1 no Arquivo:

1. Um dos maiores desafios ao intelecto humano tem sido o de explicar como surge a aparência complexa e improvável de projeto no universo.

2. A tentação natural é a de atribuir a aparência de projeto ao próprio projeto verdadeiro.

3. A tentação é falsa, pois a hipótese de projeto faz surgir imediatamente o problema maior sobre quem projetou o projetista.

4. A explicação mais poderosa e engenhosa é a evolução darwinista pela seleção natural.

5. Não temos uma explicação equivalente para a física.

6. Não devemos perder a esperança de que surja na física uma explicação melhor, algo tão poderoso quanto é o darwinismo para a biologia.

Se você olhar nas páginas 171-72 do livro de Dawkins, você verá que o que está acima é praticamente uma citação palavra por palavra de Dawkins (eu substitui a palavra “explicação” por sua metáfora “guindaste” para tornar seu significado mais claro). Eu também li novamente seu capítulo para ter certeza que o resumo dele era um resultado acurado de seu argumento. É claro, era sim.

Em contraste, seu resumo não representa de forma acurada o que Dawkins diz. Primeiro, ao reescrever as próprias premissas (1) e (2) como você faz, você atribui a Dawkins a visão que se Deus existe, então existirá uma tentação natural de atribuir a aparência de projeto a Deus. Mas Dawkins não quer especular sobre o que seria o caso se Deus existisse. Ele quer dizer que mesmo que Deus não existisse, ainda existiria esta tentação natural. A primeira premissa dele implica que existe a aparência de projeto no universo, e a segunda diz que é natural atribuir esta aparência de projeto a um projetista. Como um ateu ele acredita em ambas as afirmativas. Deus não tem nada a ver com a aparência nem com a tentação. Então você está completamente errado em representar o argumento dele como se fosse um argumento que é baseado em uma condicional.

Em segundo lugar, mais seriamente, você também representa o passo (6) e a conclusão dele como uma afirmação condicional. Isso faria com que o argumento dele fosse mais modesto, admitindo que nós não temos uma explicação para a aparência de projeto na física, mas insistindo que se tivéssemos, então poderíamos concluir que Deus quase certamente não existe.

Infelizmente, isso simplesmente não é o que Dawkins diz. Com respeito ao passo (6), ele diz, “Mas, mesmo na ausência de um guindaste [explicação] altamente satisfatório equivalente ao biológico, os guindastes relativamente fracos que temos hoje são, com a ajuda do princípio antrópico, obviamente melhores que a hipótese contraproducente de um guincho celeste, o projetista inteligente.” (p. 172) E com respeito a conclusão dele, Dawkins declara, “Se o argumento deste capítulo for aceito, a premissa factual da religião — a Hipótese de que Deus Existe — fica indefensável. Deus, quase com certeza, não existe. Essa é a principal conclusão do livro até agora.” (Ibid.). Isso torna bastante claro que Dawkins acredita que o argumento sumarizado por ele nos passos (1)-(6) prova que Deus não existe. Ele não está esperando por uma explicação melhor para a aparência de projeto na física aparecer primeiro.

Então sua tentativa de reprojetar o argumento de Dawkins para fazê-lo parecer mais modesto simplesmente não faz jus ao que Dawkins afirma.

Mais importante do que isso, Tom, mesmo que aderíssemos à sua interpretação - ou reinterpretação - do argumento de Dawkins, que bem faria para o ateu? Pois o argumento permanece inválido, como expliquei na minha resposta à pergunta 1. Seu passo (5) não pode ser concluído a partir dos seus primeiros quatro passos. No máximo, tudo o que segue é que nós não deveríamos inferir a existência de Deus baseados em um argumento de design, uma conclusão que é compatível tanto com a existência de Deus quanto com a crença em Deus sendo justificada por outros fundamentos. Além do mais, como expliquei na minha resposta anterior, o passo (3) no argumento de Dawkins, que você transformou em passo (2) na sua versão, é simplesmente falso por muitas razões. Dessa forma, até mesmo sua reinterpretação mais modesta do argumento de Dawkins permanece pouco sólida e sem esperança de ser um argumento a favor do ateísmo.

- William Lane Craig