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#283 Os Evangelhos Apoiam uma Visão Mulçumana de Jesus?

May 13, 2015
Q

Olá Dr. Craig,

Em primeiro lugar eu gostaria de lhe agradecer por todo o trabalho que você tem feito. Você tem sido uma grande influência para mim ao longo da minha vida como estudante de filosofia. Foi o seu trabalho que me levou para o caminho de Deus depois de tornar-me ateu por dois anos.

Acabei de olhar um vídeo de um teólogo mulçumano dizendo que os evangelhos de certa forma denigrem Jesus Cristo em várias ocasiões. Ele continuou dizendo que estas partes não somente o denigrem, mas podem ser prova de que não foi Jesus que foi crucificado.

Aqui estão as partes a que ele se refere:

1. Indo um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres” (Mateus 26:39).

Aqui o teólogo mencionou mártires muçulmanos que estavam mais do que dispostos a sacrificar suas vidas por Deus, mas aqui os evangelhos cristãos mostram Jesus como alguém com medo da morte que implora a Deus para tirá-lo da agonia. Ele então apontou para como Mateus 26:38 mostra Jesus como alguém que estava profundamente amedrontado da morte.

2. Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? (Mateus 27:46)

As acusações que ele trouxe para cima contra este verso foram bastante parecidas com as que ele disse sobre a primeira passagem. Por que o único filho de Deus perderia a esperança em Deus e proferir tal blasfêmia?! Mais uma vez ele pensou nisso como uma prova da crença muçulmana que não foi Jesus que foi crucificado.

Para ser honesto, eu tive problemas com essas passagens também, especialmente o segundo que me chocou a primeira vez que a ouvi. Eu seria mais do que grato se você pudesse me ajudar com esses problemas.

Sinceramente com a Graça de Deus,

M.

Irã

  • Iran

Dr. craig’s response


A [

É um privilégio, M., receber uma carta de um irmão cristão que vive na linha de frente da perseguição! Que Deus possa fortalecê-lo e orientá-lo na plenitude de Sua vontade!

Ironicamente, os mesmos pontos para denegrir Jesus que seu amigo discerne nos Evangelhos, embora talvez incompatíveis com uma interpretação muçulmana de Jesus, não só são compatíveis com a visão cristã, mas, na verdade, reforçam a credibilidade histórica da vida de Jesus nos evangelhos.

Veja, porque a igreja cristã primitiva acreditava na divindade de Cristo, você esperaria que, se os relatos dos evangelhos fossem em grande parte o produto da igreja ao invés de registros precisos da vida de Jesus, os evangelhos iriam suprimir ou omitir embaraçosos ou desagradáveis traços de fraqueza e humanidade de Jesus. Mas eles não fazem isso! Em vez disso, encontramos muitos desses traços: o batismo de Jesus por João Batista, a exaustão e sono de Jesus no barco, a ignorância de Jesus da época de seu retorno, a agonia de Jesus no Jardim e assim por diante. Estas não são as características que alguém que acreditava na divindade de Jesus inventaria. Elas são, portanto, indicações da credibilidade histórica dos relatos em que elas aparecem. Na verdade, há um nome para esta ferramenta de pesquisa histórica de Jesus: é chamado de o critério de constrangimento (vergonha). Ele afirma que, se um provérbio ou acontecimento na vida de Jesus é embaraçoso ou desagradável para a igreja primitiva, então a probabilidade é aumentada de que o ditado ou evento seja autêntico, ou seja, realmente aconteceu.

Então, tenho prazer em encontrar tais recursos nas narrativas porque confirmam que temos boas razões históricas para o que estamos lendo. Isso prejudica a alegação muçulmana de que os relatos do evangelho da vida de Jesus são tão corrompidos que não são confiáveis. Em particular, a crucifixão de Jesus é a instância suprema do critério do constrangimento, um evento tão firmemente estabelecido historicamente que tem se tornado um critério de autenticidade próprio e outros acontecimentos são avaliados à luz do fato da crucifixão de Jesus. A visão do seu amigo, que alguém foi crucificado no lugar de Jesus, é tão historicamente irresponsável que nenhum historiador (que não seja um muçulmano comprometido) mantém tal ponto de vista.

Mas esses incidentes de alguma forma não lançam dúvidas sobre a divindade de Jesus? De forma alguma, M.! Os muçulmanos muito tipicamente não entendem que os cristãos não acreditem que Jesus é simplesmente divino, disfarçado de homem (como Super homem disfarçado como Clark Kent). Os cristãos, em vez disso, defendem que Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, que tem duas naturezas completas, uma humana e uma divina. Então, apontar características das fraquezas e limitações humanas de Jesus é algo em que o cristão se alegra, porque vai apenas confirmar a verdadeira humanidade de Jesus. Ele desceu tão baixo a ponto de assumir toda a nossa fragilidade e fraqueza.

Francamente, eu estou contente de que Jesus não tenha enfrentado sua crucifixão iminente como um herói de ação falso, mas estava em agonia sobre ser barbaramente açoitado e crucificado. Esse é alguém com quem eu posso me identificar! Isso é coragem real! Esse é um homem a quem eu posso admirar e seguir.

Quanto às palavras de Jesus na cruz, estou convencido de que elas têm sido muito mal interpretadas por muitos cristãos. Eu costumava pensar que, como muitos cristãos acreditam, que quando Jesus clamou: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?", Deus, o Pai tinha virado as costas para Deus, o Filho, e Jesus estava, naquele momento, recebendo a pena da separação de Deus por nossos pecados. É claro que há algo um pouco estranho nessa interpretação teológica. A Bíblia diz que o salário do pecado é a morte, e que Cristo morreu pelos nossos pecados. Mas neste momento Jesus, obviamente, não estava morto! Então, como poderia este ser o momento de expiação? E se fosse, por que Jesus, depois de ter expiado o pecado, precisaria morrer? Suas outras palavras a partir da cruz não parecem expressar qualquer abandono por Deus ("Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito"). Então, o que está acontecendo aqui?

Bem, olhe para o Salmo 22, M. Jesus estava mergulhado no Antigo Testamento e conhecia os Salmos. Salmo 22 é a oração do servo justo de Deus em perigo. Então, o que Jesus estava fazendo neste momento mais terrível de sua vida, em uma dor excruciante e humilhação? Ele estava orando ao Pai!

"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Salmo 22:1)

Em vez de chafurdar na desesperança e desespero, ele está orando o Salmo 22 em voz alta para Deus. Eu fico emocionado só de pensar nisso. Que homem! Que fidelidade! Este não é o momento em que Jesus está mais distantes de Deus; este pode muito bem ser o momento em que ele estava mais próximo de Deus.

Então eu lhe encorajaria a deleitar-se com a verdadeira humanidade de Cristo, bem como na sua divindade. Ambos são vitais para a nossa salvação.

- William Lane Craig